Estou chocado de que estejais vos
desviando tão depressa daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para
seguirem outro evangelho, que na verdade, não é o Evangelho. O que acontece é
que algumas pessoas vos estão confundindo, com o objetivo de corromper o
Evangelho de Cristo. Contudo, ainda que nós ou mesmo um anjo dos céus vos
anuncie um evangelho diferente do que já vos pregamos, seja considerado
maldito! Conforme já vos revelei antes, declaro uma vez mais: qualquer pessoa
que vos pregar um evangelho diferente daquele que já recebestes, seja
amaldiçoado!" (Gálatas 1:6-9)
Tenho observado muitas pregações na atualidade e posso dizer, com grande
tristeza, que o temor que habitava o coração do apóstolo Paulo cumpre-se em
nossos dias. Muitos dos chamados “GRANDES PREGADORES” estão pregando tudo,
menos o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Se fossem somente os pregadores de renome que tivessem entrado nessa
"barca furada", poderíamos resolver o problema; porém, o que acontece
é que os mais simples dentre os que se põem a anunciar o Evangelho também estão
enveredando por esse caminho perigoso, espalhando uma mensagem de autoajuda,
psicologia humana e teologias estranhas.
Mas por que estou afirmando que estamos vivenciando a época de
"outro evangelho"?
1. O Evangelho não é complicado
Nunca vi Jesus pregando um evangelho complicado — e é exatamente isso o
que alguns têm feito. São pregações carregadas de hebraísmos, figuras de
linguagem e vocabulário rebuscado que ninguém entende. Algumas parecem
direcionadas a um grupo de acadêmicos mortos e não a almas sedentas das
verdades claras e simples da Palavra de Deus. Jesus pregava uma mensagem tão
simples que as crianças entendiam, mas tão profunda que deixava os doutores da
lei boquiabertos.
2. O tema central é a Salvação
Não adianta pregar por horas, verbalizar as palavras mais difíceis do
dicionário e despejar teologia bíblica profunda se a mensagem não tiver como
centro a SALVAÇÃO EM CRISTO. O lugar de fazer discursos é na
Universidade; o púlpito da Igreja é o lugar de dizer ao pecador que Jesus veio
buscar e salvar o que se havia perdido.
3. A ausência do chamado à Santidade
A maioria das pregações de hoje não chama as vidas à santidade. A
santidade é a ponte que nos leva ao santuário da presença de Deus. Como disse o
autor de Hebreus: "Sem santificação ninguém verá o Senhor". Como
podem os mensageiros de Deus omitir a santidade do "cardápio"
espiritual? Como podem apresentar a Igreja como noiva imaculada se não exortam
os crentes a viverem em santidade?
4. A negligência quanto ao Pecado
Seja sincero: quantas vezes, no último ano, você ouviu uma mensagem
sobre o pecado e seus efeitos danosos? Quantos pregadores você lembra que te
fizeram voltar para casa preocupado com a situação da sua alma? A maior doença
da humanidade chama-se pecado. Como podem os mensageiros negligenciar assunto
tão relevante e ainda pensar que pregam a inteira vontade de Deus?
5. O falso evangelho da prosperidade e saúde perfeita
Jesus não pregou bênçãos financeiras e saúde perfeita para este mundo.
Pelo contrário, disse aos discípulos que seriam odiados, perseguidos e teriam
aflições (Marcos 10:22; Lucas 21:12; João 16:33). Como Deus reservaria
sofrimento e cruz para Seu Filho e apóstolos, e apenas dinheiro e troféus para
a Igreja Moderna?
6. O esquecimento de que Jesus está voltando
Não acredito num evangelho que não anuncia a Volta de Jesus. Nossa maior
esperança é morar no céu com Ele. Se o pregador não anuncia mais essa mensagem,
por certo ele não a deseja mais ou perdeu a fé nela.
Conclusão
Por tudo isso, estou convencido de que alguns estão anunciando “outro
evangelho”, e os resultados têm sido desastrosos para a Noiva de Cristo.
Precisamos urgentemente de discernimento espiritual para abraçar a
verdadeira Mensagem da Cruz, ainda que pregada pelos obreiros mais
humildes, e "rejeitar" como anátema esse evangelho que destrona Deus
para coroar o homem — ainda que pregado pelo mais ilustre pregador deste mundo.
Paz seja convosco,
João Augusto de Oliveira





