Há dois dias, sofri um
acidente. Fui buscar minha filha de 11 anos na escola de bicicleta, como
costumo fazer. A peguei na escola e, no meio do trajeto, um veículo colidiu na
traseira da nossa bike. Fomos jogados ao chão e o impacto foi enorme.
Minha filha ficou
desacordada. Desesperado, eu precisava ajudá-la. Algumas pessoas que passavam
pelo local se aproximaram para prestar socorro. Entre elas, um bombeiro que
passava por ali — a quem menciono com muita honra — agiu rápido e chamou o
resgate. Fomos levados direto para o hospital.
Ao chegarmos lá, percebi
que o caos estava apenas começando. Eu sabia que estávamos machucados, mas o
cenário que encontrei no hospital foi simplesmente desolador.
Havia pessoas amontoadas
pelos corredores e muitas outras gemendo de dor na sala de emergência onde
fomos colocados. Foi naquele momento que cheguei a uma conclusão: se as coisas
na sua vida não andam bem e você acha que tem o direito de reclamar, pense bem.
Elas poderiam estar muito piores.
Olhando ao meu redor, a
realidade me deu um choque de perspectiva:
- Enquanto eu estava ali apenas ralado, vi pessoas perdendo familiares em acidentes
graves de moto.
- Enquanto eu sentia a dor de uma pancada na
cabeça, mas seguia lúcido,
vi pessoas com traumatismo craniano partindo para a eternidade sem ter a
chance de dizer um último "adeus" aos seus amados.
- Enquanto eu passava minutos na sala de raio-X
para descobrir que, graças a Deus, eu e minha filha não tivemos nenhuma
fratura, vi pessoas com
ossos quebrados que agora enfrentam meses de recuperação em muletas ou
cadeiras de rodas.
Por isso, meu amigo,
pense bem antes de reclamar do seu emprego. Lembre-se de quantos estão
desempregados.
Pense antes de reclamar
da sua casa — que você, às vezes, chama pejorativamente de “barraco”. Há
milhares de pessoas morando embaixo de pontes.
Pense antes de reclamar
porque o bife ficou meio cru ou porque o bolo assou demais. Olhe em volta e
veja quantos, hoje mesmo, enquanto você lê este texto, ainda não fizeram uma
única refeição.
Portanto, se estiver ao
seu alcance, ajude o cansado a encontrar repouso, o cego a encontrar o caminho
e o faminto a se alimentar. Mas, se você não puder fazer nada disso, faça pelo
menos uma coisa: pare de reclamar da vida e passe a ser grato a Deus pela
dádiva da existência.
Do vosso conservo em
Cristo,



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