sábado, 2 de julho de 2011

0 Estou indignado com alguns programas de rádio "evangélicos"

 

O Rádio: De "Invenção Satânica" a Balcão de Negócios?

Tudo começou em 1863, em Cambridge, Inglaterra, quando James Clerk Maxwell demonstrou teoricamente a existência das ondas eletromagnéticas. Maxwell, que era professor de física experimental, abriu as portas para que outros pesquisadores, como o alemão Heinrich Rudolph Hertz, aprofundassem o tema. No Brasil, o pioneirismo coube ao Padre Roberto Landell de Moura, que possivelmente em 1893 introduziu as bases do rádio em nosso solo pátrio.

A invenção do rádio foi um marco incrível para o desenvolvimento da comunicação humana. Mesmo após tantos anos e com o avanço da tecnologia, o rádio ainda cativa milhões de pessoas através de suas ondas sonoras.

Nesse ínterim, vemos uma mudança curiosa na Igreja. Por décadas, o rádio foi demonizado por muitos ministérios como uma "invenção satânica", a ponto de fiéis serem disciplinados caso fossem pegos ouvindo o aparelho. Após anos de certa ignorância, finalmente a Igreja percebeu o valor dessa ferramenta no afã de cumprir a Grande Comissão: "Levar o Evangelho a toda criatura".

Acredito piamente que este é o caminho. Devemos usar todos os meios — rádio, TV, internet — para resgatar vidas do reino das trevas para a Sua maravilhosa luz.

No entanto, algo tem me deixado indignado:

Recentemente, dediquei uma hora para ouvir certos programas que se dizem evangélicos, mas que de "boa nova" não têm nada. Confesso que senti uma profunda tristeza e até náusea; parecia mais uma feira livre do que um momento de edificação.

É tanto apelo por dinheiro, tantos números de contas bancárias e tantas campanhas de arrecadação que o verdadeiro Evangelho de Cristo acaba ofuscado. Alguns argumentam: "Precisamos arrecadar para pagar o horário". Compreensível. Mas e os programas que passam 30 dias por mês apenas pedindo depósitos? E aqueles que usam o espaço apenas para promover o próprio "CNPJ", dizendo: "Venha aqui, pois aqui está o poder de Deus"?

Ora, se o poder só está na sua igreja, quer dizer que as outras estão vazias de Deus?

Outro dia, ouvi um apresentador dizer a uma irmã aflita: "A senhora precisa vir domingo à nossa igreja para Deus te abençoar". Mesmo quando a irmã explicava que não podia ir, ele insistia: "Deus só completa a bênção se a irmã vier aqui".

Isso é revoltante. Deus é Deus de perto e de longe. Ele abençoa no templo, na rua, em casa ou em qualquer lugar. É hora de parar com esse mercenarismo que usa o nome de Deus em vão. Ele não está nesse negócio.

Quer usar o rádio para evangelizar? Use! Mas use para anunciar que Jesus salva, perdoa pecados, cura enfermidades e prepara o homem para o céu. Ele disse: "Em meu Nome"... e não no nome da denominação A ou B.

Είθε η ειρήνη του Κυρίου Ιησού Χριστού να είναι μαζί σας (Que a paz do Senhor Jesus Cristo seja convosco).

João Augusto de Oliveira

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