sexta-feira, 26 de agosto de 2011

0 Cicatrizes, Gratidão e o Valor da Vida: O Dia em que Tudo Mudou




Há dois dias, sofri um acidente. Fui buscar minha filha de 11 anos na escola de bicicleta, como costumo fazer. A peguei na escola e, no meio do trajeto, um veículo colidiu na traseira da nossa bike. Fomos jogados ao chão e o impacto foi enorme.

Minha filha ficou desacordada. Desesperado, eu precisava ajudá-la. Algumas pessoas que passavam pelo local se aproximaram para prestar socorro. Entre elas, um bombeiro que passava por ali — a quem menciono com muita honra — agiu rápido e chamou o resgate. Fomos levados direto para o hospital.

Ao chegarmos lá, percebi que o caos estava apenas começando. Eu sabia que estávamos machucados, mas o cenário que encontrei no hospital foi simplesmente desolador.

Havia pessoas amontoadas pelos corredores e muitas outras gemendo de dor na sala de emergência onde fomos colocados. Foi naquele momento que cheguei a uma conclusão: se as coisas na sua vida não andam bem e você acha que tem o direito de reclamar, pense bem. Elas poderiam estar muito piores.

Olhando ao meu redor, a realidade me deu um choque de perspectiva:

  • Enquanto eu estava ali apenas ralado, vi pessoas perdendo familiares em acidentes graves de moto.
  • Enquanto eu sentia a dor de uma pancada na cabeça, mas seguia lúcido, vi pessoas com traumatismo craniano partindo para a eternidade sem ter a chance de dizer um último "adeus" aos seus amados.
  • Enquanto eu passava minutos na sala de raio-X para descobrir que, graças a Deus, eu e minha filha não tivemos nenhuma fratura, vi pessoas com ossos quebrados que agora enfrentam meses de recuperação em muletas ou cadeiras de rodas.

Por isso, meu amigo, pense bem antes de reclamar do seu emprego. Lembre-se de quantos estão desempregados.

Pense antes de reclamar da sua casa — que você, às vezes, chama pejorativamente de “barraco”. Há milhares de pessoas morando embaixo de pontes.

Pense antes de reclamar porque o bife ficou meio cru ou porque o bolo assou demais. Olhe em volta e veja quantos, hoje mesmo, enquanto você lê este texto, ainda não fizeram uma única refeição.

Portanto, se estiver ao seu alcance, ajude o cansado a encontrar repouso, o cego a encontrar o caminho e o faminto a se alimentar. Mas, se você não puder fazer nada disso, faça pelo menos uma coisa: pare de reclamar da vida e passe a ser grato a Deus pela dádiva da existência.

Do vosso conservo em Cristo,

João Augusto

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