Estou postando mais um artigo do CACP
acerca da doutrina da Trindade, uma das doutrinas mais mal compreendidas das
Escrituras Sagradas e por isso mais atacada por uns e desprezada por outros.
Leia o aritigo, reflita e na dúvida acesse o site do cacp e sane suas dúvidas.
João
Augusto de Oliveira
Ensina a Bíblia realmente
que Deus é uma Trindade?
O batismo cristão ordenado por Cristo na Grande Comissão (Mt 28.19) deve ser
efetuado “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Observe que o texto
diz “nome” e não “nomes”. A idéia é que o nome de Deus é Pai-Filho-Espírito
Santo. E verdade que o termo Trindade não se encontra no texto hebraico nem no
grego, na Bíblia; e tampouco aparecem termos como “soteríologia” — no entanto,
existe na teologia sistemática a doutrina da salvação, também se encontra a da
“hamartologia”, a da “transcendência” e “imanência”, ou a da “preexistência” de
Cristo, ou a “cristologia”. Poucas pessoas que discutem os ensinos bíblicos
levantam uma bandeira vermelha e objetam contra o uso de tais termos, quando
estudam a natureza das graciosas obras de Deus. Tais designações servem como
rótulos convenientes, didáticos, para conceitos ou ensinos complexos a respeito
de assuntos intimamente relacionados. E impossível discutir teologia como
disciplina sistemática, filosófica, sem se usar esses termos técnicos. Nenhum
deles se encontra na Bíblia, disso temos certeza. No entanto, todos eles formam
um complexo grandioso de conceitos coerentes, organizados, que são ensinados
nas Escrituras. Portanto, devemos rejeitar como irrelevante a objeção de que a
palavra precisa, “Trindade”, não se encontra na Bíblia.
No entanto, aventuramo-nos a insistir em que alguns dos ensinos básicos e
fundamentais a respeito de Deus tornam-se praticamente incompreensíveis, sem
que tenhamos uma boa compreensão da doutrina da Trindade.
Em primeiro lugar, vamos definir com clareza o que significa “Trindade”. Esse
termo implica que o Senhor é uma unidade que subsiste em três pessoas: o Pai, o
Filho e o Espírito Santo — sendo os três um só Deus. Que Deus é uno tanto o
Antigo como o Novo Testamento o asseveram: Deuteronômio 6.4: “Ouve, Israel, o
Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”; Marcos 12.29: “Respondeu Jesus: o
principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor!”; Efésios
4:6: “[Há] um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de
todos e está em todos”. Vemos aqui afirmações claras, inequívocas de
monoteísmo:
Deus é um só
Não há outros deuses além dele. Isaías 45.22 menciona Deus dizendo: “Olhai para
mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há
outro”. Ou ainda Salmos 96.4,5: “Porque grande é o Senhor e mui digno de ser
louvado, temível mais que todos os deuses. Porque todos os deuses dos povos não
passam de ídolos [hebr. ‘elilim tem conotação de ‘fraco, sem valor’]; o Senhor,
porém, fez os céus”. Isso se torna muito explícito em l Coríntios 8.5,6:
“Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre
a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós há um só
Deus, o Pai, de quem são todas as cousas e para quem existimos; e um só Senhor,
Jesus Cristo, pelo qual são todas as cousas, e nós também, por ele”.
Mas, a Bíblia também ensina que Deus não é uma mônada estéril, mas existe
eternamente em três pessoas.
Isso fica implícito no registro da criação, em Gênesis 1.1-3: “No princípio,
criou [bãrã; verbo no singular, não no plural bãre’û] Deus [’elohim, plural na
forma, tendo o final im; esse plural para ‘Deus’ provavelmente é um ‘plural
majestático’; entretanto, compare-se Gênesis 1.26,27, que discutimos abaixo] os
céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia... e o Espírito de
Deus pairava por sobre as águas [mostrando o envolvimento da terceira Pessoa na
obra da criação]. Disse Deus [’elóhîm]: Haja luz; e houve luz”. Temos aqui Deus
falando como a Palavra Criativa, o Verbo (Jo 1.3), que é a segunda Pessoa da
Trindade.
Diz a Bíblia que cada pessoa da Trindade tem uma função especial, tanto na obra
da criação como na da redenção.
O Pai é a Fonte de todas as coisas (1 Coríntios 8.6) “... pelo qual são todas
as coisas”). Ele é aquele que planejou e ordenou a redenção. “Porque Deus amou
ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele
crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). A encarnação foi o
cumprimento de seu decreto previamente anunciado em Salmos 2.7: “Proclamarei o
decreto do Senhor: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei”. Ele
também deu-nos o Messias como expiação pelos nossos pecados (Is 53.6, 10). De
maneira semelhante, ele concedeu o Espírito Santo a seu povo (At 2.18; Ef
1.17). Ele derramou a salvação sobre os redimidos (Ef 2.8,9), pela fé, que
também é dom de Deus. E a seu Filho entregou a Igreja (Jo 6.37).
Quanto a Deus, o Filho, foi por meio dele que toda a obra da criação se
realizou (Jo 1.3; lCo 8.6); significa que ele era também o Senhor Deus, ao qual
se refere o salmo 90, o Criador que fez as montanhas, as colinas e toda a
Terra. Ele é também o Sustentador e Preservador do universo material que ele
criou (Hb 1.2,3). No entanto, ele também é o Deus que se tornou “carne” (Jo
1.18), isto é, um verdadeiro ser humano —sem deixar de ser divino, a fim de
explicar (“exegete”) Deus à humanidade. Ele era a Luz que veio ao mundo para
salvar os homens do poder das trevas (Jo 1.9; 8.12) por meio de sua perfeita
obediência à lei e sua morte expiatória na cruz (Hb 1.3). Ele é também aquele
que venceu o poder da morte, e, como o Salvador ressurreto, estabeleceu sua
Igreja e comissionoua como seu templo vivo, seu corpo e sua noiva.
O Espírito Santo é aquela pessoa da Trindade que inspirou a redação das
Escrituras (lCo 2.13; 2Pe 1.21), e manifesta o Evangelho aos redimidos de Deus
(Jo 16.14). Ele comunica os benefícios do Calvário a todos quantos
verdadeiramente crêem e receberam Cristo como Senhor e Salvador (Jo 1. 12,13);
e Ele penetra em suas almas a fim de santificar seus corpos como templos vivos
de Deus (lCo 3.16; 6.19), depois de terem nascido de novo pela sua graça
transformadora (Jo 3.5,6). A seguir, ele ensina aos crentes as palavras de
Cristo, de modo que possam entendê-las e crer nelas (Jo 14.26; lCo 2.10), e dá
testemunho de Jesus tanto por sinais externos como por convicção interna (Jo
15.26; At 2.33,38,43). Ele santifica e congrega os membros de Cristo num
organismo vivo, que é o verdadeiro templo do Espírito Santo (Ef 2.18-22) e
concede a cada membro dons especiais da graça e do poder (charismata) mediante
os quais possam enriquecer e for talecer a Igreja como um todo (lCo 12.7-11).
O NT afirma reiterada e claramente que Jesus Cristo é Deus encarnado. Ele veio
como o Verbo criador, que também é Deus (Jo 1.1-3). De fato Ele é “o Deus
unigênito” (Jo 1.18; segundo os manuscritos mais antigos, os melhores, essa era
a redação original) em vez de “único Filho gerado”. Em João 20.28, a afirmação
de Tomé, que deixara de ser incrédulo, “Senhor meu e Deus meu foi aceita por
Cristo como sua verdadeira identidade; assim comentou o Senhor: “Porque me
viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. Creram em quê?
Acreditaram naquilo que Tomé acabara de reconhecer, que Cristo é Senhor e Deus!
Nas cartas de Paulo e nas epístolas gerais, encontramos outras afirmações
claras sobre a deidade de Cristo:
1. Falando dos israelitas, assim diz Paulo: “... deles são os patriarcas, e
também deles [ón, o particípio realmente exige essa tradução; ho ón (‘ele é’)
tem de ser uma construção modificadora de ho Christos, como seu antecedente]
descende o Cristo, segundo a carne [i.e., do ponto de vista físico], o qual é
sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém” (Rm 9.5).
2. Em Tito 2.13, Paulo diz: “aguardando a bendita esperança e a manifestação
[epiphaneia noutras passagens só se refere ao surgimento de Cristo, nunca de
Deus Pai] da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus
3. Hebreus 1.8 cita Salmos 45.6,7 como prova da divindade de Cristo, ensinada
no AT: “mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” [o
hebraico usa ‘elóhim aqui].
4. Hebreus 1.10,11 cita Salmos 102.25,26, declarando: “Em tempos remotos,
Senhor [o salmo todo dirige-se a Iavé, pelo que o autor insere o vocativo
Senhor aqui, partindo de um contexto anterior], lançaste os fundamentos da
terra; e os céus são obras das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces”.
Aqui Cristo é mencionado como o Deus que sempre existiu, até mesmo antes da
criação, que viverá para sempre, até mesmo depois de os céus terem cessado de
existir.
5. Em l João 5.20, esse apóstolo diz: “... estamos no verdadeiro, em seu Filho,
Jesus Cristo. Este [lit., esta pessoa] é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.
No que concerne às passagens do AT, os seguintes fatos relacionam-se à
Trindade:
1. Gênesis 1.26 cita Deus (‘elóhim) que diz: “Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança...”. Essa primeira pessoa dificilmente pode ser um
plural editorial ou real, referente a uma única pessoa, a que fala, visto que
tal uso não se verifica em parte alguma do hebraico bíblico. Portanto,
precisamos enfrentar a pergunta:
Quem são as pessoas incluídas em “façamos nos” e em “nossa”. Dificilmente
incluiríamos os anjos, que estariam sendo consultados, pois em parte alguma se
diz que o homem foi criado à imagem deles; só de Deus. O v. 27 afirma: “Criou
Deus [’elóhim], pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; o homem e
a mulher os criou”, O Senhor — o mesmo Deus que falou de si mesmo no plural—
declara agora que criou o homem à sua imagem. Em outras palavras, o plural
equivale ao singular. Só podemos entender isto em termos da natureza trinitária
de Deus. O verdadeiro Deus subsiste em três pessoas, as quais são capazes de
discutir entre si e executar seus planos, pondo-os em ação, juntos — sem
deixarem de ser um único Deus.
Para nós, que fomos criados à imagem de Deus, essa doutrina não deveria ser
difícil de entender. Existe um sentido muito bem definido em que temos uma
natureza tríplice, ou trinitária. I Tessalonicenses 5.23 indica-o com clareza:
“O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo
sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus
Cristo” (grifo do autor). Com freqüência, encontramo-nos engajados em debate
entre nosso espírito, alma e corpo, quando enfrentamos uma decisão moral, uma
escolha entre a vontade de Deus e o desejo de nossa natureza carnal, que busca
o prazer egoísta.
2. Salmos 33.6 diz: “Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro [rûah,
Espírito] de sua boca, o exército deles”. Aqui de novo temos o mesmo
envolvimento das três pessoas da Trindade na obra da criação: o Pai decreta, o
Filho, sendo o Verbo, executa o decreto do Pai, e o Espírito concede a dinâmica
vital ao processo.
3. Salmos 45.6 já foi citado em conexão com Hebreus 1.8: “O teu trono, ó Deus,
é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino”. Mas 45.7 traz
uma referência a um Deus que abençoara ao Verbo que é o perfeito Rei: “Amas a
justiça e odeias a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo
de alegria, como a nenhum dos teus companheiros”. O conceito de Deus abençoando
Deus só pode ser entendido em um sentido trinitário. Um conceito de Deus
unitário torna essa passagem ininteligível.
4. Isaías 48.16 mostra as três pessoas em ação, na obra da revelação redentora:
“Chegai-vos a mim e ouvi isto: não falei em segredo desde o princípio; desde o
tempo em que isso vem acontecendo [i.e., o livramento do povo de Deus dos
grilhões e da escravidão], tenho estado lá. Agora, o Senhor Deus me enviou a
mim e o seu Espírito”. Temos aqui o Deus-homem Redentor falando (o que se
descreveu a si mesmo no v. 12 dizendo: “sou o primeiro e também o último”, e no
v. 13, assim: “... a minha mão fundou a terra, e a minha destra estendeu os
céus...” Agora ele diz, no v. 16: “... o Senhor Deus me enviou a mim e o seu
Espírito (que nesse caso se refere a Deus, o Filho, e a Deus, o Espírito, a
terceira Pessoa da Trindade). E possível que “e o seu Espírito” possa ligar-se
a “me”, como objeto direto de “enviou”, mas no contexto do original hebraico, a
impressão é que “seu Espírito” (rüah, Espírito) está ligado a ‘adonay YHWH
(“Senhor Iavé), como mais um sujeito, em vez de um objeto. Seja como for, a
terceira Pessoa torna-se distinta da primeira e da segunda, nesses versículos.
Além dos exemplos mencionados acima, de versículos do AT que não fazem sentido
a não ser que se admita a natureza trinitária de Deus, do Senhor triúno,
existem múltiplos exemplos da atividade do “Anjo de Iavé” que se iguala ao
próprio Deus. Consideremos as seguintes passagens:
1. Gênesis 22.11 descreve o momento dramático da experiência de Abraão no monte
Moriá, quando estava prestes a sacrificar seu filho Isaque: “Mas do céu lhe
bradou o Anjo do Senhor:Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui”. O
versículo seguinte prossegue, igualando esse ser celestial ao próprio Deus:
“...agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único
filho”. Depois, nos v. 16 e 17,0 anjo declara: “Jurei, por mim mesmo, diz o
Senhor, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras
te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência...”. Fica bem claro
que o anjo de Iavé aqui é o próprio Deus. “Iavé” é o nome de aliança do Deus
Triuno, e o seu anjo também é o próprio Deus. Em outras palavras, podemos
identificar o anjo de Iavé em passagens como essa, como sendo a pré-encarnação
do Redentor, Deus o Filho, já engajado na obra redentora e mediadora, antes
ainda de tornar-se um homem, filho da virgem Maria.
2. Em Gênesis 31.11,13 observamos o mesmo fenômeno; o anjo de Deus na verdade é
o próprio Deus: “E o Anjo de Deus me disse em sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me
aqui [...] Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna...”.
3. Êxodo 3:2 declara: “Apareceulhe o Anjo do Senhor numa chama de fogo, no meio
duma sarça...”. Depois, no v. 4, lemos: “Vendo o Senhor que ele se voltava para
ver, Deus, do meio da sarça...”. A identificação completa nós a temos no v. 6:
“Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.
Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus”. Outra vez verificamos
que o Anjo do Senhor não é outro senão Iavé em pessoa.
4. Juízes 13.20 declara: “Sucedeu, que, subindo para o céu a chama que saiu do
altar, o Anjo do Senhor subiu nela; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram com
o rosto em terra”. Os v. 22 e 23 completam a identificação do anjo como sendo o
próprio Senhor: “Disse Manoá a sua mulher: Certamente, morreremos, porque vimos
a Deus”. Mas sua esposa lhe disse: “Se o Senhor nos quisera matar, não
aceitaria de nossas mãos o holocausto e a oferta de manjares, nem nos teria
mostrado tudo isto”.
À face dessa pesquisa das evidências bíblicas, concluímos que as Escrituras
verdadeiramente ensinam a doutrina da Trindade, ainda que não empregue esse
termo. Além disso, devemos observar que o conceito de Deus como sendo um, em
essência, mas três nos centros de consciência —a que a Igreja grega se referia
como três hypostases e a latina como três personae — e concepção singular,
exclusiva, na história do pensamento humano. Nenhuma outra cultura ou movimento
filosófico jamais apareceu com uma idéia semelhante a essa a respeito de Deus
—pensamento que continua difícil à nossa mente finita, para que o entendamos.
No entanto, a inabilidade nossa para compreender completamente a riqueza e a
plenitude da natureza de Deus, como Trindade Santa, não deve constituir motivo
para o ceticismo. Se só tivermos de aceitar aquilo que podemos entender
totalmente, e nisso acreditar, estaremos, nesse caso, desesperançosamente além
da redenção. Por quê? Pois jamais entenderemos plenamente como poderia Deus
amar-nos de tal maneira que enviasse seu Filho Unigênito à terra para morrer
por nós, pelos nossos pecados, e tornar-se nosso Salvador. Se não aceitarmos
uma idéia que não podemos entender, como creríamos em João 3:16? Como
receberíamos a certeza do evangelho e salvar-nos?
Fonte:
Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas - Ed. Vida - Dr. Archer.
http://www.cacp.org.br/jeovismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=244&cont=1&menu=3&submenu



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