domingo, 4 de abril de 2021

0 Como identificar os falsos profetas



Pr. João Flávio Martinez 

A Bíblia reconhece a existência de falsos profetas (Mt 7.15). Muitas seitas declaram ter profetas. Em consequência, a Bíblia exorta a testarmos aqueles que se dizem profetas (1 Jo 4.1-3).

“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1).

1) – Ele profetizou alguma coisa que não se cumpriu?

“Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele” (Dt 18.20-22).

2) – Ele fala e acontece, mas não aponta para Cristo?

“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, E suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma” (Dt 13.1-3).

3) – Ele faz contato com os espíritos de mortos?

“Nem …quem consulte os mortos” (Dt 18.11).

Os Mórmons: Joseph Smith, em 1823, recebeu uma visita de um homem chamado Moroni, que teria falecido por volta do ano 420 DC. Além de Smith argumentar que conversou com Pedro, Tiago e João. Existem muitos testemunhos de mórmons que afirmam ter recebido visitações de mortos. Para o mormonismo é bem possível se comunicar com os falecidos e até se batizar pelos tais.

EG White da IASD: Numa carta enviada ao seu filho W. C. White em 12 de setembro de 1881 e arquivada pelo White Estate, Ellen G. White afirma que estivera clamando ao Senhor por alguns dias em busca de luz com respeito a seu dever, logo após a morte de seu marido. Certa noite, ela teve um sonho espiritualista, cuja origem White atribuiu ao Senhor e acreditou que houvesse ocorrido em resposta às suas orações! Sonhou que estava dirigindo uma carruagem, quando o seu marido, Tiago White, que falecera em seis de agosto, apareceu-lhe e assentou-se a seu lado e desenvolveu com ela um longo diálogo.

As TJs: O Livro “O Mistério Consumado”, em suas páginas 144 e 256, trouxe as emocionantes palavras: Este verso (Revelação 8:3) mostra que, embora o Pastor Russell tenha transposto a cortina [ou morrido], ele ainda está dirigindo cada aspecto do trabalho de colheita… Nós sustentamos que ele supervisiona… o trabalho a ser feito.

4) – Ele faz uso de meios de adivinhação

“Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico…” (Dt 18.11).

A Congregação Cristã no Brasil (CCB) usa as profecias como um meio de adivinhação.

5) – Ele segue falsos deuses ou ídolos?

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20.3-4).

“Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria” (Cl 3.5) – A Teologia da Prosperidade é idolatria.

6) – Ele nega a divindade de Jesus Cristo?

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” Cl 2.8-9).

Testemunhas de Jeová: Dizem que Jesus é em partes divino, mas não no mesmo nível do Pai, e sim um Deus inferior. Jesus é o Arcanjo Miguel – o mestre de obras de Deus. Essa teoria é chamada de henoteísmo.

Adventistas: Dizem que Jesus é o Arcanjo Miguel, que nasceu com uma natureza pecaminosa, que como homem ficou três dias no sono da alma – apesar disso, dizem acreditar que Ele é a segunda pessoa da Trindade.

Mórmons: Dizem que Jesus é mais um deus entre trilhões de deuses, que Jesus é o irmão de Lúcifer – apesar disso dizem que Ele é divino.

Kardecistas: Não aceitam o Messias como Deus, mas sim como um iluminado reencarnado.

7) – Ele nega a humanidade de Jesus Cristo?

“E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo” (1 Jo 4.3).

A LBV é um exemplo de seita docética, afirmando que Jesus não veio em carne.

8) – Suas profecias desviam o foco central da pessoa de Jesus Cristo?

“Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Ap 19.10).

Os ASD acreditam que o genuíno dom da profecia seria manifesto na Igreja através das mensagens ou escritos de Ellen G. White (“Estudando Juntos” M. Finley, pg. 86) – (Apoc. 19:10).

9) – Ele advoga a abstenção de certos alimentos e carnes e veta o casamento, por razões de ordem espiritual.

“Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1 Tm 4.3).

Adventistas: EG White se enquadra bem neste texto, pois advogava contra o casamento  inter-racial entre brancos e negros e defendia que a ingestão de carne levava o homem a pecar.

“Há pessoas que devem ser despertadas para o perigo de comer carne, que ainda comem carne de animais, pondo assim em risco, a saúde física, mental e espiritual” (Conselhos sobre o Regime Alimentar, pág. 382).

“Mas há uma objeção ao casamento da raça branca com a preta. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitariam a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida” (Veja o Livro – “Mensagens Escolhidas – vol.2” CPB, Sto. André, SP – 1985 nas páginas 343 e 344).

10) – Ele encoraja o legalismo

“Ninguém vos domine a seu bel-prazer …Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças (leis)…”( Cl 2.16,23).

AdventistasA vida, vida eterna, é para todos os que obedecem à lei de Deus” (EGW, SDABC, vol.7, p. 931, citação da Revista da Escola Sabatina, 6 de janeiro de 1980, p. 16) – “Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna” (Testemunhos Seletos, vol. III, p. 23).

Católicos: “Nos últimos anos, a Igreja tem sempre e sempre reiterado que somos salvos pela fé e os sacramentos de fé. AMBOS SÃO NECESSÁRIOS” (J.D. Crichton, Christian Celebration: The Sacraments, p. 65).

Kardecistas“A salvação não se obtém por graça nem pelo sangue derramado por Jesus…” (jornal ‘O Reformador’ p.236, 1951).

 

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mt 7.15)




quinta-feira, 1 de abril de 2021

0 ESBOÇOS BÍBLICOS - Esboço de 1 Tessalonicenses

 




Autor: Paulo
Data : 50 ou 51 d.C.
Local de origem: Corinto
Tema principal: segunda vinda de Cristo.
Textos-chave (no final de cada capítulo): 1.10; 2.19-20; 3.13; 4.13-18; 5.23.
Classificação: escatologia.

Fundação

A igreja dos tessalonicenses foi fundada por Paulo em sua 2ª viagem missionária. Tendo se levantado grande perseguição contra Paulo, este fugiu para Corinto. Depois Timóteo voltou a Tessalônica para saber a situação da igreja afim de informar ao apóstolo. Alguns irmãos haviam morrido e isso preocupava a igreja. Será que os irmãos mortos ficariam para trás quando Jesus voltasse? Para esclarecer o assunto, Paulo escreveu a primeira epístola aos tessalonicenses.

Esboço

1 - Saudações, elogios e exortações - 1.1-10.

2 - O ministério de Paulo em Tessalônica – 2.1-20

3 - Alegria de Paulo com as notícias de Timóteo. 3.1-13

4 - Admoestações sobre questões morais - 4.1-12.

5 - A volta de Cristo, a ressurreição, o arrebatamento, e a necessidade de vigilância. 4.13 a 5.24.

6 - Saudações finais - 5.25 -28.

Esboço comentado

1 - Saudações, elogios e exortações - 1.1-10.

Em sua introdução, Paulo elogia a igreja. Os motivos de elogio são: a fé, o serviço, a influência exemplar, o abandono da idolatria, a esperança, a paciência e receptividade à palavra. Observe o destaque dado a questões espirituais.

O serviço, ou trabalho, está em destaque. Vejamos os verbos empregados nos versículos 9 e 10 do capítulo 1: "Convertestes ... para servirdes ... e esperardes ..." 1.9-10. A preposição "para" nos dá idéia de objetivo. Nós nos convertemos para servir e não para sermos servidos. Estamos neste mundo para fazer a vontade Deus e não para que ele faça a nossa. A igreja espera a segunda vinda de Cristo (v.10), mas, não espera ociosa. Esperamos trabalhando.

A questão do exemplo também está em destaque. Paulo seguia o exemplo de Cristo. Os tessalonicenses seguiam o exemplo de Paulo e tornavam-se exemplo para as outras igrejas (1.6-8). Vemos então uma seqüência de modelos que, assim como os tijolos de uma construção, se sobrepõem e se sustentam. Está aí a importância de nos mantermos em posição de firmeza espiritual. Se cairmos, poderemos causar a queda de outros que se inspiram em nosso exemplo.

2 - O ministério de Paulo em Tessalônica – 2.1-20

No capítulo 2, Paulo fala sobre seu ministério, irrepreensível e baseado em boas motivações. Em suas cartas, muitas vezes o apóstolo fala de seu trabalho nas igrejas. Embora pareça que o autor está muito envolvido com sua própria biografia, isso é de grande importância para nós pois, de outro modo, como teríamos acesso a essas informações? A auto-apresentação de Paulo nos fornece muitos parâmetros para os ministérios eclesiásticos da atualidade.

Sendo perseguido, o apóstolo não recuava, mas se tornava mais ousado ao evangelizar (2.2).

3 - Alegria de Paulo com as notícias de Timóteo. 3.1-13

Paulo saiu de Tessalônica em meio a uma grande perseguição. Ficou então preocupado com os novos convertidos daquela cidade. Será que eles iriam permanecer firmes diante de tanta oposição? Timóteo trouxe então notícias da firmeza espiritual dos tessalonicenses. Isso foi motivo de grande alegria para o apóstolo.

4 - Admoestações sobre questões morais - 4.1-12.

A epístola nos mostra que a igreja dos tessalonicenses estava bem. Contudo, Paulo diz que eles podiam alcançar um estado ainda melhor (4.1,9,10). Sempre existe um nível superior a ser alcançado. Além disso, o autor admoesta contra alguns riscos que poderiam ameaçar a estabilidade espiritual daqueles irmãos. Por isso, o capítulo 4 toca na questão moral. A admoestação que se destaca é a que se refere à prostituição. Entre tantos pecados que poderiam ser citados, por quê Paulo mencionou a prostituição? Esse pecado é mencionado de forma destacada em algumas partes das escrituras porque, juntamente com o adultério, tem se mostrado uma das principais causas de quedas e escândalos (Ap.2.14; I Cor.10.8; Jz.16.1,4; At.15.20; I Cor.7.2).

O capítulo 4 enfatiza a santificação (4.3) pela observância de alguns preceitos fundamentais.

- Abster-se da prostituição (4.3).

- Não enganar nem oprimir. (4.6).

- Amor fraternal (4.9).

- Cuidar dos próprios negócios (4.11).

- Trabalhar (4.11).

- Ser honesto (4.12).

Conseqüência: não ter necessidade (4.12).

Depois de apresentar mandamentos aos tessalonicenses, Paulo diz: "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes..." A parte dos mandamentos nos admoesta à obediência. O versículo 13 do capítulo 4 nos chama a atenção para o valor do conhecimento. Sejamos obedientes mas não ignorantes. Os tessalonicenses eram obedientes mas não se destacavam pelo exame das escrituras (At.17.11). Isso era um risco para aqueles irmãos. Quem é obediente e ao mesmo tempo ignorante pode acabar obedecendo ordens contrárias à palavra de Deus. Nesse texto específico, Paulo chama a atenção para o conhecimento a respeito da segunda vinda de Cristo e os fatos a ela relacionados. O objetivo era mostrar que os irmãos que haviam morrido não ficariam para trás no dia do Senhor.

5 - A volta de Cristo, a ressurreição, o arrebatamento, e a necessidade de vigilância. 4.13 a 5.24.

Nessa parte, temos um quadro escatológico resumido. Apesar de breve, constitui-se uma passagem obrigatória para os estudiosos do assunto. Paulo destaca a ordem cronológica dos fatos. A trombeta tocará anunciando a chegada de Cristo. Nesse instante, os justos mortos ressuscitarão. Em seguida, todos os salvos serão arrebatados para encontrarem com o Senhor nos ares.

Na seqüência, o apóstolo adverte a respeito da necessidade de vigilância enquanto Cristo não volta. Já que não se sabe o dia da sua vinda, é necessário que a igreja esteja em constante vigilância para que seja achada preparada no momento em que Jesus voltar. Assim, o autor prescreve um estilo de vida apropriado para quem está aguardando o Senhor.

Nós não estamos nas trevas (5.5). As trevas caracterizam a condição daquele que é cego ou de quem está dormindo. A cegueira representa a ignorância. O sono representa indiferença ou incredulidade. Se temos conhecimento sobre os últimos dias, não sejamos indiferentes ou incrédulos, pois assim, o conhecimento não nos seria útil.

De acordo com o texto de I Tessalonicenses 4.13, precisamos saber, precisamos do conhecimento. Porém, não saberemos tudo a respeito da segunda vinda de Cristo (5.2). Está então demonstrado o limite do nosso conhecimento e também o limite da nossa pregação e da nossa profecia. Jamais poderemos dizer algo sobre uma possível data da vinda de Cristo. Os que se atreveram a fazê-lo caíram em descrédito e vergonha.

Portanto, "quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição." (5.3). Muitos estão dizendo muitas coisas por aí a respeito da vinda de Cristo e do fim do mundo. Alguns marcam datas, outros negam que tais fatos venham ocorrer. Acreditaremos? Se temos conhecimento e conhecemos bem o limite do que podemos conhecer, então poderemos discernir o erro ou identificá-lo.

O versículo 3 do capítulo 5 nos mostra ainda a impossibilidade da paz mundial até que Cristo volte. Isso pode estar relacionado aos conflitos do Oriente Médio, principalmente a Israel, cuja menção é clara nas profecias dos combates escatológicos.

6 - Saudações finais - 5.25 -28.


quinta-feira, 4 de março de 2021

0 Como reagir a mudanças?




Daniel Lima

Nunca velejei, mas sempre fiquei encantado com o modo como um velejador consegue trabalhar com o vento e se dirigir ao seu destino mesmo que o vento não seja favorável. Entre as poucas certezas que podemos ter em nossas vidas, uma delas é que vamos enfrentar mudanças. E essas mudanças serão surpreendentes, tirarão nosso fôlego e abalarão nossas certezas e planos. Este último ano foi palco de muitas mudanças. E isso não é fruto só da pandemia! Valores, ideias, certezas “inabaláveis” estão sendo questionadas constantemente. Algumas mudanças são perversas e demonstram como o coração do homem está longe de Deus, mas outras são resultado de estudo, descobertas e daquilo que chamamos “graça comum”.

A pandemia, como toda catástrofe, acelerou algumas mudanças que já se apresentavam no horizonte. Por exemplo o “home office”, ou trabalhar em casa. Conheço muita gente que neste último ano se adaptou para conduzir seu trabalho de casa e hoje descobriu que este pode ser tão bem conduzido, às vezes até melhor, a partir de sua própria casa. Muitas escolas tiveram que alterar rapidamente para uma educação à distância e têm obtido resultados excelentes, muito embora muito ainda precise ser feito.

Muito do que estávamos acostumados como igrejas evangélicas teve de ser adaptado durante a pandemia. Encontros e eventos tiveram de ser transformados em atividades online. Igrejas que não puderam fazer a transição ficaram esvaziadas. Não poucos líderes estão ainda hoje sem saber como retomar seus ministérios. Há aqueles que fecham os olhos e continuam exatamente da mesma maneira, crendo que se Deus abençoou um método antes, ele certamente abençoará de novo – o que chamam de fidelidade. Outros adotam novas posturas, tentam aproveitar novidades e modismos. Por fim há aqueles que percebem as mudanças, querem aprender com estas, embora ainda valorizem métodos antigos. Estes entendem que fidelidade, muito acima de ater-se a uma forma, é descobrir como continuar o ministério preservando o que é inegociável.

Fidelidade diante de mudanças é mudar o que precisa ser mudado para preservar o que não pode ser mudado.

Quando mudanças tão abrangentes ocorrem, todos voltamos à estaca zero, ou seja, aquilo que nos levou ao resultado desejado ontem não garante o fruto de amanhã. Os exemplos bíblicos de pessoas tementes a Deus que foram lançados em situações de mudança são inúmeros: Adão e Eva tiveram de se adaptar a um mundo hostil. José teve de aprender os costumes egípcios. Davi teve de se tornar um líder de homens e eventualmente de uma nação. Ester teve de aprender a viver como rainha. Neemias teve de se tornar o reconstrutor de uma cidade arrasada. No Novo Testamento, homens como Pedro, Zaqueu, Cornélio e João tiveram de abandonar não só seus estilos de vida, mas grande parte do que acreditavam.

Diante de mudanças, é natural ficarmos confusos e, de alguma forma, nos agarrarmos ao passado. Fidelidade diante de mudanças é mudar o que precisa ser mudado para preservar o que não pode ser mudado. Talvez o personagem que mais nos deixou suas reações diante de mudanças foi Paulo. Em Filipenses 3 ele escreve sobre como todo seu passado e seus distintivos de glória se tornaram inúteis. Lemos no verso 7: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo”. O que era lucro, o que lhe dava significado e valor, agora era inútil. Mais adiante, lemos nos versos 13-14:

Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Gostaria de compartilhar algumas observações sobre como reagir a mudanças, seja em nosso trabalho, em casa, na igreja ou mesmo na minha caminhada com o Senhor:

1. Identifique a essência. Paulo afirma que prosseguia para o alvo. Qual é o alvo? O que realmente importa? O que é mais importante em seu relacionamento com alguém: manter tradições ou viver em comunhão? Em nossos ministério, o que realmente buscamos: manter programas vivos ou alcançar pessoas para Jesus? Não podemos abrir mão da essência em tempo de mudança, já a forma pode (e talvez deva) ser adaptada ou reinventada.

2. Esqueça o que ficou para trás. Somos criaturas de costumes, nossa tendência é nos apaixonarmos por hábitos. Certamente não foi algo fácil para Paulo dizer que deixou para trás toda sua tradição como fariseu. Para seguirmos a Deus, com frequência, precisamos abandonar formas que nos eram muito queridas e confortáveis.

3. Descubra como continuar avançando. Não é possível manter a essência sem uma forma. Se a antiga maneira de fazer não serve mais, precisamos descobrir de que maneira podemos preservar o que é realmente importante. Se uma forma de manter comunhão com irmãos em Cristo não funciona mais, precisamos descobrir como manter comunhão de outra forma.

4. Cultive sua dependência daquele que não nos abandona. Em vários de seus escritos Paulo deixa claro que seus esforços não se baseiam em suas próprias capacidades. Sua confiança estava naquele que podia cuidar dele e capacitá-lo para enfrentar com vitória todas as situações em que Deus o colocasse. Lemos em Colossenses 1.29: “Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim”.

Minha oração por você e por mim, nestes tempos de mudança, tanto externa como interna, é que nossos corações continuem a olhar para Jesus, o autor e consumador de nossa fé, e que possamos reagir a mudanças com leveza, sem apegos desnecessários, mas igualmente sem abrir mão daquilo que é essência: “‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Lucas 10.27).


Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutor em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.




FONTE: Como reagir a mudanças? | Chamada 
 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

0 A Imortalidade da alma é uma doutrina pagã?


 Prof. Paulo Cristiano da Silva

É muito comum aqueles que não creem na imortalidade da alma, os chamados aniquilacionistas, alegarem que essa doutrina não é bíblica e que entrou no Cristianismo por influência da filosofia grega. Em apoio a isso, costumam citar autoridades teológicas que supostamente reconheceriam o que eles alegam. Nesta palestra de hoje, queremos demonstrar as falácias e erros de argumentação, embutidos na objeção dos apologistas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sobre uma suposta influência grega na doutrina da imortalidade da alma.

 

  1. O QUE É A ALMA?

Etimologicamente, deriva do termo latino animu (ou anima), que significa “o que anima”. Seria a fonte da vida de cada organismo, sendo eterna e separada do corpo. É um termo equivalente ao hebraico néphesh e ao grego psykhé e significa “ser”, “vida” ou ”criatura”.

 

  1. O QUE É IMORTALIDADE DA ALMA?

“A palavra grega que designa esta ideia é athanasía”. Sob a forma negativa (prefixo negativo – i), o termo exprime a noção essencialmente positiva, de vida-sem-fim, daquilo que não é submetido à morte.

 

  1. O QUE CRÊ A IGREJA ADVENTISTA SOBRE A IMORTALIDADE?

“Mas, depois da queda, Satanás ordenou a seus anjos que fizessem um esforço especial a fim de inculcar a crença da imortalidade inerente do homem” (Ellen White – O Grande Conflito).

“Mostramos que a base do espiritismo — a imortalidade da alma — é um dogma fundamental nos credos de quase todas as igrejas” (Uriah Smith – As Profecias de Daniel e Apocalipse, p.461).

“O espiritismo originou-se com a primeira mentira de Satanás a Eva – “É certo que não morrereis” (Gên. 3:4). Suas palavras foram o primeiro sermão sobre imortalidade da alma” (Nisto Cremos, p. 460).

“O homem não possui imortalidade inerente, própria, natural. Ele só adquirirá o toque da imortalidade, se for crente, por ocasião do arrebatamento, na primeira ressurreição, quando Cristo vier buscá-lo […] Quando criado, tinha a imortalidade sob condição, que não soube manter…” (Arnaldo B. Christianini, Subtilezas do Erro, p.162).

 

  1. UM TRATADO MODERNO CONDICIONALISTA

“Ela [doutrina condicionalista] foi elaborada por Edward White, um ministro Congregacional, no seu Life in Christ (1846; expandido e todo reformulado em 1875), onde pretendeu provar pelas Escrituras que a ‘Imortalidade é um privilégio peculiar dos regenerados’, e a teoria encontrou alguns adeptos entre ingleses e americanos bem como pensadores estrangeiros” (The Oxford Dictionary of the Christian Church, 1997, verbete “Imortalidade Condicional”, p. 393.)

4.1 Acusação Contra a Influência Grega na Doutrina da Imortalidade

“Que a cristandade deveria ter recuado sobre especulações pagãs e retornado aos elementos mendigos da filosofia asiática e ateniense como base de esperança, está em consonância com outras partes paralelas da história do pensamento europeu” (White, Edward. Vida de Cristo.  Capítulo VIII – Sobre a imortalidade da alma. 1875).

 

  1. BUSCANDO APOIO EM OSCAR CULMANN

O ser humano foi criado mortal ou imortal? – Oscar Cullmann, em sua célebre obra intitulada Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead? The Witness of the New Testament (Imortalidade da Alma ou Ressurreição da Morte? O que diz o Novo Testamento), demonstra que essa teoria não é um conceito bíblico, mas uma reminiscência da filosofia grega” (Alberto R. Timm – Sinais dos Tempos, maio/junho de 2001. p. 30).

“Em 1956, Oscar Cullmann (Luterano) em uma conferência apresentada na Capela Andover, Universidade de Harvard, argumentou que o entendimento de Platão a respeito da imortalidade da alma, e o ensino cristão da ressurreição dos mortos são totalmente antagônicos” http://leandroquadros.com.br/debate-sobre-a-imortalidade-da-alma-parte-1.

 

  1. O QUE DE FATO DISSE OSCAR CULMANN?

Cullmann estava condenando o conceito bíblico, cristão e evangélico de imortalidade da alma ou condenando apenas o conceito grego de imortalidade da alma?

A discussão de Cullmann sobre a alma começa com seu desacordo com a questão do tempo que é central em sua teologia. O mundo helênico não pode conceber que a libertação pudesse resultar de um ato divino consumado na história temporal. Para eles, a libertação somente é passar dessa existência para o mundo superior: sair do ciclo temporal para o além onde o tempo não existe.

Diz Cullmann que “O Novo Testamento também conhecia evidentemente a distinção entre corpo e alma, ou melhor, entre homem interior e exterior. Porem, esta distinção não significa oposição, como se o homem interior fosse naturalmente bom e o exterior mal. Os dois são essencialmente complementares um ao outro, ambos foram criados bons por Deus. O homem interior sem o exterior não possui existência independente verdadeira. Tem necessidade do corpo […]”

“[…] Tudo o mais que pode fazer é levar, a semelhança dos mortos do Antigo Testamento, uma existência sombria esfumada no sheol, porém isto não é uma vida verdadeira. A diferença com respeito a alma grega é evidente: esta sobrevive sem o corpo e somente sem o corpo pode alcançar seu pleno desenvolvimento […]” (CULLMANN, O., Das origens do Evangelho à formação da teologia cristã. São Paulo: Fonte Editorial, 2004, p. 194 – destaque meu).

“Até certo ponto nos aproximamos da doutrina grega no sentido de que o homem interior, transformado, vivificado pelo Espirito Santo já com anterioridade (Rm 6.3 s.), continua vivendo assim transformado, ao lado de Cristo em estado de sono. Esta continuidade da vida em espirito é assinalada especialmente pelo Evangelho de João (Jo 3.36; 4.14; 6.54 e outros)” (Ibid, p. 2017).

6.1 Leia Lutero Para Entender Cullmann

Afirma Lutero: “Mas agora surge outra questão. Visto que é certo que as almas estão vivas e estão em paz, que tipo de vida ou descanso é este? […] Assim é suficiente para nós sabermos que as almas não saem de seus corpos para o perigo de torturas e punições do inferno, mas que foi preparado para elas um quarto onde elas podem dormir em paz” (Lutero – LW 4:313).

 

  1. A CRENÇA NA IMORTALIDADE DA ALMA TEM ORIGEM NA FILOSOFIA GREGA?

Estamos falando de qual filosofia grega, afinal?

Religião

Havia duas expressões da religião grega:

1) A religião pública – poemas de Homero, cuja antropologia era naturalista e acreditava na mortalidade do homem.

“Nos poemas homéricos (c. séc. VIII a.C.), os usos do termo psyché (ψυχή) podem ser reduzidos a basicamente dois: sombra (σκιά) e força vital, que se extingue com a morte e é aplicável somente aos humanos” (ROBINSON, T. As Origens da Alma: os Gregos e o Conceito de Alma de Homero a Aristóteles. Anna Blume Editora, São Paulo, 2010., pp. 17–18).

2) A religião dos mistérios – “Orfismo”, que fazia separação entre alma e corpo.

Filosofia

3) Filosofia pré-socrática e clássica – com ênfase na imortalidade da alma;

4) Filosofia holística e materialista – escolas filosóficas que rejeitavam a imortalidade da alma: “Epicureos – Estóicos”.

 

  1. PARA REJEITAR A FILOSOFIA GREGA É NECESSÁRIO REJEITAR A IMORTALIDADE DA ALMA?

Não. TERTULIANO É UM CONTRAPONTO

“No âmbito dos Padres Apologistas, Tertuliano é a expressão da tendência antifilosófica que pretendia rejeitar completamente as doutrinas dos gregos” (Reale e Antiseri).

Responde Tertuliano: “E se há os que afirmam que a alma é mortal, é porque o aprenderam dos epicureus; se há os que negam a ressurreição do corpo, é porque o tomaram de todas as escolas filosóficas reunidas; se a matéria é equiparada a Deus, é porque tal é a doutrina de Zênon; e, quando se fala deum Deus de fogo, isto se deve a Heráclito. Hereges e filósofos soem tratar dos mesmos assuntos[…]. […]Que tem a ver Atenas com Jerusalém? Ou a Academia com a Igreja? Ou os hereges com os cristãos? A nossa doutrina vem do pórtico de Salomão, que nos ensina a buscar o Senhor na simplicidade do coração. Que inventem, pois, se o quiserem, um cristianismo de tipo estóico, platônico e dialético! Quanto a nós, não temos necessidade de indagações depois da vinda de Cristo Jesus, nem de pesquisas depois do Evangelho” (De Praescriptione Haereticorum, c.7).

Mas se este for o caso, elas devem precisar ser também mortais, de acordo com a condição da natureza animada; pois, embora a alma seja imortal, evidentemente, esse atributo é limitado exclusivamente a ela: não é estendido para aquilo com o qual está associada, ou seja, o corpo” (Ad Nationes – Livro 2, cap. 3).

8.1 UMA TEOLOGIA  CONDICIONALISTA NO ÉPICO SUMERIANO DE GILGAMESH

Ó Gilgamesh, foi-te dada a realeza segundo o teu destino. A vida eterna não era teu destino. Quando os deuses criaram o homem deram-lhe como atributo a Morte, mas a Vida, a Vida Eterna, essa, só ficou para eles.

 

  1. REFUTANDO AS FALÁCIAS ADVENTISTAS SOBRE A INFLUÊNCIA GREGA NA DOUTRINA DA IMORTALIDADE

9.1 Falácia Genética

“Mesmo que os cristãos viessem a crer na imortalidade da alma por meio da filosofia grega, isso não torna a crença inteiramente falsa. A origem da crença é irrelevante para a veracidade ou falsidade da doutrina”.

 

9.1.2 Exemplos de falácia Genética

“Você só acredita em Deus por que nasceu em um país cristão.”

“Ser vegetariano é errado porque isso surgiu dentro da religião Hindu”.

 

“Você só é trinitariano por que antes acreditava na tríade hindu: Brahma, Vishnu e Shiva”.

“O medo é a única razão para a crença em Deus”.

 

9.2 A Falácia do Apelo à Autoridade

“A citação de algumas autoridades não é prova conclusiva da veracidade do argumento”.

1– Apelar a Bultmann para desacreditar a veracidade dos milagres do Cristianismo;

2– Apelar a Lutero para afirmar a virgindade perpétua de Maria;

3– Apelar a Einstein para provar a existência de Deus;

4– Apelar para Cullmann para apoiar o ecumenismo.

 

9.3 Falácia das Semelhanças

“Constitui em confundir elementos semelhantes com a coisa em si”.

1 – imortalidade da alma entre gregos e cristãos;

2 – morte-ressurreição na religião da Babilônia;

3 – tríades pagãs babilônicas Nemrod-Semiramis-Tammuz e a egípcia Osiris-Ísis-Hórus hindus com a Trindade cristã;

4 – Cruzes pagãs e cruz cristã.

 

9.4 Diferença Entre os Conceitos

Diferença entre a imortalidade da alma grega x imortalidade da alma cristã. O fato de existir uma crença semelhante sobre a imortalidade da alma em religiões pagãs, não significa dependência de uma para com a outra.

 

9.4.1 A Doutrina da Ressurreição em Culturas Pagãs

Egito – com os mistérios de Osíris:  “Por mais que no passado tenhamos traçado as ideias religiosas no Egito, nunca abordamos um tempo no qual pudesse ser dito não ter existido ali uma crença na ressurreição; para todo lugar é assumido que Osíris levantou da morte” (BUDGE, Ernest Alfred Thompson Wallis. As Ideias Egípcias sobre a Vida Futura. (Egyptian Religion: Egyptian Ideas of the Future Life, 1900).Trad. Vera Maria de Carvalho. São Paulo: Madras, 2004.)

 

9.5 ERRO EM NÃO RECONHECER QUE HOUVE UMA REVELAÇÃO ORIGINAL PERDIDA

Crenças básicas judaico-cristãs podem ser encontradas em praticamente todos os povos: a crença em um Deus, em um principio cosmológico, no pecado (erros morais) em um paraíso, na esperança do além-túmulo e até em um dilúvio são elementos comuns na herança religiosa da humanidade.

 

9.6 ERRO EM NÃO RECONHECER QUE O NT FAZ APROPRIAÇÃO DE CONCEITOS GREGOS

Logos, Hades, Arké, a expressão “Ao Deus Desconhecido”, tártaro etc.

 

9.7 ERRO EM NÃO RECONHECER UMA REVELAÇÃO PROGRESSIVA

A revelação doutrinária é progressiva (cf. Dt 32.2; Is 28.10). Doutrinas cristãs como a da Trindade; da personalidade do Espírito Santo; do céu e inferno; da existência dos demônios; da ressurreição dos mortos foram reveladas progressivamente.

 

  1. E QUANTO AO TERMO IMORTALIDADE?

1 – Imortalidade de Deus. De acordo com o apóstolo Paulo, Deus é “o único que possui imortalidade” (1Tm 6.16). Dentro do contexto dessa declaração, essa “imortalidade” refere-se àquilo que na Teologia chamamos “autoexistência”, um atributo exclusivo da Divindade. Como tal, essa propriedade jamais será compartilhada com Suas criaturas. Ser autoexistente significa que Deus é incriado, ou seja, eterno.

2 – Imortalidade da alma. Esse é o tipo de imortalidade que os homens receberam de Deus ao serem criados. Essa imortalidade reside em sua alma, que nunca deixará de existir (Mt 10.28; At 7.59; Hb 12.22, 23; Ap 6.9-11; 20.4, etc.). Nesse sentido, portanto, todos os homens são “imortais”.

3 – Imortalidade do corpo. Segundo a Bíblia, na volta de Jesus SOMENTE os crentes (vivos e mortos) receberão um corpo imortal, que não mais estará sujeito às doenças, envelhecimento e morte (Rm 8.17-23; 1Co 15.51-56; Fp 3.20, 21, etc.).

A imortalidade é um daqueles atributos comunicáveis de Deus como o amor, justiça, imaginação, razão e emoção. Neste sentido podemos falar de compartilhamento e não condicionalismo.

 

CONCLUSÃO

Portanto, o argumento adventista só surtirá efeito se, e tão somente, ele conseguir provar que:  1) essa crença é invenção exclusiva dos gregos e, 2) que a Bíblia oferece um ensino claro e direto contrário à existência da alma fora do corpo.

A imortalidade da alma ressalta de textos claros e inequívocos da Bíblia e é a crença apostólica que atravessou esses dois mil anos de Cristianismo. Renegada sim, todavia, por aqueles que se encontram à margem da ortodoxia cristã.


FONTE: A Imortalidade da alma é uma doutrina pagã? - CACP - Ministério Apologético


 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

0 Apologética Cristã - TJs: A alma morre?


 

Ezequiel 18.4 – Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.

“Assim”, diz a testemunha de Jeová, “a alma morre. Este ver­sículo prova que não há vida consciente depois da morte”. Prova mesmo? Absolutamente não! Primeiro, olhe o contexto. Sobre o que o escritor está falando? Os israelitas estavam murmurando contra Deus, citando o provérbio que dizia: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram” (v.2) ‑ eles estavam argumentando que a punição pelo erro dos pais caía sobre a sua descendência. No versículo 4 esta é a resposta de Deus: “a alma que pecar, essa morrerá”. A Bíblia em linguagem moderna parafraseia adequadamente: “Porque todas as almas são minhas para julgar ‑ pais e filhos de igual maneira ‑ e a minha lei é esta: é pelo seu próprio pecado que um homem morrerá”. Assim, o contexto revela que a palavra inspirada não está falando aqui sobre a condição dos mortos.

A palavra alma é usada em muitos sentidos diferentes através das Escrituras Sagradas. Às vezes se refere à vida de uma pessoa, às vezes à própria pessoa (como faz aqui em Ez. 18:4). E às vezes se refere à parte interior do homem que vive após a morte. As teste­munhas de Jeová dizem que o homem cessa completamente de existir com a morte, que quando o corpo morre, nada é deixado. Mas existem muitos versos das Escrituras Sagradas que provam que elas estão erradas:

Por exemplo, peça‑lhes que procurem Lucas 12:4,5. Sua Tra­dução do Novo Mundo diz: “… não temais os que matam o corpo e depois disso não podem fazer mais nada. Mas eu vos indicarei quem é para temer: Temei aquele que depois da morte tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu vos digo: temei a este. Portanto o corpo de um homem pode ser morto. E ele está morto. Mas alguma coisa pode ser feita a ele depois da morte.  Ele  pode  ser  lançado na Geena”. Se as testemunhas de Jeová dizem que o homem cessou de existir quando o seu corpo foi morto, o que res­taria para ser lançado na Geena?

Da mesma forma, em II Coríntios 5, o apóstolo Paulo escre­veu sobre o corpo como “uma casa terrestre onde vivemos”, acrescentando que “desejamos antes estar ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor”, e advertindo que “por­que é necessário que todos nós sejamos manifestos diante do tri­bunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo…” (v. 1,8‑10). Se as testemunhas de Jeová estivessem cor­retas, que parte de Paulo poderia deixar o corpo para estar com o Senhor?

Você também pode sugerir à testemunha de Jeová que leia Apocalipse 6:9-11 em sua própria Bíblia. Ali fala‑se da “alma dos que tinham sido mortos”, perguntando a Deus quando o seu sangue seria vingado. E acrescenta que “a cada um deles foi dada uma comprida veste branca e foi‑lhes dito que descansassem mais um pouco, até que se completasse também o número dos seus co‑escravos e irmãos, que estavam para ser mortos assim como eles também tinham sido”. Sim, estas almas haviam sido mortas, mas elas são descritas como estando na presença de Deus e estando engajadas em uma conversa com ele.

Fonte de pesquisa: “As Testemunhas de Jeová refutadas versículo por versículo”, David A. Reed; trad. de Marcelus Virgílius Oliveira e Valéria Oliveira. ‑ 2. ed. Rio de janeiro: JUERP, 1990.

FONTE:TJs: A alma morre? - CACP - Ministério Apologético

 

A voz da Palavra Profética Copyright © 2011 - |- Template created by Jogos de Pinguins