Pois a graça de Deus se
manifestou salvadora a todos os homens.
Ela nos instrui a renunciar à impiedade, aos desejos mundanos e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente,
enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação do
nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.
Ele se entregou por nós a
fim de nos remir de toda iniquidade e purificar para si mesmo um povo
particularmente seu, dedicado à prática do que é bom (Tito 2:11-14 | NVI)
Vivemos em uma época onde
o termo "graça" foi distorcido. O teólogo Dietrich Bonhoeffer cunhou
a expressão "graça barata" para descrever uma fé conveniente:
o perdão que não exige arrependimento, o batismo sem disciplina e o
cristianismo sem cruz. Infelizmente, essa tem sido a realidade de grande parte
da igreja hodierna.
Transformamos o favor
imerecido de Deus em uma autorização para continuarmos vivendo na lama da
carnalidade. Mas a Bíblia destrói completamente essa mentalidade permissiva. No
livro de Tito 2:11-14, o apóstolo Paulo nos apresenta a verdadeira
anatomia da graça — e ela não tem nada de barata.
Se queremos ver um
despertamento real em nossos dias, precisamos compreender as três dimensões da
graça reveladas nesse texto.
1. A Graça Educa: Ela
diz "Não" ao mundo e "Sim" à Santidade
O verso 12 nos diz que a
graça nos instrui. No original grego, a palavra usada refere-se à
educação dada por um pai, que inclui correção e disciplina.
- O "Não" da Graça: Ela nos ensina a renunciar à impiedade e
aos desejos mundanos. Quem usa a graça para justificar a prática
deliberada do pecado não entendeu o Evangelho; apenas abusou dele.
- O "Sim" da Graça: Ela nos capacita a viver de maneira sensata
(no autocontrole), justa (no relacionamento com o próximo) e piedosa
(na devoção a Deus). A graça não é uma licença para pecar, mas o poder
sobrenatural para viver em santidade nesta era presente.
2. A Graça é
Escatológica: Ela vive na expectativa do Retorno
A igreja que se embriaga
com a graça barata perde o foco eterno. Ela passa a buscar apenas a
prosperidade terrena, o entretenimento e o bem-estar imediato. O verso 13 nos
puxa de volta à realidade: a verdadeira graça nos faz aguardar a bendita
esperança.
Uma igreja
verdadeiramente despertada vive com os olhos voltados para os céus, aguardando
a gloriosa manifestação de Jesus Cristo. A certeza da volta do Noivo constrange
a Noiva (a Igreja) a limpar suas vestes e a abandonar a apatia espiritual.
3. A Graça Exige
Exclusividade: O Propósito da Cruz
O verso 14 nos lembra do
preço astronômico dessa graça: Cristo se entregou por nós. O sacrifício
de Jesus na cruz não foi feito para que continuássemos escravos das nossas
velhas práticas. O texto aponta três propósitos claros para a nossa redenção:
- Remir: Comprar-nos para fora do mercado da escravidão do pecado.
- Purificar: Separar um povo que seja propriedade exclusiva Dele.
- Ativar: Gerar uma igreja zelosa e dedicada à prática das boas obras.
O Despertamento
Necessário
A graça barata tenta
justificar o pecado sem transformar o pecador. A graça bíblica transforma o
pecador para que a sua vida glorifique ao Pai.
Não podemos pregar um
Evangelho mutilado. O mesmo sangue que justifica é o sangue que santifica. É
tempo de a igreja hodierna acordar do sono da negligência, rejeitar a
futilidade espiritual e voltar a clamar pela graça que custou a vida do Filho
de Deus na cruz.
Em Cristo,
João Augusto de
Oliveira



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