terça-feira, 26 de julho de 2011

0 Os perigosos objetivos do Teísmo Aberto



 


Encanto-me com a peregrinação de Atanásio (295–373 d.C.) em prol da verdade bíblica. Vivendo em um século no qual a pureza doutrinaria do Cristianismo era constantemente ameaçada, ele se aprumou bravamente contra o arianismo. No Concílio de Niceia, realizado em 325, defendeu a doutrina da Santíssima Trindade em conformidade com o padrão das Sagradas Escrituras. Atanásio, reverenciado tanto no Oriente quanto no Ocidente, pode ser considerado o principal articulador do Símbolo Niceno.

Se Atanásio vivesse em nossos dias, enfrentaria muitas dificuldades com os proponentes do chamado "Teísmo Aberto". Como veremos, não se trata de uma novidade. É algo tão antigo e confuso quanto as heresias que conturbavam a Igreja de Cristo em seu nascedouro.

Mas como definir esse desvio teológico?


O que é o Teísmo Aberto?

No Cristianismo nascente, não foram poucos os filósofos que, influenciados pela mensagem dos santos apóstolos, converteram-se a Cristo — a exemplo de Justino, o Mártir. Hoje, porém, os teólogos deixam-se arrastar por filosofias vãs e extravagantes, como se o Evangelho não tivesse poder algum diante dos inquisidores deste mundo. Antes, os filósofos faziam-se teólogos; agora, os teólogos convertem-se em filósofos, supondo estar fazendo teologia.

No que tange ao Teísmo Aberto, descobriremos não propriamente uma teologia, mas uma especulação doentiamente relativista.

1. Definição

Originando-se da Teologia do Processo, formulada pelo inglês Alfred North Whitehead, o Teísmo Aberto é uma doutrina segundo a qual o Universo é governado pelo processo de mudança, determinado pelos agentes do livre-arbítrio. Logo, a autodeterminação caracteriza inclusive a Deus que, neste contexto, acha-se despojado de sua soberania, limitando-se a exercer o seu livre-arbítrio na criação de novas possibilidades.

Conhecido também como Teologia Relacional e Teologia Neoclássica, o Teísmo Aberto ensina que, pelo fato de Deus conter o Universo, Ele também muda tanto quanto a criação.

2. Princípios Ideológicos

Charles Hartshorne, John Cobb e David Ray Griffin são considerados os principais formuladores do Teísmo Aberto. No Brasil, a corrente foi introduzida por escritores oriundos de diversas vertentes denominacionais. Entre os teólogos judeus que o assumiram, encontra-se o rabino Samuel Alexander.


Objetivos do Teísmo Aberto

De acordo com Martinho Lutero, "a teologia consiste principalmente no seu uso e prática, e não na sua especulação". Infelizmente, muitos teólogos modernos, esquecendo-se de sua vocação primacial — a glorificação do nome de Deus —, transviam-se pelas trilhas da filosofia e erram pelas veredas do relativismo moral. Buscando agora justificar o injustificável, esforçam-se para criar um deus teologicamente correto: um deus à sua própria imagem e semelhança.

1. A criação de um deus teologicamente correto

As Sagradas Escrituras jamais se amoldarão às absurdas demandas do Teísmo Aberto. De um lado, está o Deus dos profetas e dos santos apóstolos; do outro, um deus plasmado segundo as conveniências de um mundo que jaz no maligno.

Se o Deus dos cristãos é exclusivista e não admite compartilhar sua glória com nenhuma outra criatura, o deus dos teístas abertos é escandalosamente inclusivista: cabe em todos os credos, adequa-se a todas as religiões e assimila todas as crenças. Esse deus tolerante e ecumênico somente não tolera a Bíblia Sagrada e os credos ortodoxos.

O deus do Teísmo Aberto, sempre "teologicamente correto", apresenta sérias limitações:

  • Embora todo-poderoso, não pode evitar um terremoto ou um tsunami inesperado;
  • Apesar de onipresente, não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo;
  • Não obstante onisciente, ignora o que se esconde sob o livre-arbítrio humano;
  • É soberano, mas acha-se sob o império da liberdade libertária com que dotou suas criaturas.

O Teísmo Aberto é paradoxal e ilógico, assim como os seus proponentes. Afinal, como entender um deus todo-poderoso que não detém todo o poder? Neste caso, como leciona o professor Regis Jolivet, não temos uma negação, mas deparamo-nos com um vazio de ideias. É justamente nesses limbos que o Diabo atua, levando os sábios deste século a desvanecerem-se em seus discursos.

Não é assim o Deus da Bíblia. Embora encontre-se infinitamente acima da razão humana, Ele não a contradiz. Se a Escritura afirma que Ele é o Deus Único e Verdadeiro, podemos ter certeza: além dEle não há outro.

2. O estabelecimento de um cristianismo ideologicamente inclusivo

O Cristianismo foi ferozmente perseguido por Roma por causa do caráter exclusivista da sã doutrina. O Teísmo Aberto, porém, enganado por uma hermenêutica viciada e simplista, intenta incluir em seu condescendente corpo de doutrinas todos os credos e crenças.

Tal cristianismo não é apenas ecumênico; é secular e místico, como as religiões que, nascidas na Índia, desaguam no Ocidente, levando o nosso mundo a reviver a idolatria e os mitos.

3. A construção de uma moral pós-cristã

O que mais incomoda o Teísmo Aberto é o problema do mal. Voltando aos rudimentos da fé, eles problematizam: Se Deus é bom, como pode permitir que sobre os inocentes se abatam tragédias como terremotos, pragas e fomes? Terá Deus poder suficiente para evitar semelhantes males?

Deus é bom; não pode ser melhor do que é, pois é infinitamente perfeito. Sendo também amor, enviou o seu Unigênito para morrer a mais vergonhosa das mortes, a fim de outorgar-nos a sua vida em um mundo que jazia morto em delitos e pecados.

Então, por que os males existem? Eles vêm como consequência dos pecados de Adão e de seus descendentes. Por conseguinte, não devemos ser simplistas na questão do mal; sejamos simples, entretanto, para compreender, aceitar e submeter-nos à soberana vontade de Deus.

Diante de um cego de nascença, os discípulos perguntaram a Jesus: "Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" Respondeu Jesus: "Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus" (Jo 9.2-3). Tudo o que Deus faz é para que o seu nome seja glorificado e, assim, a humanidade venha a converter-se de seus maus caminhos.


Os Ataques do Teísmo Aberto

Reconstrução é o verbo que mais conjugaram os adeptos do Teísmo Aberto. Intentam reconstruir a Igreja de Cristo, como se esta não tivesse por fundamento os profetas e apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não satisfeitos, insurgem-se contra a sã doutrina numa tentativa desvairada de criar um aleijão teológico que em nada difere das mitologias gentílicas: "um deus sem divindade".

O que mais esperar do Teísmo Aberto? Tencionam também reconstruir a salvação? Que sucedâneo terão eles para o Calvário? Que substituto para o sacrifício vicário do Cordeiro e para o sangue de Cristo? Que Deus nos guarde dessas teologias e doutrinas loucas.

À semelhança dos atenienses, os sectários do Teísmo Aberto encontram-se sempre ávidos por novidades e modismos. Consomem, passiva e servilmente, a má teologia produzida nos Estados Unidos e na Europa. Depois, qual joio entre o trigo, saem por nossos seminários, presumindo-se porta-vozes da verdade cristã. E quando assumem o púlpito com aquela verbosidade incontida? Até parecem o personagem Loquaz, pintado por John Bunyan em O Peregrino.

Conclusão

O Teísmo Aberto criou um deus segundo a sua própria imagem e semelhança: disforme e vazio. Um deus destituído de bondade e grandezas; um arremedo grotesco do Deus Único e Verdadeiro. Um deus que pode, mas não sabe; que sabe, porém nada faz, por achar-se submetido a uma infame liberdade arbitrária. Um deus que se assusta com um tsunami.

O nosso Deus, porém, é o Criador dos céus, da terra e dos mares. Somente Ele pode repreender as águas dizendo: "Aquietai-vos". Se Ele não o fizer, curvemo-nos diante de Sua soberania.


Artigo escrito pelo Pastor Claudionor de Andrade
Digitado e adaptado para este blog por João Augusto de Oliveira.


0 comentários:

Postar um comentário

 

A voz da Palavra Profética Copyright © 2011 - |- Template created by Jogos de Pinguins