quarta-feira, 9 de maio de 2018
1 O verdadeiro pentecostalismo de William Seymour
segunda-feira, 30 de abril de 2018
0 Outros Testemunhos da Azusa
A Missão da Rua Azusa foi um lugar muito humilde. Não havia nenhuma plataforma elevada para o pregador; nenhum instrumento musical fortaleceu as canções. Os bancos eram pobres e não suficientes para encher o edifício; a pregação era tão simples que quase não poderia ser chamada de pregação, mas Deus estava lá. Algumas pessoas de classe alta afirmaram que elas nunca tinham ouvido numa ópera música tão primorosa como quando o Espírito de Deus pairava em cima da congregação, em que foi conhecida como a canção divina.
Cura para o corpo foi ensinado fervorosamente, mas não foi posto em primeiro lugar. Demônios foram expulsos. Mas a adoração foi a coisa principal. A medida que as obras de Deus foram anunciadas, as pessoas vieram de toda parte do continente, entre elas líderes e ministros. Estes foram cheios com o Espírito durante a sua permanência depois da qual eles levaram para seus campos de trabalho a história que Pentecostes tinha vindo novamente como veio para a igreja no princípio.
O jornal "The Apostolic Faith" foi publicado logo, contando sobre o maravilhoso derramamento. A primeira tiragem foi de 5.000 cópias e logo foi para 50.000. Pessoas começaram a chegar de toda parte dos Estados Unidos e Canadá e de lugares diferentes do mundo. O lugar estava lotado de manhã até a noite, com muitas recebendo o batismo o tempo todo. Nós tivemos um culto de Santa Céia e lavagem de pés que durou até o amanhecer. Mais de vinte diferentes nacionalidades estavam presentes, e eles estavam todos em perfeito acordo e unidade do Espírito.
Em anos recentes, eu ouvi pregadores falar levianamente das reuniões da Rua Azusa, dizendo que eles tiveram reuniões tão boas nos seus ministérios. Os velhos só podem sentir compaixão dos tais e podem ter pena deles. Naquelas reuniões você foi batizado não só no Espírito Santo, mas também vivia em tanta atmosfera divina de amor que você nunca pode esquecer disso, e qualquer outras coisa parece tão vazio e nulo. Até mesmo enquanto eu escrevo estas páginas as memórias das reuniões voltam voando, meus olhos começam a fluir com lágrimas e tal desejo e anseio me possuí para poder retornar àquela condição. Eu posso sentir aquele fogo sagrado que ainda queima e tenho a convicção que Deus visitará o Seu povo novamente de uma maneira igual antes do fim da dispensação presente.
Se o povo de Deus só se juntássem e se esquecerem de doutrinas e líderes cuja visão é borrada construindo igrejas e recolhendo dízimos, tendo um só objetivo, de ser enchido de toda a plenitude de Deus, eu sei que Deus responderia à oração. As doutrinas e o ensino têm o seu próprio lugar no plano de evangelho mas aquele poder do amor de Deus que domina e atrai têm que voltar primeiro e a nossa presente condição morna é causada pela falta deste amor que "nada pode ofender."
-- Glenn A Cook, citado no livro "The True Believers" por Larry E Martin
O assunto ou a doutrina da cura divina recebeu atenção especial e muitos casos de libertação de várias doenças e enfermidades foram relatadas mais ou menos continuamente. Igualmente era a doutrina da vinda pré-milenial de Cristo, que foi ardentemente promulgada.
Agora eu estava ansioso para ver o que estava acontecendo na Rua Azusa! Na noite seguinte ela me convidou para ir junto com ela. Quando nós chegamos dentro de um quarterão do prédio de branco de dois andares eu sentia uma "sensação me puxando." Eu não poderia ter me virado se eu quizesse.
Por dentro, o lugar se parecia um grande, simples celeiro. A maioria dos assentos - tabuas ásperas em cima de barris de madeira - estavam ocupados. Havia tantas pessoas negras quanto brancas. Eu não pude entender por que caixas postais de metal foram pregadas às paredes.
Enquanto nós chegamos a um lugar aberto num banco traseiro, eu sentia um frio de repente. Como poderia ser? Então eu comecei a sentir arrepios. Se sentia como se estivesse envolvido por Deus. Eu estava tremendo. Também a minha mãe e todo mundo tremia.
Na plataforma, um homem negro - a mãe disse que era o Pastor W J Seymour - se sentou atrás de duas caixas de madeira. Estas eram o seu púlpito. De vez em quando ele levantava a sua cabeça e se sentava reto, os seus lábios se mexendo em oração silenciosa. Ele era um homem simples, com uma barba curta e um olho de vidro. Ele não parecia ser um líder para mim, mas quando eu vi o que acontecia, eu soube que ele não teve que ser.
Algo incomum estava acontecendo. Na maioria das igrejas, as crianças estariam correndo ao longo do corredor ou se mexendo e virando nos seus assentos. Aqui as crianças, sentado entre os seus pais - atés bebês no braços das suas mães - estavam quietos. Mas não foram os seus pais que as manteveram assim. Ninguém nem sussurrou. Todos os adultos estavam orando com olhos fechados.
Eu soube que o Espírito de Deus estava alí. De repente, as pessoas se levantaram aos seus pés. Em todos lugares mãos se exticaram aos céus. Os meus braços subiram, e eu não tinha tentado os levantar. Assim fez as mãos de crianças menores e até mesmo de bebês nos braços das mães negras.
Homens grandes, fortes começaram a clamar em voz alta, depois as mulheres. Eu tinha vontade de chorar, também. Eu não sei por que. Eu apenas sentia, "Obrigado, Deus, por me permitir estar aqui com Você."
Enquanto eu olhei para a congregação, um outro arrepio correu pela minha espinha. Era como se ondas do mar estivessem movendo de um lado da congregação para o outro - a visão mais emocionante que eu já tinha visto.
Onda depois de onda do Espírito passou pela sala como a brisa em cima de um campo de milho. Novamente a multidão sentou nos seus assentos. E orações começaram a zumbir pela sala. Então línguas de fogo se apareceram de repente sobre as cabeças de algumas pessoas, e um homem negro com seu rosto brilhando pulou aos seus pés. Da boca dele palavras afluíram num idioma que eu nunca tinha ouvido antes. Eu comecei a tremer mais forte que antes.
Ocasionalmente, enquanto Pastor Seymour orava, a sua cabeça estaria tão baixa que esta desapareceu atrás da caixa de madeira. Quando o silêncio voluiu na sala, uma mulher branca pulou do banco.
"Oh, meu bendito Jesus", ela clamou, "Eu posso ver. Eu posso ver." Ela colocou as suas mãos em cima dos seus olhos. "Oh, Jesus, obrigada. Obrigada por este milagre."
E ela mergulhou-se no corredor e começou a dançar, as suas palmas abertas levantadas para céu. "Obrigada, Pai. Eu posso ver. Eu posso ver!"
Antes da noite terminar, uma outra pessoa cega poderia ver, o surdo poderia ouvir e o aleijado poderia caminhar.
-- A C Valdez, citado no livro "The True Believers: Part Two" por Larry E Martin
O Avivamento de Azusa começou onde todo avivamento deveria começar, em lágrimas de arrependimento. Começou em lágrimas, viveu em lágrimas, e quando as lágrimas terminaram o avivamento de Azusa terminou!
Estes líderes, eu entre eles, não acreditam em qualquer tolice ou fanatismo. Assim, quando pregadores dizem que eles viram as pessoas rolando em cima das outras ou uma pessoa fazendo qualquer coisa indecente, eu estou preparado de acreditar que eles estão mentindo maliciosamente, ou que eles encontraram algum fanático e suas obras, que nem o próprio movimento nem seus líderes endossam. Você não vê qualquer coisa deste tipo endossada por qualquer peça de nossa literatura Pentecostal que está inundando o país. Examina isso. Seja sábio.
No outro lado, nós não negamos que é comum vê as pessoas derrubadas debaixo do poder de Deus e caindo no chão, às vezes tremendo debaixo do poder do Espírito, mas elas nunca agem de uma maneira indecente e nunca rolam em cima das outras pessoas, como tem sido relatado. Ordem e refinamento são defendidos por todos os líderes e obreiros responsáveis, e se qualquer coisa indecente e defeituosa acontece, esta não é a culpa do movimento mas de algum fanático, que não faz parte do movimento, quem o diabo enviou para prejudicá-lo.
quinta-feira, 26 de abril de 2018
0 Reflexão Bíblica – Repensando o nosso Protestantismo
“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes,
condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é torpe.” (Efésios
5:11-12)
Introdução: De Protestantes a "Gospel"
Há alguns anos, éramos conhecidos como protestantes: um povo barulhento
e intolerante para com o pecado. Com o tempo, o termo mudou para evangélicos,
trazendo uma mentalidade supostamente mais "aberta" e tolerante.
Recentemente, a nomenclatura mudou novamente: agora somos o povo gospel,
extremamente tolerantes ao pecado e, muitas vezes, partícipes das obras das
trevas que antes condenávamos.
Por que mudamos tanto? Ainda somos um povo que “protesta” contra o erro
e o desvio doutrinário, ou nos tornamos obsoletos e cúmplices da rebeldia
contra Deus?
Onde estão as vozes de protesto?
Abaixo, elenco pontos onde o silêncio tem sido ensurdecedor:
- O Adultério: Não vejo mais
pregadores se levantarem contra a onda devastadora de adultério que tem
invadido o seio da Igreja.
- O Divórcio: O divórcio é
praticado aberta e escancaradamente. Pior: há ministros e "grandes
ministérios" apoiando essa afronta direta ao que Deus estabeleceu.
- A Imoralidade
Juvenil: Silenciaram-se os protestos contra jovens cristãos que vivem como
se casados fossem, mantendo relações sexuais sem temor algum.
- A Idolatria ao
Futebol: O esporte tornou-se um deus. É vergonhoso ver membros trocando o
culto de adoração por um estádio ou pela TV. É ainda mais grave quando um
ministro leva sua família ao estádio — um ambiente muitas vezes recheado
de palavrões e violência — dando um péssimo exemplo e arrastando outros ao
abismo.
- A Idolatria
Nacional: Onde estão os protestantes que se calam diante da idolatria e das
imagens de escultura em nosso país? Teríamos medo de represálias ou de
perder benefícios?
- A Omissão
Política: Onde está a voz dos políticos evangélicos? Por que não protestam
contra a desmoralização da família, o aborto e a morte de inocentes com o
devido vigor?
- Ideologias
Demoníacas: Não podemos nos calar diante da ideologia de gênero, que visa
destruir a identidade de nossas crianças e esfacelar as famílias.
Conclusão
Se observarmos tudo isso de forma impassível, restam apenas duas
conclusões: ou somos covardes e estamos negando o Senhor que nos resgatou, ou
somos cúmplices, comprometendo a santidade da Igreja e maculando o Reino de
Deus.
É tempo de repensar o nosso papel. É tempo de voltar a protestar.
Do vosso conservo em Cristo,
João Augusto de Oliveira
sábado, 21 de abril de 2018
0 William Seymour e o Reavivamento da Rua Azusa
William J. Seymour nasceu em 2 de maio
de 1870 em Centerville, Louisiana, filho dos ex-escravos Simon e Phillis
Seymour que o criaram como crente Batista. Mais tarde, morando em Cincinnati,
entrou em contato com os ensinamentos de santidade através do Movimento
Reavivalista de Martin Wells Knapp e do Movimento Reformado da Igreja de Deus,
liderado por Daniel S. Warner, também conhecidos como os “Luzeiros santos da
escuridão”[1].
Crendo que estavam vivendo o crepúsculo da história humana, estes cristãos
acreditavam que o derramamento do Espirito precederia o arrebatamento da
igreja. Eles ficaram profundamente impressionados com o jovem
Seymour.
Após se mudar para Houston, Seymour
passou a frequentar uma igreja local de afro-americanos pastoreada por Lucy F.
Farrow, ex-governanta na residência de Charles F. Parham. Parham liderou o
Movimento de Fé Apostólica do meio-oeste, o nome original do Movimento
Pentecostal, que havia iniciado em sua Escola Bíblica Betel na cidade de
Topeka, Kansas, em Janeiro de 1901. Desde 1905 ele havia mudado sua base de
operações para a área de Houston, onde conduziu reavivamentos e iniciou outra
Escola Bíblica. Farrow providenciou para que Seymour assistisse as aulas. No
entanto, por causa da Lei Jim Crow de segregação racial da época, Seymour teve
que ouvir as palestras de Parham separado dos outros alunos. Seymour aceitou a
visão sua visão sobre o batismo no Espírito Santo – a crença de que Deus a
qualquer momento daria linguagens inteligíveis – falar em línguas aos crentes
para o evangelismo missionário.
Neeley Terry, uma afro-americana e
membro da nova congregação liderada por Hutchinson em Los Angeles, visitou
Houston em 1905 e ficou impressionado quando ouviu Seymour pregar. Voltando
para casa ela o recomendou para Hutchinson, uma vez que a igreja estava à
procura de um pastor. Como resultado, Seymour aceitou o convite para pastorear
o pequeno rebanho. Com alguma ajuda financeira de Parham, ele viajou de trem
para o oeste e desembarcou em Los Angeles em Fevereiro de 1906.
Reavivamento da Rua Azusa
Seymour imediatamente encontrou
resistência quando, apenas dois dias após sua chegada, começou a pregar para
sua nova congregação que o falar em línguas é a evidência bíblica do batismo no
Espírito Santo. No domingo seguinte, 4 de março, ele voltou para a missão e
descobriu que Hutchinson havia trancado a porta. A condenação também veio da
Associação da Igreja Holiness do Sul da Califórnia, da qual a igreja local era
afiliada. No entanto, nem todos da congregação estavam incomodados com o ensino
de Seymour. Destemido, Seymour, ficando na residência de um membro da igreja,
Edward S. Lee, aceitou o convite de Lee para ministrar estudos bíblicos e
reuniões de oração ali. Depois disso, ele foi para a casa de Richard e Ruth
Asberry, na rua Bonnie Brae Norte, 214. Cinco semanas depois, Lee veio a ser o
primeiro a falar em línguas. Seymour então compartilhou o testemunho de Lee
numa reunião na Bonnie Brae Norte e então muitos outros também começaram a
falar em línguas.
A notícia desses eventos se espalhou
rapidamente tanto nas comunidades afro-americanas quanto nas comunidades
brancas. Durante várias noites, oradores pregavam da varanda para a multidão
rua abaixo. Crentes da Missão de Hutchinson, Primeira Igreja do Novo
Testamento, e várias congregações de santidade, começaram então a orar pelo
batismo Pentecostal. (Hutchinson mesmo foi batizado no Espírito como foi
o próprio Seymour). Finalmente, após a varanda frontal desabar, o grupo alugou
o antigo prédio da Igreja Episcopal Metodista Africana (Stevens African
Methodist Episcopal – A.M.E), na rua Azusa, 312 no início de abril. Um jornal
de Los Angeles se referiu a isso como um “barraco desabado”. Recentemente tendo
sido usado como estábulo e estalagem. Madeira de demolição e gesso espalhados
pelo local, mais parecendo um celeiro.
As reuniões da Missão da Fé Apostólica
rapidamente chamaram a atenção da imprensa, devido à natureza incomum dos
cultos. Entre 300 e 350 pessoas podiam entrar na estrutura de madeira pintada
de branco que media 12 metros por 18, enquanto muitas outras, às vezes, ficavam
do lado de fora. Os cultos eram realizados no primeiro andar, onde os bancos
foram dispostos de maneira retangular. Alguns eram simplesmente tábuas pregadas
sobre barris vazios. Não havia plataforma elevada e não havia púlpito no início
do reavivamento.
Apesar de muitos poderem ser
considerados líderes, o mais conhecido foi o modesto William J. Seymour. Frank
Bartleman, um dos primeiros participantes, recorda que o “Irmão Seymour
geralmente sentava atrás de duas caixas de sapato vazias, uma sobre a outra[2].
Ele geralmente mantinha a cabeça elevada durante a reunião, em oração. Não
havia orgulho lá… Naquela velha construção, com suas vigas baixas e piso bruto,
Deus quebrou homens e mulheres fortes em pedaços, e os juntou novamente, para
Sua Glória… O ego religioso rapidamente pregou seu próprio sermão fúnebre.”[3]
O segundo andar serviu como escritório
da Missão e residência para várias pessoas, incluindo Seymour e sua esposa
Jenny. Também tinha uma grande sala de oração para acomodar o excedente de
pessoas do culto do andar inferior. Um observador descreveu o espaço: “Lá em
cima é uma grande sala mobiliada com cadeiras e três pranchas de madeira
colocadas de fora a fora sobre cadeiras sem encosto. É o cenáculo Pentecostal,
onde almas santificadas buscam a plenitude Pentecostal e saem falando novas
línguas”.[4]
Ainda assim, o reavivamento avançava
lentamente durante os meses de verão, com apenas 150 pessoas recebendo o
“Batismo com o Espírito Santo e a evidência bíblica”. Mas isso mudou no outono,
quando o reavivamento ganhou ímpeto e pessoas de toda a parte começaram a
participar. O missionário Bernt Bernsten viajou desde o norte da China para
investigar os acontecimentos após ouvir que a prometida chuva serôdia havia
sido derramada.
Histórias do reavivamento rapidamente
se espalharam pela América do Norte, Europa e outras partes do mundo por onde
os participantes viajaram, testemunharam e publicaram artigos em publicações
simpatizantes à santidade. O Periódico “A Fé Apostólica” foi
particularmente influente através dos trabalhos editados por Seymour e Clara
Lum, publicados entre setembro de 1906 e maio de 1908. Distribuídas
gratuitamente, milhares de ministros e leigos receberam cópias, tantos nos EUA
como no exterior: 5.000 cópias foram impressas na primeira edição (setembro de
1906), e em 1907 a tiragem chegou a 40.000 exemplares.
A maioria dos que visitaram a Missão
receberam o revestimento do Batismo no Espírito Santo e foram capacitados com
dom de línguas para pregação do evangelho por toda a parte. Isto lhes permitia
ignorar o incômodo do estudo formal da língua. A Fé Apostólica relatou: “Deus
está resolvendo o problema missionário, enviando missionários com novas línguas
no modelo de fé apostólica, sem bolsa nem alforje, e o Senhor ia adiante deles,
preparando o caminho”. Missionários alojados no local, de passagem para outra
Missão também participavam e falavam em línguas e, em alguns casos eram
identificadas as línguas faladas. Os ouvintes, no entanto, geralmente dependiam
do Senhor para identificar as línguas que ouviam.
Afro-americanos, latinos, brancos e
outros tantos oravam e cantavam juntos, criando uma dimensão de unidade
espiritual e igualdade quase sem precedentes para a época. Isto permitiu a
homens, mulheres e crianças participar e celebrar sua unidade em Cristo guiados
pelo Espírito. Na verdade, foi tão incomum essa mistura de negros e brancos que
Bartleman entusiasmadamente exclamou: “A linha da cor foi apagada pelo
sangue”[5]. Ele
quis dizer que na obra santificadora do Espírito Santo, o pecado do preconceito
racial foi removido pelo sangue purificador de Jesus Cristo.
Enquanto isso, no final do verão de
1906, Chales Parham iniciou outro reavivamento Pentecostal em Zion City,
Illinois, entre os seguidores do curandeiro nacionalmente conhecido John
Alexander Dowie. Só em outubro Parham foi para a Califórnia, na esperança de
consolidar os fiéis de Los Angeles dentro de uma rede mais ampla de crentes da
Fé Apostólica e, segundo, para aproveitar o que considerava ser um desenfreado
entusiasmo religioso. Como isso aconteceu, a adoração emocional e,
particularmente a mistura de brancos e negros ofendeu profundamente a Dowie.
Parham colocou a culpa em Seymour.
A maioria dos fiéis da Azusa permaneceu
leal a Seymour depois que Parham designou algumas pessoas para estabelecer uma
missão rival. Após poucos anos do seu início, a Missão de Fé Apostólica
tornou-se predominantemente negra com Seymour ainda como pastor. Anos mais
tarde, o preconceito aflorou também lá, quando o próprio Seymour destituiu
pessoas brancas dos cargos de liderança, reservando-os para os negros.
O legado de Seymour
Numa escala mundial, o reavivamento da
rua Azusa contribuiu para uma nova diáspora de missionários antecipando que a
evangelização mundial seria alcançada pela pregação do evangelho acompanhada de
sinais e maravilhas (Atos 5.12). Embora apenas um pequeno número de
missionários viajaram da Azusa para ministrar em outras partes, isto impactou
muitos outros que iniciaram movimentos Pentecostais surgidos como resultado de
ouvirem notícias do derramamento do Espírito em Los Angeles. Para muitos o
reavivamento da rua Azusa finalmente inaugurou o grande reavivamento do fim dos
tempos.
Muito mais poderia ser dito sobre a
influência a longo prazo do reavivamento e do “Bispo” William J. Seymour (um
título honorário que recebeu mais tarde, provavelmente de sua congregação). As
limitações deste artigo, contudo, impossibilitam uma discussão mais longa.
Vamos olhar especificamente o legado de Seymour.
Para começar, devemos notar que ele
modelou uma genuína humildade, que muitos aclamaram. Ele desejava promover a
unidade entre os seguidores do Espírito Santo na Azusa e encorajava-os a serem
sensíveis à direção do Espírito para os serviços ali. Fotografias retratam-no
como uma pessoa calorosa, amigavelmente sorridente e de estatura mediana. A
luta de Seymour contra a varíola o deixou cego do olho esquerdo.
No entanto, o ministério de Seymour não
veio sem um preço. Ele pessoalmente suportou duras críticas de seus oponentes –
líderes do movimento de santidade não simpáticos ao pentecostalismo, bem como o
desprezo de Parham e mais tarde de Frank Bartleman. Como as denominações
pentecostais de brancos registram e contam suas histórias, Seymour foi
esquecido, em parte porque ele não contribuiu para fundação do movimento, em
parte porque a seu ver foi em Topeka o início de tudo e em parte devido à
prioridade dada por ele ao evangelismo acima da preservação do registro
histórico. Seymour também partia do princípio que o falar em línguas é a
evidência física do Batismo no Espírito Santo. Tudo isso contribuiu para que
Seymour se tornasse uma figura quase esquecida na história Pentecostal.
A grandeza de Seymour hoje pode ser
encontrada na sua preocupação com revestimento espiritual e união. O foco em
Topeka e outros reavivamentos pentecostais está na necessidade dos Cristãos em
receber o Batismo no Espírito Santo para ganhar almas para Cristo. A dinâmica
inter-racial e intercultural sem precedentes na Azusa, no entanto, acentuam
tanto a santidade de caráter e poder para testemunhar em uma demonstração
incomum do amor e igualdade no corpo de Cristo. A este respeito, isto
poderosamente nos lembra que a plenitude do poder Pentecostal iludirá aqueles
que buscam por poder em seus ministérios acima do caráter cristão.
A expansão missionária da igreja
primitiva como registrada no livro de Atos, destaca o fato de o derramamento
Pentecostal abraçou pessoas que eram consideradas impuras pelos padrões
judaicos. O derramamento do Espírito em Samaria (Atos 8) e entre os gentios
(Atos 10) ensinou aos primeiros cristãos que a obra redentora de Deus supera as
barreiras raciais e culturais. A humanidade caída sempre atribuiu a tais
diferenças mais importância que Deus designou e assim acabam tiranizando a obra
criadora de Suas mãos. Porque eles já tinham sido “batizados em Cristo” e
“revestido de Cristo” Paulo alerta os Cristãos Gálatas, “Nisto não há judeu nem
grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um
em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28)
No dia de pentecostes, judeus vindos de
todas as nações ficaram maravilhados ao ouvirem louvores a Deus em seu próprio
idioma (Atos 2.5-13). Alguns seriamente perguntaram: “O que isto significa?”
Outros zombaram e não deram importância à ocasião. No entanto, Pedro colocando
as coisas numa perspectiva divina, referiu-se às palavras de Joel: “Nos últimos
dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos” (Atos 2.17,
NVI).
Em setembro de 1906, a primeira edição
da Fé Apostólica relatou: “Em pouco tempo, Deus começou a manifestar seu poder
e logo o prédio não poderia conter as pessoas. Orgulhosos pregadores
bem-vestidos têm vindo para nos ‘investigar’. Em pouco tempo, seus olhares
altivos são substituídos por admiração, então a convicção vem e muito
frequentemente você vai encontrá-los chafurdando no chão sujo, pedindo a Deus
que os perdoe e os faça como crianças.”
O reavivamento da rua Azusa ilustrou a
verdade fundamental sobre a aquisição de poder espiritual: o desejo de amar ao
próximo e ganhar o mundo para Cristo começa com quebrantamento, arrependimento
e humildade.
Título original: William
Seymour and the Azusa Street Revival
Tradução: Gabriel Wilges
[1] Eles
ficaram conhecidos assim em razão dos horários das reuniões que se davam ao
entardecer ou à noite.
[2] Talvez
um gazofilácio improvisado para recolher dízimos e ofertas.
[3] Bartleman,
p. 58
[4] STANLEY
H. Frodsham, With Signs Following. Springfield:
Gospel Publishing House, 1941, p. 34
[5] Bartleman,
xviii
FONTE: teologiacarismatica.com.br/william-seymour-e-o-reavivamento-da-rua-azusa/
sexta-feira, 13 de abril de 2018
0 Porque Tarda o Pleno Avivamento?
domingo, 8 de abril de 2018
0 Por que não se prega mais o “Arrebatamento da Igreja e a Segunda Vinda de Jesus”?
Marcos 13:26-27






