Não há uma definição mundial de comum acordo a respeito
do que caracteriza uma seita. Existem apenas algumas características gerais que
nos permitem reconhecê-las. Há hoje três diferentes dimensões de seitas: doutrinárias, sociológicas e morais.
Vamos examinar brevemente cada uma delas, tendo em mente que nem todas as
seitas apresentam todas as características aqui apresentadas.
Características Doutrinárias de uma Seita
É típico das seitas dar ênfase a novas revelações
“recebidas de Deus”, negar a autoridade única da Bíblia, negar a Trindade,
apresentar uma visão distorcida de Deus e de Jesus e, principalmente, rejeitar
a salvação pela graça.
Nova revelação — Muitos líderes de seitas afirmam
ter um canal direto de comunicação com Deus. Como os ensinamentos das seitas
são frequentemente mudados, precisam constantemente de novas “revelações” para
justificar tais mudanças. Os mórmons, por exemplo, por anos excluíram os negros
do sacerdócio, e quando a pressão social sobre essa forma de racismo exigiu
mudança, o presidente dos mórmons “recebeu uma nova revelação”. Coisa
semelhante se deu com as testemunhas de Jeová, com relação à vacinação e doação
de órgãos.
Negam a autoridade da Bíblia – As seitas negam a
autoridade exclusiva da Bíblia como regra de fé e prática, e dão maior
importância aos livros escritos por seus fundadores e sucessores.
Visão distorcida de Deus e de Jesus – Negar a
Trindade Divina e a divindade de Jesus é outro traço comum das seitas. Não
aceitar a ressurreição do Senhor é outro ponto comum entre as seitas, que
disseminam diversas explicações, muitas delas fantasiosas, para o relato dos
evangelhos.
Negam a salvação pela graça — As seitas geralmente
negam que a salvação é dada pela graça de Deus, distorcendo assim a pureza do
Evangelho. Os mórmons, por exemplo, enfatizam a necessidade de nos tornarmos
mais e mais perfeitos nesta vida. As Testemunhas de Jeová dão ênfase à
distribuição de literatura da Torre de Vigia de porta em porta, como parte do
trabalho para “alcançar” a sua salvação.
A partir desse breve exame acima, fica claro que todas as
seitas negam uma ou mais das doutrinas básicas do Cristianismo.
Características Sociológicas de uma Seita
Além das características doutrinárias das seitas, muitas
delas (não todas) também possuem os traços sociológicos que vamos abordar de
forma breve.
Autoritarismo — O autoritarismo envolve a aceitação
de uma figura de autoridade, que frequentemente utiliza técnicas de controle
mental sobre os membros do grupo. Como profeta e/ou fundador, a palavra desse
líder é considerada final.
Em contraste com o fundador de uma seita, o líder cristão
lidera as pessoas através do amor, e não do medo. Influencia por amor, não por
ódio. Procura motivar os corações, mas não tenta controlar os pensamentos.
Lidera os seus seguidores como um pastor lidera ovelhas; não as conduz como
bodes.
Exclusivismo — Outra característica das seitas é um
exclusivismo que declara: “Somente nós temos a verdade”. Cada seita reivindica
ser a comunidade exclusiva dos salvos.
Dogmatismo — Relacionadas de perto com o exposto
acima, muitas seitas são dogmáticas — e esse dogmatismo é frequentemente
expresso de forma institucional. Por exemplo, os mórmons declaram ser a única
igreja verdadeira na terra. As Testemunhas de Jeová dizem que a Sociedade Torre
de Vigia é a única voz de Jeová na terra. Muitas seitas acreditam ter a verdade
dentro de uma pasta, como se ela ali estivesse, e somente elas estão de posse
dos oráculos divinos.
Mentes fechadas — De mãos dadas com o dogmatismo
está a característica de possuir mentes fechadas. Essa indisposição de ao menos
considerar qualquer outro ponto de vista tem frequentes manifestações radicais.
Um mórmon educado que encontramos nos disse que não lhe importaria se pudesse
ser provado que Joseph Smith foi um falso profeta; ele ainda assim continuaria
sendo um mórmon. Um homem testemunha de Jeová recusou-se a concluir a leitura
de um artigo que provava a divindade de Cristo, porque “isso está incomodando a
minha fé”, disse ele.
Susceptibilidade — O perfil psicológico de muitas
pessoas que são “sugadas” para dentro de seitas não é do tipo bajulador.
Geralmente as pessoas que se juntam a uma seita são altamente incautas e até
mesmo psicologicamente vulneráveis. Membros de seitas frequentemente aceitam
ensinos tomados por uma fé cega, insensível à argumentação sensata. Um
missionário mórmon declarou que acreditaria no Livro de Mórmon, ainda que o
livro dissesse que existem círculos quadrados!
Isolamento — As seitas mais extremistas criam às
vezes fronteiras fortificadas, frequentemente precipitando finais trágicos.
Desertores são considerados traidores, passando a correr risco de vida e sendo
perseguidos pelos membros mais zelosos da seita. Em muitos casos, diz-se aos
membros da seita que se abandonarem o grupo serão atacados e destruídos por
Satanás. A construção de tais barreiras, seja de caráter físico, seja de
caráter psicológico, cria um ambiente de isolamento que, por sua vez, leva ao
antagonismo.
Antagonismo — Em um contexto de isolamento, são
gerados tanto o medo como o sentimento de hostilidade em relação ao mundo
exterior. Todos os outros grupos são considerados apóstatas, “o inimigo” e “as
ferramentas de Satanás”.
Características Morais de uma Seita
No topo dos traços doutrinários e sociológicos das seitas
existem também algumas dimensões morais a ser consideradas. Em meio às seitas
que brotam, estão muito presentes o legalismo, a perversão sexual, a
intolerância, abusos psicológicos e até mesmo físicos. Vale lembrar que nem
todas as seitas manifestam cada uma dessas características.
Legalismo — Para muitas seitas, é comum o
estabelecimento de um rigoroso conjunto de regras que devem ser
obrigatoriamente vividas pelos devotos. Esses padrões são usualmente
extrabíblicos. O ensino mórmon que proíbe o uso de café, chá, ou qualquer
bebida que contenha cafeína é um caso típico. O requisito imposto pela
Sociedade Torre de Vigia para que as Testemunhas de Jeová distribuam literatura
de porta em porta é outro exemplo. O ascetismo do tipo monástico, com sua
rigorosa obrigatoriedade de cumprimento de regras, é frequentemente visto como
um meio de se alcançar o favor de Deus.
Perversão sexual — Lado a lado com o legalismo, o
vício gêmeo da perversidade moral é bastante encontrado nas seitas. Joseph
Smith (e outros líderes mórmons) teve muitas esposas. David Koresh afirmou
possuir todas as mulheres em seu grupo, até mesmo as meninas mais novas. De
acordo com uma revelação através de uma reportagem em 1989, meninas da idade de
dez anos estavam incluídas. A seita Meninos de Deus tem utilizado, através de
sua história, técnicas de “pescaria através do flerte”, com a finalidade de atrair
pessoas para a seita, com apelos sexuais. Foi denunciada a prática de sexo
entre adultos e crianças dentro dessa seita.
Abuso físico — De forma trágica, algumas seitas
empenham-se em aplicar diferentes formas de abuso físico. Êx.-adeptos de seitas
acusam com frequência seus ex-líderes de concentrarem-se em espancamentos,
privação do sono, severa privação de alimentos e agressões a crianças até que
estas ficassem queimadas ou sangrando. Às vezes, há acusações de abusos
ritualísticos satânicos, embora tais fatos raramente sejam levados a
conhecimento público. Contudo, os abusos psicológicos como o medo, a
intimidação e o isolamento são mais comuns.
Intolerância para com as outras pessoas — Tolerância
religiosa não é uma das virtudes da mentalidade das seitas. A intolerância é
frequentemente manifestada através de hostilidades, culminando algumas vezes
com assassinatos. Os muçulmanos radicais são conhecidos por esse tipo de
comportamento.
A METODOLOGIA EMPREGADA PELAS SEITAS
As seitas são bem conhecidas pelo emprego de seus métodos
questionáveis. Por exemplo, as seitas se concentram em decepções morais e
processos agressivos de proselitismo. Vamos analisar isso de forma resumida.
Decepção moral —Duplicidade e mentiras são usadas
para ganhar adeptos ao movimento. É muito comum o emprego de termos cristãos
pelas seitas, porém com novos significados. Dessa maneira, cristãos
destreinados são enganados e conduzidos a pensar que a seita é cristã. Por
exemplo, as seitas ligadas ao Movimento da Nova Era utilizam os termos
“ressurreição” e “ascensão”, querendo expressar a “ascensão” da conscientização
cristã no mundo. O tão familiar termo cristão “nascido de novo” é muito
empregado pela Nova Era para dar suporte à doutrina da reencarnação. O termo “o
Cristo” é utilizado pelos adeptos da Nova Era visando atrair os cristãos, mas
para eles o significado verdadeiro desse termo é “um ofício oculto desempenhado
por vários personagens na história”.
Proselitismo agressivo — É normal em todas as
religiões empregar esforços para trazer outras pessoas para a sua fé. O
Cristianismo, o Judaísmo, o Islamismo e até mesmo certas formas de Hinduísmo e
Budismo procuram converter pessoas às suas crenças. As seitas, contudo, levam
as atividades proselitistas ao extremo. Seu excessivo esforço proselitista
constitui uma tentativa de obtenção da aprovação de Deus. Trabalham para a
graça, ao invés de trabalhar a partir da graça, como a Bíblia ensina (IICo.
5.14). Algumas vezes os seus esforços são empregados em favor da satisfação de
seus próprios egos. Muitas vezes seu proselitismo ultrazeloso envolve
evangelismo impessoal ou pessoas escusas. Tanto os mórmons como as testemunhas
de Jeová possuem extensos programas de proselitismo porta a porta, embora sejam
usualmente menos ofensivos em sua abordagem.
Preparado e compilado pelo Pr. Edisom Miranda
FONTE: http://www.cacp.org.br/como-sei-o-que-e-uma-seita