sábado, 31 de agosto de 2013

1 Cristão pode ouvir música secular? Refletindo sobre o que nos edifica

 
 
 

T"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." (1 Coríntios 10:23)

Recentemente, um irmão me perguntou se era errado um cristão ouvir música secular. Ele confessou que costuma ouvir esse tipo de conteúdo em casa e no celular, mas sentia essa dúvida no coração.

Vou responder a essa pergunta da mesma forma que respondi a ele. Embora nem sempre pareça didático responder a um questionamento com outros, utilizarei o método socrático para que possamos chegar juntos a uma conclusão.

Há quase dois mil anos, o apóstolo Paulo escreveu aos crentes de Corinto sobre a liberdade cristã e os limites das nossas escolhas. O teor de suas palavras é claro: somos livres ("tudo é lícito"), mas nossa prioridade deve ser o que nos constrói espiritualmente ("nem tudo edifica").

Diante disso, pergunto a você: Quais são os benefícios que a música secular traz à sua vida com Deus? Que tipo de edificação você recebe ao ouvi-las?

O conteúdo por trás da melodia

Infelizmente, a grande maioria da música secular hoje transmite mensagens negativas ou até destrutivas. Se pararmos para analisar as letras, encontraremos uma alta porcentagem de apologia ao crime, à imoralidade, ao desrespeito às autoridades, ao satanismo e ao niilismo.

Se filtrarmos a "música do mundo" para manter apenas o que é positivo ou neutro, acredito que sobraria menos de 10%. Para ilustrar, vejamos alguns exemplos históricos de mensagens que colidem com os valores cristãos:

  • Rolling Stones: Uma das primeiras bandas a abordar o satanismo abertamente em músicas como Sympathy For The Devil. Álbuns como Goats Head Soup e Voodoo Lounge trazem referências claras ao ocultismo.
  • Beatles: Em sua fase final, mergulharam em religiões orientais e no experimentalismo com drogas. John Lennon era um estudioso do bruxo Aleister Crowley, que inclusive aparece na capa do álbum Sgt. Pepper's.
  • Black Sabbath: Pioneiros no uso de visual e temática satânica. O próprio nome da banda refere-se ao encontro de feiticeiras, e letras como N.I.B. e War Pigs exploram esses temas.
  • Ozzy Osbourne: Além do visual carregado, sua música Suicide Solution foi alvo de polêmicas por supostamente influenciar jovens ao suicídio.

Conclusão: A escolha é sua

Esses são apenas alguns exemplos para despertar a curiosidade de pesquisar o que você consome. Não mencionei as músicas que incentivam o adultério, a traição ou a objetificação da mulher, que são onipresentes nas paradas de sucesso atuais.

Meu objetivo não é ditar regras ou dizer o que é proibido. Quero apenas oferecer ferramentas para que você reflita e decida, com sabedoria, que caminho deve seguir. Como diz a Palavra:

"Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência." (Deuteronômio 30:19)

Um bom final de semana a todos,

João Augusto de Oliveira

 



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

0 MISSÕES - ORE - "A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." Tiago 5.15-16


Ore

"A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." Tiago 5.15-16
Na Bíblia, o apóstolo Tiago nos ensina no versículo acima esta verdade espiritual, e nós, da Portas Abertas, praticamos e cremos no poder da oração.
Muitos cristãos que vivem sob perseguição nos relatam que as orações têm sido o sustento que os faz permanecer firmes mesmo em meio a tão forte tribulação, pois Deus os têm consolado, socorrido, abençoado, protegido e confortado em diversos momentos críticos. São relatos marcantes da fidelidade do Senhor em estar com seus filhos durante todo o tempo.
Assista ao vídeo de um dos testemunhos mais marcantes da Portas Abertas sobre o poder da oração:
Vamos Orar
Pensando em incentivar a Igreja Livre, ou seja, a comunidade de cristãos que tem liberdade de culto, a orar por nossos irmãos perseguidos, a Portas Abertas Brasil edita mensalmente o boletim “Vamos Orar”, encartado junto com a revista mensal e também disponível no site (clique aqui para ver os pedidos do mês corrente).
Paulo nos lembra em Efésios 6 que “a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (v.8), e “tendo isso em mente”, a Portas Abertas “está atenta e perseverando na oração por todos os santos” (v.12).
Entendemos que os cristãos que vivem sob perseguição enfrentam forte oposição espiritual e necessitam que a Igreja os cubra com suas orações. Essa é a maior contribuição que você, como cristão, pode oferecer!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

0 Palestra de 5 minutos com Bill Gates




Bill Gates foi convidado por uma escola secundária para uma palestra. Chegou de helicóptero, tirou o papel do bolso onde havia escrito onze itens. Leu tudo em menos de 5 minutos, foi aplaudido por mais de 10 minutos sem parar, agradeceu e foi embora em seu helicóptero. O que estava escrito é muito interessante, leiam:

1. A vida não é fácil — acostume-se com isso.

2. O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.

3. Você não ganhará R$20.000 por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.

4. Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.

5. Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade.

6. Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.

7. Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

8. Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA!!! Faça certo da primeira vez!

9. A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

10. Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

11. Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles."

0 Uma sobrevivente da visão celular do Terra Nova


Uma sobrevivente da visão celular de Rene Terra Nova conta TUDO!
Eu tive que digerir depressa demais o amontoado de quesitos que a Visão Celular possuía, parecia que tinha mudado de planeta e precisava aprender o novo dialeto local, e urgente, para conseguir me adaptar.
Ganhar / consolidar / discipular / enviar, almas / células/ famílias, Peniel, Iaweh Shamá, honra, conquista, ser modelo, unção apostólica, atos proféticos, mãe de multidões, pai de multidões, conquista da nação, mover celular, riquezas, nobreza, encontro, reencontro, encontros de níveis, resgatão, Israel, festas bíblicas, atos proféticos, congressos, redes, evento de colheita, prosperidade, recompensa, multidão, confronto, primeira geração dos 12, segunda geração dos 12, toque do shofar, cobertura espiritual, resultado, resultado, resultado, etc…
Era início do ano de 2002 quando fomos a Manaus, eu e meu marido, para recebermos legitimidade, enquanto segunda geração dos 12 do Apóstolo Renê Terra Nova no estado de São Paulo.As exigências eram muitas e muito caras:
• Compra do boton sacerdotal num valor absurdo.
• Hospedagem obrigatória no Tropical Manaus, luxuoso resort ecológico, às margens do Rio Negro, não um dos mais caros, mas “O” mais caro de Manaus (conheci Pastores que venderam as calças para pagar 2 diárias no tal resort e outros que deixaram a família sem alimentos para entrar na fila dos zumbis apostólicos, num Thriller nada profético).
• Trajes de gala Hollywoodianos.
• Participação obrigatória num jantar caro da preula após a cerimônia, tendo como ilustre batedor de bóia nada menos que o Apóstolo Renê e seus cupinchas.
• Tudo isso para ter a suprema dádiva de receber a imposição de mãos do homem, com direito a empurradinha na oração de legitimação e tudo ( uhuu!).
Nem mesmo em festa de socialite se vê exageros tão grandes em termos de exibição de joias, carros, roupas de grife e todo tipo de ostentação escandalosa.
Hoje, sem a cachaça da massificação na cabeça, sinto vergonha e fico imaginando como Jesus seria tratado no meio daquela pastorada.
Ele chegaria com sandálias de couro, roupa comum, jeito simples, não lhe chamariam para ser honrado, nem tampouco perguntariam quem é o dono da cobertura dele, pois deduziriam que certamente dali ele não era.
Estive envolvida até a cabeça – porém não até a alma – na Visão Celular durante quase 5 anos, em todas as menores exigências fui a melhor e na inspiração do que disse Paulo “…segundo a justiça que há na lei dos Terra Nova, irrepreensível.”
Entreguei submissão cega às sempre inquestionáveis colocações e desafios do líder, sob pena de ser rebelde e fui emburrecendo espiritualmente.
Me pergunto sempre por que entrei nisso tudo e depois que este artigo terminar talvez você me pergunte o mesmo, mas minha resposta tem sempre as mesmas certezas:
–> Todos nós precisamos amadurecer e, enquanto isso não acontece, muitas propostas vêm de encontro às fraquezas que possuímos e que ainda não foram resolvidas dentro de nós.
A partir da minha experiência pude enxergar as três principais molas propulsoras que fazem funcionar toda essa engrenagem:
1) A lavagem cerebral
A definição mais simples para lavagem cerebral é “conjunto de técnicas que levam ao controle da mente; doutrinação em massa”.
Em todas as etapas da Visão Celular se pode ver nitidamente vários mecanismos de indução, meios de trabalhar fortemente as emoções onde o resultado progressivo desta condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade.
Os métodos coercivos de convencimento, os treinamentos intensos e cansativos que minam a autonomia do indivíduo, os discursos inflamados, as músicas repetitivas e a oratória cuidadosamente persuasiva são recursos que hoje reconheço como técnicas de lavagem cerebral, onde há mudanças comportamentais gradativas e por vezes irreversíveis.
2) Grandezas diretamente proporcionais
O Silvio Santos manauara é uma incógnita. Se em por um lado ele é duro e autoritário, noutro ele é engraçado, carismático e charmoso. Num dos Congressos em Manaus, me levantei da cadeira para tirar uma foto dele, que imediatamente parou a ministração e me chamou lá na frente. Atravessei o enorme salão com o rosto queimando, certa de que iria passar a maior vergonha de toda a minha vida, que o “ralo” seria na presença de milhares de pessoas e até televisionado. Quando me aproximei não sabia se o chamava de Pastor, Apóstolo, Doutor, Sua Santidade ou Alteza, mas para minha surpresa ele abriu um sorriso de orelha a orelha e fez pose, dizendo que a foto sairia bem melhor de perto. A reunião veio abaixo, claro, todos riam e aplaudiam aquele ser tão acessível e encantador.
Acontecimentos assim, somados à esperta e poderosa estratégia de marketing que Terra Nova usa para transmitir suas ideias, atraem para ele quatro tipos de pessoas:
• As carentes de uma figura forte (o povo simples que chora ao chamá-lo de pai).
• As que desejam aprender o modelo para utiliza-los em seus próprios ministérios falidos.
• Aquelas que desejam viver uma espécie de comensalismo espiritual, que vivem de abrir e fechar notebooks para ele pregar, ganhando transporte e restos alimentares em troca, as rêmoras da Visão.
• As sadomasoquistas espirituais. É tanta punição, tanto sacrifício, tanta submissão, que fica óbvio que muita gente se adapta a esse modelo porque gosta de sofrer. As interpretações enfermas do tipo “hoje eu levei um Peniel do meu discipulador, então me aguentem que lá vou eu ensinar o que aprendi.”, eram a tônica das ministrações.
Pode acreditar que essas quatro classes de pessoas representam a grande maioria.
3) A concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida
O conceito da Visão Celular mexe demais com o ego, é sedutor, encantador, promissor, põe a imaginação lá no topo, puro glamour. A ganância que existe dentro do ser humano é o tapete vermelho por onde a desgraça caminha. Essa tem sido uma das causas pela queda de tantos e tantos pastores, por causa das promessas de sucesso rápido e infalível.
Renê não sabe com quem está lidando, mas é com gente!
Ele talvez ignore (não que ele seja ignorante) que cada ser humano é um universo e que as informações vão reproduzir respostas completamente inesperadas em cada um.
EU ASSISTI, na terra do Terra Nova, o “tristemunho” de uma discipuladora que, para confrontar e educar uma discípula, havia chegado à loucura de bater nela, para que a mesma parasse de falar em morrer. Esse é o argumento dos incapazes, dos que não conseguem levar cada triste, cada suicida ou deprimido às garras da graça de Cristo, mas que querem se fazer os solucionadores das misérias do povo.
Eu tenho até hoje péssimas colheitas dessa péssima semeadura, assumo meus erros e me arrependo profundamente de cada um deles:
• Quase perdi Jesus de vista
• Minha família ficou relegada ao que sobrava de mim.
• Minha filha mais velha, hoje com 23 anos, demorou um bom tempo para me perdoar por eu ter repartido a maternidade com tantas sanguessugas que me usavam para satisfazer sua sede de poder.
• Minha mãe teve dificuldade para se abrir comigo durante muito tempo porque, segundo ela, só conseguia me ver como a Pastora dura e ditadora. Tenho lutado diariamente para que ela me veja somente como filha.
• Fui responsável por manter minha Igreja em regime escravo (mesmo que isso estivesse numa embalagem maravilhosa), por ajudar a alimentar a ganância de muitos, por não guardá-los dessa loucura.
• Colaborei com a neurotização da fé de muitos, por causa da perseguição desenfreada pela perfeição e por uma santidade inalcançável.
• Fiquei neurótica eu mesma, precisando lançar mão de ajuda psicológica devido a crises interiores inenarráveis, ao passo que desenvolvia uma doença psíquica de esgotamento chamada Síndrome de Burnout*, hoje sob controle.
• Vendi a ideia da aliança incondicional do discípulo com o discipulador, afastando sutilmente as pessoas da dependência de Deus.
• Invadi a vida de muitos a título de discipulado, cuidando até de quantas relações sexuais as discípulas tinham por semana, sem que isso causasse ofensa ou espanto.
• Opinei sobre o que o discípulo deveria comprar ou não, tendo “direito” de vetar o que não achasse conveniente. A menor sombra de discordância por parte do discípulo era imediatamente reprimida, sem qualquer respeito. Quando isso acontecia os demais tomavam como exemplo e evitavam contrariar o líder.
• Aceitei que fosse tirada do povo a única diretriz eficaz contra as ciladas do diabo: a Bíblia. Não que ela não fosse utilizada, mas isso era feito de forma direcionada, para fortalecer os conceitos da Visão. Paramos de estudar assuntos que traziam crescimento para nos tornarmos robôs de uma linha de montagem, manipuláveis, dogmatizados.
• Fomentei a disputa de poder entre os irmãos ignorando os sentimentos dos que iam ficando para trás.
• Perdi amigos amados e sofri demais com estas perdas. Alguns criaram um abismo de medo, que é o de quem nunca sabe se vai ganhar um carinho ou um tapa, um elogio ou um peniel, mas sei que esse estigma está indo embora cada vez mais rápido. Outros me abandonaram porque não aceitaram uma Pastora normal, falível e frágil. Eles queriam a outra, a deusa, aquela que alimentava neles a fome por ídolos particulares.
Dentro da Visão, nossa Igreja esteve entre as que mais cresceram e deram certo na região, mas desistimos porque, acima de todo homem e todo método, somos escravos de Cristo.
Talvez o mais difícil tenha sido a transição do meu eu, a briga daquilo que eu era com o que sou hoje até que se estabelecesse Cristo em mim, esperança da glória.
Prossigo, perdoada pelo meu Senhor, tomando minhas doses diárias de Graçamicina, recriando meu jeito de me relacionar e compreender mais as falhas alheias e as minhas próprias.
Prossigo, reaprendendo a orar e adorar em silêncio, livre dos condicionamentos, admitindo meus cansaços, me permitindo não ser infalível, sendo apenas gente.
Roselaine Perez, do site Genizah em 25/08/2013




sexta-feira, 23 de agosto de 2013

3 Igreja Primitiva X Igreja Atual – Uma diferença abissal

 
 

De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." (Atos 2:41-47)

Costumamos bater no peito com orgulho e dizer que fazemos parte da Igreja Primitiva fundada no dia de Pentecostes. Afirmamos que nossa denominação, seja ela qual for, é parte da Igreja do Senhor Jesus e possui raízes na primeira era apostólica.

Entretanto, de uma coisa tenho certeza: encontrar, nos dias de hoje, comunidades que se enquadrem no relato de Atos 2 é uma missão dificílima. É verdade que somos falhos, humanos e limitados, mas isso não justifica o nosso desleixo com as coisas de Deus. Afinal, os cristãos do primeiro século eram tão humanos quanto nós, e mesmo assim a Bíblia testifica sua fé, amor, altruísmo e caráter.

Observemos algumas discrepâncias gritantes entre a Igreja atual e a Igreja primitiva:


1. O Foco na Evangelização e a Mensagem Bíblica

O texto bíblico diz que quase três mil almas foram agregadas e batizadas naquele dia. Será que somos tão tolos a ponto de dizer que nos assemelhamos a eles nesse quesito?

  • A Falta de Frutos: Onde estão as almas salvas e prontas para o batismo? Evangelizar tornou-se uma utopia para a Igreja hodierna. Criamos tantas desculpas para não fazer missões que parece não percebermos que estamos mentindo para nós mesmos.
  • O Estereótipo Cultural: As pregações atuais tornaram-se reflexos de nossa geração e cultura. Faz muito tempo que não ouvimos mensagens puramente bíblicas, sem os aditivos da "teologia da prosperidade", da "fé na fé" ou de ordens a Deus, como se Ele fosse nosso mordomo particular.

2. Os Pilares da Perseverança

Aqui o caminho fica estreito, pois há um verdadeiro abismo entre o versículo e a nossa realidade:

  • Doutrina e Ensino: Muitos cristãos atuais não suportam o ensino profundo. Preferem o entretenimento e mensagens que não exijam compromisso. Como assembleiano há quase vinte anos, vejo pessoas que fogem de cultos de ensino "como o diabo foge da cruz". Isso ocorre porque muitos não querem obedecer a Deus; querem que Deus os obedeça e lhes traga benefícios.
  • Comunhão (Koinonia): Significa compartilhar ideias, fé e unidade de pensamento. Atualmente, o que vemos é o "cada um por si". As disputas por cargos e posições transformaram o Corpo de Cristo em uma espécie de agência de empregos para quem busca status.
  • O Partir do Pão: Isso ia além da Ceia mensal. Significava que não havia necessitados entre eles, pois tinham "tudo em comum". Hoje, o egoísmo impera. É fácil falar de amor no púlpito; difícil é oferecer uma carona ou estender a mão de forma prática.
  • As Orações: É inadmissível que alguém vá a uma reunião de oração para bater papo de joelhos. O lugar de conversa é na praça ou no shopping. Sem falar daqueles que só chegam ao templo quando o período de oração já se encerrou.

3. Temor e o Sobrenatural de Deus

Não escrevo como alguém perfeito — pelo contrário, considero-me o mais necessitado da misericórdia divina. Mas a verdade precisa ser dita, mesmo que ela confronte a mim primeiro.

  • A Falta de Temor: O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Não é medo, mas respeito à Sua santidade. A falta desse temor faz com que muitos ouçam a Palavra e a ignorem. Viver deliberadamente no pecado achando que está tudo bem é o sinal de que o temor se perdeu, o que pode levar a consequências eternas desastrosas.
  • Sinais e Maravilhas: Embora a viga mestra não deva ser apenas o "sobrenatural", os sinais são inseparáveis de uma igreja apostólica. A Igreja deve ser uma agência do Reino, onde a salvação, o batismo no Espírito Santo e as curas façam parte da rotina. Se essas coisas não acontecem, algo está errado.

Conclusão

Ao invés de nos orgulharmos de títulos ou tradições, deveríamos fazer a oração recomendada pelo profeta Joel:

"Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus... Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor..." (Joel 2:13-17)

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos leve de volta à essência.

João Augusto de Oliveira



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

0 3º Trim. 2013 - Lição 8 - A suprema aspiração do crente I

 
 
 
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2013
FILIPENSES: a humildade de Cristo como exemplo para a Igreja
COMENTARISTA: ELIENAI CABRAL
COMENTÁRIOS - EV. CARAMURU AFONSO FRANCISCO
ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM - SEDE - SÃO PAULO/SP
LIÇÃO Nº 8 –  A SUPREMA ASPIRAÇÃO DO CRENTE
                                               O cristão almeja morar no céu.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudos a respeito da carta de Paulo aos filipenses, estudaremos hoje a continuidade do capítulo terceiro, onde o apóstolo revela que sua aspiração é morar no céu.
- Nos dias em que vivemos, muitos dos que cristãos se dizem ser não têm mais esta aspiração do apóstolo Paulo, preferindo as coisas desta vida.
I – O ALVO DO APÓSTOLO PAULO: A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS
- Prosseguindo o estudo da carta de Paulo aos filipenses, mais precisamente o estudo de seu capítulo terceiro, depois de ter dado aos crentes de Filipos uma série de conselhos extremamente atuais concernentes ao critério de vida que deve nortear todo aquele que se diz servo de Cristo Jesus, o apóstolo passa a “abrir seu coração” aos filipenses, revelando qual era o seu objetivo de vida, a sua razão de viver.
- Depois de ter dito que a justiça que vem pela fé é a que deve ser buscada por todos os servos de Cristo Jesus, pois é a justiça que vem de Deus, mostrando-nos, com isso, uma vez mais o ensino que já deixara claro na epístola aos romanos, de que a justificação do crente vem pela fé, que é um dom de Deus (Ef.2:8), Paulo mostra aos filipenses que esta justiça leva-nos a sofrer injustiças neste mundo, visto que devemos participar das aflições de Cristo, para que sejamos capazes de participar da Sua glória (Rm.8:17).
- A justificação que vem pela fé é absolutamente necessária para termos o início de uma vida cristã, mas Paulo deixa claro que é insuficiente para que venhamos a ter uma vida cristã autêntica e genuína.
Quando cremos em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador, ingressamos no corpo de Cristo, isto é, na Sua Igreja, daí porque o apóstolo ter dito que a justiça que vem pela fé nos faz “achados n’Ele” (Fp.3:9).
- No entanto, uma vez “achado n’Ele”, faz-se mister “conhecê-l’O e à virtude da  Sua ressurreição”, ou seja, é necessário que o cristão, uma vez achado em Jesus, pertencente à Sua Igreja, desenvolva uma intimidade com o Senhor Jesus, pois é isto que significa “conhecimento” no sentido hebraico do termo, ou seja, que se aproxime cada vez mais do Senhor, buscando uma vida de santificação, para que possa saber sempre qual é a vontade divina para a sua vida.
 


domingo, 18 de agosto de 2013

0 Os pilares da Reforma Protestante.



A reforma proposta por Lutero tem quatro pilares, ou seja, quatro princípios teológicos fundamentais. Estes têm como ponto de partida a crítica a uma igreja corrompida e afastada dos princípios bíblicos, dos ensinamentos de Cristo e que, por isso mesmo, precisava ser melhorada ou reformada. Estes quatro pilares ensinados por Lutero ainda hoje são atuais. Por isso merecem ser preservados na memória. Sobre estes pilares fundamentamos a nossa fé e com base neles agimos no mundo em que vivemos. Quais são estes quatro princípios?

* SOMENTE CRISTO (Solus Christus)

Lutero resgata o ensino bíblico da centralidade de Cristo, como único fundamento da nossa fé e da nossa salvação. Somente Cristo salva, somente Cristo perdoa, somente Cristo nos conduz à comunhão com Deus. O ser humano não tem forças, nem recursos para salvar a si mesmo, por meio de suas obras ou méritos pessoais. Por si só o ser humano é escravo da corrupção e da perdição. Jesus Cristo, por causa da sua obra realizada na cruz é o único que pode resgatar o ser humano do mal e do pecado no qual se encontra. Lutero coloca no centro da fé somente o Cristo e a cruz e tira do ser humano todo poder ou pretensão de fazer a salvação passar por imagens, santos, promessas ou obras meritórias.

Quanto a isso o reformador nada inventou. Apenas chamou atenção para aquilo que sempre esteve registrado nas Sagradas Escrituras. Quero lembrar apenas uma passagem que aponta para esta centralidade de Cristo como fundamento da nossa fé. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (Atos 4.12).

* SOMENTE A FÉ (Sola fide)

Se a salvação é realizada somente por Cristo, então também é verdade que podemos alcançá-la somente pela fé e não pelas nossas obras. Não precisamos conquistar o favor de Deus. Deus já manifestou o quanto nos ama, ao enviar seu Filho ao mundo. Ele nos perdoou, nos salvou e nos reconciliou consigo mesmo, não cobrando dos homens as suas injustiças e seus pecados. Tudo isso pode ser aceito como um presente divino, por meio da fé. Libertos da escravidão do pecado, podemos servir a Deus e ao próximo. É disso que Lutero fala quando afirma que pela fé “somos livres de tudo e servos de todos.” Neste sentido o texto de Romanos 1.17 foi fundamental: “O justo viverá por fé”. Ou seja, Deus nos justifica, nos torna justos, não pelas nossas ações, mas pela ação de Cristo em nosso favor. 

Deixemos o próprio Lutero falar: “No sola fide (somente pela fé) está implícito que a salvação depende totalmente da atividade de Deus e que não é condicionada, de modo algum, pela ação do ser humano.” (Conversas com Lutero, p.226).

* SOMENTE A ESCRITURA (Sola Scriptura)

Na época de Lutero se ensinava que a tradição da igreja e a autoridade do papa era tão ou mais importante que a Bíblia. Por isso Lutero dá ênfase às Sagradas Escrituras, ensinando que somente elas podem levar ao caminho da salvação, por meio de Jesus Cristo. Nenhuma lei, tradição, convenção humana, nem mesmo a Igreja está acima da Sagrada Escritura. A Escritura é central para a comunidade cristã; é dela que a comunidade deve se alimentar e é nela que deve basear as suas ações.

Coerente com o seu ensino Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, a fim de que todo o povo pudesse ter acesso e ler as Sagradas Escrituras. A recente invenção da imprensa de tipos móveis ajudou muito a popularizar a Bíblia, permitindo que as pessoas fossem mais bem orientadas e instruídas na fé.

Antes de Lutero as Bíblias em Latim custavam 360 florins, a moeda da época. As mais elaboradas custavam muito mais. Mas o Novo Testamento que ele traduziu, era vendido a um florim e meio. Apesar das divergências entre os reformadores, Calvino, Zwinglio e Lutero concordavam quanto à centralidade da Palavra de Deus e quanto à certeza de que a Escritura é a fonte de revelação da vontade de Deus.

* SOMENTE A GRAÇA (Sola Gratia)

Vivemos num mundo em que tudo é pago, comprado e conquistado. Nada é de graça. Esta mentalidade, no tempo de Lutero, tinha sido transferida até mesmo para as coisas de Deus. A salvação deveria ser conquistada ou comprada mediante o pagamento de indulgências, cartas de perdão, oferecidas pela Igreja da época. Lutero se voltou contra esta prática. E fez isso fundamentado no que já expomos sobre a centralidade de Cristo, da fé e da Sagrada Escritura.

A Escritura é o instrumento que Deus usa para nos conduzir à graça de Deus, ou seja, à compreensão de que a salvação não é mérito humano, mas presente divino, dado por meio de Cristo e recebido pela fé. Isso foi realmente revolucionário no tempo do reformador. Não há mais salvação por iniciativa humana, nem por méritos próprios alcançados pela observância de leis e regras estabelecidas pela igreja. A salvação é iniciativa gratuita de Deus, realizada por meio de Cristo.

Sobre isso Lutero dizia: “Entendo que o pecador é justificado somente pelo amor, pela misericórdia e pela graça de Deus, e nada mais. A graça de Deus me livra da culpa, do poder e da presença do pecado.” (Conversas com Lutero, p.224).

De certa forma tudo isso que Lutero ensinou e pregou está resumido numa só passagem da Bíblia. Em Efésios 2.8,9 podemos ler: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” A intenção de Lutero era chamar de volta para uma fé autêntica, verdadeira, centralizada em Cristo, fundamentada na Escritura, confiante na graça de Deus. A Igreja Luterana acredita e defende esta proposta, porque entende que o reformador estava certo em sua intenção. Com certeza estes quatro “somentes” são muito atuais e precisam ser regatados no tempo em que vivemos. Que Deus nos ajude.

 

Pastor Germanio Bender (Portal Luteranos)

sábado, 17 de agosto de 2013

0 O culto à personalidade



Dr. Paulo Romeiro
tecnológico das últimas décadas abriu largas avenidas para a pregação do Evangelho por meio da mídia, principalmente pelo rádio e pela televisão, dando assim acentuada visibilidade a um fenômeno muito antigo e nada recomendável: o culto à personalidade.
Isso acontece porque o ser humano é um adorador por natureza e cultuar é uma de suas atividades essenciais. Entretanto, no seu afã de adorar ele tomou, ao longo da história, caminhos espiritual e socialmente tortuosos. Desde jangais da África, desertos da Arábia, até ao frenesi das grandes metrópoles, adoradores podem ser encontrados aos bilhões, ora prostrando-se diante de uma vaca sagrada, de algum amuleto, ou altar, ora diante de algum líder religioso ou guru. O interessante é que, quando o ser humano não adora em espírito e em verdade (Jo 4.23, 24), ele corre o risco de procurar ser adorado.
Não faz muito tempo, a revista Isto É publicou um artigo sobre o comportamento dos famosos da música e do cinema com seus fãs. Isso aconteceu durante a visita dos Rolling Stones ao Brasil:
Sol inclemente ou chuva constante. Horas e horas parados diante de um edifício. Para um fã não existe limite. Vale tudo para estar perto do seu ídolo. Esta é a única razão para justificar por que a publicitária Rita de Cássia Gemignani, 26 anos, e a secretária Michele Lopes, 25, abandonaram seus empregos e se entregaram à empreitada de chegar o mais próximo possível dos Rolling Stones. Acompanharam os três shows da banda em São Paulo, os dois no Rio de Janeiro e, não satisfeitas, bandearam-se para Buenos Aires, escala seguinte da megaturnê ( ….) A rotina de fãs apaixonadas como Rita de Cássia e Michele, que também adoram os Beatles, é toda organizada em função da vida dos mitos idolatrados. Eles mergulham num mundo paralelo e, por causa disso, à vezes perdem a identidade. Este culto às celebridades costuma chegar à beira da irracionalidade nos Estados Unidos (…) Esta devoção não raramente se transforma em casos patológicos, capazes de ofuscar até mesmo o senso de ridículo (…) A passagem dos Stones pelo Brasil confirmou a modernidade na adoração dos mitos. (Revista Isto É -15 de fevereiro de 1995, p. 42-3.)
Nem os mortos escapam a esse culto, como, por exemplo, Elvis Presley e Raul Seixas.
O fator carisma
Certamente que essa atração, domínio e, muitas vezes, manipulação do ídolo exercidos sobre o fã têm muito a ver com um fator denominado carisma. O dicionário Aurélio define carisma da seguinte maneira: “uma força divina conferida a uma pessoa ou a atribuição a outrem de qualidades especiais de liderança, derivadas de sanção divina, mágica, diabólica, ou apenas de individualidade excepcional” (p. 354).
Geralmente, a pessoa dotada de um forte carisma é conhecida por seu magnetismo irresistível, sua aparência de vencedor e pelo entusiasmo com que defende uma causa, ou apresenta um produto. Tal entusiasmo pode ser visto freqüentemente nos executivos ou no pessoal de liderança da Amway, uma rede internacional de distribuição de produtos que tem atraído muitos evangélicos atualmente, e ainda nos cursos de Lair Ribeiro.
Max Weber, sociólogo alemão, fez uma excelente análise, no livro Ensaios de Sociologia, sobre o papel do carisma no relacionamento do ídolo com seu fã:
A expressão “carisma” deve ser compreendida como referindo-se a uma qualidade extraordinária de uma pessoa, quer seja tal qualidade real, pretensa ou presumida. “Autoridade carismática”, portanto, refere-se a um domínio sobre os homens, seja predominantemente externo ou interno, a que os governados se submetem devido à sua crença na qualidade extraordinária da pessoa específica. O feiticeiro mágico, o profeta… o chefe guerreiro… o chefe pessoal de um partido são desses tipos de governantes para os seus discípulos, seguidores, soldados, partidários, etc. A legitimidade de seu domínio se baseia na crença e na devoção ao extraordinário, desejado porque ultrapassa as qualidades humanas normais e originalmente considerado como sobrenatural. Alegitimidade do domínio carismático baseia-se, assim, na crença nos poderes mágicos, revelações e culto do herói. (Max Weber, Ensaios de Sociologia, Rio de Janeiro, Editora  Guanabara, 1982, 5. ed., p. 340.)
O culto político
O culto à personalidade tem-se repetido também ao longo da história no relacionamento entre os senhores feudais e seus vassalos, entre políticos e povo, e entre ditadores e seus seguidores. Michael Green faz uma relevante observação quanto a esse fenômeno:
Os fiéis, na verdade, endeusam o líder: ele é supremo e a sua vontade tem que ser obedecida. De fato, sua posição corresponde quase que exatamente àquela do imperador romano que exercia completo poder político sobre o mundo conhecido e era adorado por seus subjugados. Da mesma forma Hitler declarou ser o emissário do Todo-Poderoso e o fundador do reino de mil anos. Os nazistas morriam invocando o seu nome, e sua personalidade era considerada transcendente. O mesmo aconteceu com Mao. Ele não era apenas um líder; ele era divindade. Ele foi adorado. As pessoas se ajoelhavam diante dele. Elas recitavam seus pensamentos. Elas acreditavam que ele as curava através das mãos de um cirurgião. Ele tomou o lugar de Deus.(Michael Green, I Believe in Satan’s Down fall – Creio na queda de Satanás, Grand Rapids, Michigan, E.U.A., William B. Eerdmans Publishing Company, 1981, p. 158.)
É impressionante como o homo sapiens do final do século vinte, que vive rodeado de uma tecnologia avançada, de um saber multiplicado, ainda se comporta de forma tão ingênua, permitindo que outros o explorem espiritualmente. A seguir, alguns relatos bíblicos do culto à personalidade.
Exemplos bíblicos
A moda não é de hoje. No Sermão da Montanha, Jesus alertou várias vezes sobre aqueles que davam esmolas, oravam e jejuavam tocando trombeta a fim de serem vistos pelos homens. Ele chamou tais pessoas de hipócritas (Mt 6:1-18). Assim eram os escribas e fariseus, que buscavam sempre o louvor do próximo. Eram eles que praticavam todas as suas boas obras e se vestiam alargando seus filactérios e alongando a franja de suas roupas com o fim de serem vistos pelos homens. Amavam também o primeiro lugar nos banquetes, as primeiras cadeiras nas sinagogas, gostavam de ser saudados e chamados de mestres pelos seus semelhantes (Mt 23.5-7).
Jesus não poupou adjetivos ao repreendê-los por tal atitude, chamando-os de hipócritas, guias cegos, insensatos, serpentes, raça de víboras e sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia (Mt 23.13, 16, 27, 33). O Senhor alertou ainda que, ao fazer o bem, a mão esquerda não venha a saber o que fez a direita (Mt 6.3), bastando apenas ao Pai ficar sabendo, pois é ele quem vai dar a recompensa (Mt 6.4).
Sem dúvida, todo cristão deve se envolver em obras sociais a fim de promover o bem-estar do seu próximo. Por outro lado, foge completamente aos ensinos da Bíblia quando um grupo desenvolve uma obra social, como distribuição de cestas básicas ou qualquer outro tipo de socorro humanitário, e fica o tempo todo mostrando isso no seu próprio canal de televisão. É o comportamento dos escribas e fariseus, condenado por Jesus, repetindo-se atualmente. Por isso, admiro o Exército da Salvação, que tem, já por décadas, desenvolvido o seu ministério de socorrer os necessitados sem chamar a mídia para alardear o que faz.
Um outro exemplo de culto à personalidade pode ser observado nos eventos que precederam a morte de Herodes. A Bíblia diz que ele foi aclamado pelo povo e comido de vermes (At 12.21-24). O historiador Flávio Josefo relata que Herodes programou um festival na cidade de Cesaréia em homenagem a César. No segundo dia do festival, Herodes apareceu de manhã no teatro vestido de prata, refletindo um brilho intenso devido aos raios do Sol. O povo começou então a clamar-lhe:
- Seja misericordioso para conosco; pois embora até hoje tenhamos te reverenciado apenas como homem, te consideraremos de agora em diante como superior à natureza mortal.
Diante disso, o rei não os repreendeu nem rejeitou tal ímpia adulação. No mesmo instante, ele sentiu uma dor muito forte no abdome e foi levado para o palácio, onde morreu cinco dias depois. (Flávio Josefo, Josephus, Antiguidade dos Judeus, Grand Rapids, Michigan, E.U.A., Kregel Publications, 1960, Livro 19, capítulo 8.2, p. 412.)
Outro exemplo claro é o de Paulo e Barnabé em Listra. Ali, um homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, foi curado depois de ouvir a pregação de Paulo. Quando a multidão viu o que aconteceu, começou a gritar:
- Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós.
A Barnabé chamaram Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, deuses mitológicos. O sacerdote de Júpiter, que tinha um templo em frente da cidade, trouxe para junto das portas da cidade touros e grinaldas para, junto com a multidão, fazer um sacrifício em homenagem aos dois apóstolos (At 14.6-13). Paulo e Barnabé recusaram de imediato e com veemência a oferta ou qualquer reconhecimento quanto ao milagre que acabara de acontecer, pois eram verdadeiros homens de Deus, desprovidos de qualquer ambição. Mas fico pensando em muitos hoje que não hesitariam em receber as homenagens, e certamente iriam até mais longe. Aproveitariam o evento para manipular e explorar ainda mais a massa.
Há muitos outros relatos bíblicos que mostram o relacionamento doentio entre uma personalidade e aqueles que lhe prestam adoração, e o espaço não nos permite expandir mais este assunto. Entretanto, vale lembrar aqui as palavras de Moisés usadas mais tarde por Jesus quando foi tentado por Satanás: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Dt 6.13 e Mt 4.10).
Nas seitas
O culto à personalidade pode ser amplamente observado no relacionamento entre líderes de seitas e seus adeptos. A igreja mórmon, por exemplo, rende louvores ao seu fundador, Joseph Smith, com o hino 108 do seu hinário oficial, intitulado: Hoje, ao profeta louvemos.
Os adeptos da seita Moon carregam consigo uma foto do líder, reverendo Moon, para garantir a proteção dos anjos e do bom mundo espiritual (revista Mundo Unificado, maio/ junho de 1984, p. 8). As orações no grupo são feitas em nome dos verdadeiros pais, isto é, reverendo Moon e sua esposa. Já a Palavra de Deus ensina que as orações devem ser feitas em nome de Jesus (Jo 14.13, 14). Moon é considerado dentro da seita como o Senhor do Segundo Advento, o Messias vivo na Terra. Quanta heresia!
Os adeptos do Tabernáculo da Fé seguem os ensinos de William Marrion Branham, um controvertido pregador de cura divina nos Estados Unidos, já falecido. Branham declarou ser o anjo de Apocalipse 3:14 e 10:7 e que o arrebatamento da Igreja e a destruição do mundo aconteceriam em 1977. Seus seguidores gostam de exibir uma foto de Branham tirada em Houston, Texas, em 1950, em que aparece uma auréola (que mais parece uma mancha) de luz sobre a sua cabeça, enquanto falava do púlpito. Depois de falecer, em 1965, seus seguidores acreditavam que ele ressuscitaria. Alguns de seus discípulos criam ser ele o próprio Deus, enquanto outros afirmavam que ele havia nascido através de uma virgem (nascimento virginal). Alguns oravam a ele e outros batizavam em seu nome.
Branham recebeu muito apoio da Full Gospel Business Men’s Fellowship International (Associação Internacional dos Homens de Negócios do Evangelho Pleno-Adhonep norte-americana), mas tal apoio foi se reduzindo à medida que Branham se tornava cada vez mais controvertido, nos anos 60. Uma das controvérsias foi o seu ensino conhecido como “a semente da serpente”, onde afirmou que Eva se envolveu sexualmente com a serpente no Jardim do Éden. (Patrick H.Alexander, Editor, Dictionary of Pentecostal And Charismatic Movement – Dicionário dos Movimentos Pentecostal e Carismático, Grand Rapids, Michigan, E.U.A., Zondervan Publishing House, 1988, p. 95-6.) (Tal ensino antibíblico é defendido também pela seita do reverendo Moon.). Diante de tudo isso, é de se estranhar que alguns líderes pentecostais e carismáticos, como Kenneth Hagin, Oral Roberts, Benny Hinn e Marilyn Hickey, ainda hoje considerem ter sido William Branham um grande homem de Deus só por causa dos milagres em torno de seu ministério.
O culto à personalidade pode ser notado também na igreja Adventista do Sétimo Dia, onde os ensinos giram em torno das interpretações bíblicas de sua profetisa, Ellen Gould White. Uma das provas disso é que todo o candidato ao batismo deve preencher e assinar um formulário em que declara crer no espírito de profecia e já ter lido alguns livros da senhora White. Para os adventistas, ela possui o espírito de profecia, sendo assim a única capaz de interpretar as Escrituras de forma correta e confiável. Se alguém recusar a autoridade de Ellen White não poderá ser um adventista do Sétimo Dia. Tanto na igreja do Tabernáculo da Fé quanto na igreja Adventista do Sétimo Dia, os livros de William Branham e de Ellen White são colocados numa posição de igualdade com a Bíblia Sagrada.
Um dos exemplos mais chocantes dos perigos que cercam o culto à personalidade pôde ser verificado no grupo chamado Ramo Davidiano, de David Koresh, em Waco, Texas, Estados Unidos. Em abril de 1993, o FBI cercou por vários dias o rancho onde Koresh e seu grupo estavam reunidos, enquan
to a sociedade acompanhava apreensiva os fatos pela mídia e aguardava com ansiedade um final feliz. Infelizmente, tal não aconteceu. Depois de perceberem que a polícia estava prestes a fazer uma invasão, Koresh e seu grupo preferiram transformar em chamas o rancho da seita e morrer do que entregar-se ao FBI. No dia 19 de abril de 1993, entre 75 e 85 pessoas morreram, incluindo aproximadamente 25 crianças. Nove pessoas sobreviveram.
Por que isso aconteceu? O que ou quais cincunstâncias levaram um grupo de homens e mulheres a obedecer cegamente um líder, mesmo até a morte? Naturalmente são muitos fatores, que, por falta de espaço, não serão tratados aqui. Entretanto, seria interessante conferir o relato de dois autores sobre o caráter megalomaníaco de Koresh, algo relacionado com o assunto do nosso capítulo:
No seu cartão pessoal estava impresso “Messias” e ele é citado como tendo declarado em inúmeras ocasiões: “Se a Bíblia é verdade, então eu sou o Cristo”. Alguns acreditaram nele. Ele foi capaz de convencer os maridos a entregar-lhe suas esposas, famílias a entregar-lhe dinheiro e filhos. Seu estilo de vida paradisíaco permitiu-lhe viver da renda dos outros. Em 19 de abril de 1993, havia quase cem pessoas dispostas a morrer com ele pela promessa de uma vida no céu após a mortes. (Tobias, L. Madeleine & Lalich, Janja, Captive Hearts, Captive Minds – Corações Cativos, mentes Cativas, Alameda, CA, E.U.A., Hunter House, 1994, p. 81.)
As lições duras e amargas, não apenas de David Koresh e Jim Jones (que no fim de 1978 levou mais de 900 pessoas ao suicídio coletivo, na Guiana), estão aí para quem delas quiser tirar proveito. E quem dera que tragédias como essas nunca mais se repetissem!
Na Igreja
O culto à personalidade pode ser encontrado também onde menos se deveria: na Igreja cristã. É óbvio que não estou insinuando que tal fenômeno acontece na Igreja com a mesma intensidade e impiedade que nas seitas, como nos exemplos citados acima. Por outro lado, mesmo com uma intensidade menor, e provavelmente sem o perigo de levar ao extermínio de pessoas, ele não deveria ocorrer de modo algum. Estou ciente também de que todos os citados aqui negarão veementemente tal procedimento e afirmarão que não existe em seu grupos qualquer exaltação do ser humano, que seu alvo é glorificar apenas a Deus. Lamentavelmente, as práticas de muitos grupos demonstram o contrário. Muitos estão pegando carona no louvor e adoração a Deus.
Esse é o caso de Jorge Tadeu, fundador e líder das igrejas Maná em Portugal e que já esteve várias vezes no Brasil. Ele se autodenomina Apóstolo e escreve cartas semanais aos seus pastores com o título de “St.” (São) Jorge Tadeu. Um dos pastores dissidentes garante: “Hoje, a palavra de Jorge Tadeu na igreja Maná é equiparada à Palavra de Deus”. (Revista Visão, Lisboa, Portugal, 10 de fevereiro de 1994, p. 56.)
O culto à personalidade aparece também na igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo. Tenho verificado pessoalmente que quase todos os pastores da Universal, tanto os que pregam nas igrejas quanto os que aparecem na televisão, são fiéis imitadores de Macedo. Os mesmos gestos, as mesmas entonações de voz, e muitas vezes, as mesmas expressões, tais como: “Sim ou não, pessoal?”, “É ou não é, pessoal?” e “Amém, pessoal?”.
Muitas vezes, o fato de ser imitado não é culpa do líder. Muitos de nós gostamos de ter os nossos heróis, de ter um modelo a seguir, e até um certo ponto isso é bom. O apóstolo Paulo até aconselhou: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). O escritor aos Hebreus também admoestou: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram” (Hb 13.7). Assim, somos encorajados a imitar, principalmente, a fé desses irmãos, e não sua entonação de voz ou gestos.
Tenho observado que muitos irmãos tornam-se fãs tão ardorosos dos líderes evangélicos mais conhecidos que começam a idolatrá-los, passando a imitar-lhes a voz, as expressões peculiares, os mesmos chavões e os gestos. Muitas vezes, isso pode revelar o resultado de um crescimento espiritual nada saudável de alguns crentes. Mesmo o rev. Caio Fábio ou o Dr. Russell Shedd, que estão longe de promover tal comportamento ou buscar tal tipo de reação dos seus ouvintes, têm sido cultuados por vários dos que os acompanham ao longo dos anos. Creio que esses homens de Deus ficariam constrangidos se chegassem a constatar tais fatos.
É incrível também a pressa com que alguns líderes evangélicos, ministérios e igrejas tratam de explorar a fama de algum astro do futebol ou do mundo artístico. Basta alguém acenar com uma conversão e o novo convertido (se é que houve uma conversão genuína) já estará diante de um grande auditório num ginásio, num estádio ou numa igreja. A pessoa ainda nem conhece o básico da fé cristã, ainda não abandonou por completo a velha vida (em muitas igrejas isso já nem é mais preciso), nem teve qualquer crescimento espiritual e já é promovido à posição de pregador e ungido do Senhor. Infelizmente o que tem acontecido é que, logo depois dos testemunhos e de todo o barulho provocado por tal celebridade, surgem fracassos e fatos embaraçosos, trazendo vergonha e desonra para o Evangelho. É preciso mais cuidado.
Exemplos saudáveis
Quando Naamã, comandante do exército do rei da Síria, foi a Israel em busca de Eliseu para ser curado de sua lepra, esperava ser bajulado pelo profeta de Deus. Para garantir uma recepção honrosa pelo homem de Deus, Naamã levou consigo dinheiro e presentes. O plano falhou. Eliseu nem saiu de casa para cumprimentá-lo. Enviou-lhe um mensageiro dizendo: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo” (2 Rs 5.10). Contrariado, Naamã foi, lavou-se no Jordão e foi curado de sua lepra. Em gratidão, voltou à casa do profeta e, com insistência, ofereceu-lhe presentes. Eliseu recusou, mostrando assim que um verdadeiro homem de Deus não busca a glória humana e não faz comércio com o poder e a Palavra do Senhor (2 Rs 5). Ao contrário de Eliseu, lamentavelmente, muitos líderes evangélicos hoje não hesitam em bajular políticos na busca de favores e de explorar, para benefício próprio, qualquer oportunidade que se lhes apresenta.
João Batista é um outro exemplo a ser seguido. Ele poderia ter bajulado a realeza, mas não o fez. Depois de anunciar a vinda do Messias, denunciou o pecado de Herodes e Herodias, e foi por isso preso e decapitado (Mc 6.17-29). Em lugar de buscar seu bem-estar e autopromoção, ele declarou a respeito de Jesus: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Que Deus nos dê a mesma atitude de coração de João Batista e o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus (Fp 2.5).
Quando Pedro dirigiu-se à casa de Cornélio para anunciar-lhe a Palavra de Deus, foi recebido com muita pompa. A Bíblia diz que Cornélio recebeu o apóstolo e, prostrando-se aos seus pés, o adorou. Mas Pedro recusou a adoração e, levantando Cornélio, disse-lhe: “Ergue-te, que eu também sou homem” (At 10.26). Até mesmo um anjo recusou ser adorado por João na sua visão de Patmos (Ap 19.10 e 22:8). Na segunda vez, o anjo disse-lhe: “Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus” (Ap 22.9).
Seria ridículo o jumento que carregou Jesus na sua entrada triunfal em Jerusalém pensar (isto é, se ele pudesse pensar) que as pessoas que estendiam suas vestes e ramos no caminho, por onde ele passava, o faziam por causa dele, e não por causa de Jesus. Seria ridículo ele pensar que toda aquela aclamação fosse por causa dele, e não por causa do Senhor. Da mesma forma, seria totalmente impróprio achar que, por causa do nosso carisma e habilidade, as coisas acontecem no Reino de Deus. Por esta razão, a Palavra de Deus nos exorta: “…porque Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1 Pe 5.5, 6). O profeta Miquéias acrescenta ainda: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6.8).
Meu professor de Evangelismo e Missões no seminário, Dr. Christy Wilson, contou certa vez que Sadu Sundar Singh, o místico da índia, o apóstolo dos pés sangrentos, chegou um dia a uma vila e alguém lhe perguntou:
- Você é Jesus?
Sadu respondeu:
- Não, é claro que não. Eu sou apenas o jumento de Jesus.
Eu levo Jesus a todo o lugar que vou.  Que Deus nos ajude a fazer o mesmo!
Não escrevi este capítulo como alguém isento de tais problemas ou livre de todas as tentações nessa área. Por esta razão, preciso ser continuamente lembrado pelo Espírito Santo que, por mais que o vaso seja usado, ele continua sendo de barro. Bem escreveu o apóstolo Paulo ao comentar sobre o ministério cristão: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4.7). A Deus toda a glória!
Extraído do livro “Evangélicos em Crise” do Pr. Paulo Romeiro


 

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