"Se alguém quer vir
após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me." — Mateus 16:24
Introdução - Se pudéssemos colocar em uma mesma sala os primeiros seguidores de
Cristo e alguns dos pregadores mais proeminentes da atualidade, o silêncio
seria constrangedor. De um lado, homens e mulheres marcados pelo sol do
deserto, com roupas gastas, cicatrizes nas costas e o olhar firme de quem sabia
que pregar a verdade custaria a própria vida. Do outro, terno sob medida,
holofotes, iluminação de LED, assessoria de imprensa e um discurso
perfeitamente calculado para não ofender ninguém.
Ao olharmos para a história do
Cristianismo, é impossível não se assustar com a distância entre a mensagem
original e o show contemporâneo. O Evangelho que nasceu no sangue dos mártires
parece ter se transformado, em muitos púlpitos modernos, em uma plataforma de
entretenimento e vaidade.
A Poética do Contraste
A discrepância fica clara quando
colocamos lado a lado o destino daqueles que fundaram a Igreja e o estilo de
vida daqueles que hoje dizem representá-la:
- Para o Senhor Jesus, a Cruz; para os pastores atuais, a fama.
- Para os apóstolos, a espada e o martírio; para a elite religiosa de hoje, o busto e o
aplauso.
- Para Paulo, as algemas, a cela fria e o açoite; para muitos pregadores, o camarote VIP e o
jatinho particular.
- Para Pedro, a crucificação de cabeça para baixo; para os vaidosos do púlpito, a busca
incessante por engajamento e likes.
- Para Estêvão, o apedrejamento por dizer a
verdade; para o mercado da fé,
o silêncio estratégico para não perder patrocinadores.
- Para a Igreja primitiva, o deserto e as
catacumbas; para a religiosidade
moderna, o luxo e os palcos iluminados.
"Se alguém quer vir
após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me." — Mateus 16:24
Jesus nunca prometeu facilidades,
palcos ou impérios terrenos aos Seus discípulos. Pelo contrário: alertou que no
mundo teríamos aflições. Os apóstolos entenderam o recado. Eles não pregavam
para serem amados pelas multidões, mas para resgatar os perdidos, ainda que
isso custasse suas cabeças.
Hoje, no entanto, assistimos a uma
perigosa inversão de valores. A cruz — instrumento de vergonha, dor e morte de
si mesmo — foi substituída pela coroa do ego. O discurso de renúncia deu lugar
ao discurso de conquista material. Não se fala mais em "morrer para o
mundo", mas em como usar Deus para dominar o mundo.
Conclusão - Não se trata de glorificar o sofrimento por si só, mas de reconhecer que
o verdadeiro Evangelho custa algo. Quando a mensagem do Reino não custa
nada a quem prega e não exige nada de quem ouve, ela deixa de ser o Evangelho
de Cristo e passa a ser apenas mais um produto de consumo.
Jesus e os apóstolos deram a vida pela
mensagem porque sabiam que ela era inegociável. Eles escolheram a espada, a
cruz e a cela porque os seus olhos estavam postos em uma pátria celestial.
Resta a nós, leitores e praticantes da
fé hoje, fazer uma reflexão sincera: estamos seguindo o Cristo que carregou a
madeira até o Calvário ou os pregadores que usam a fé para erguer seus próprios
tronos? Que possamos voltar à simplicidade e à coragem de uma fé que não busca
o brilho dos holofotes, mas a luz da verdade.
Em Cristo,
João Augusto de Oliveira


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