"Darei às minhas
duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de
pano de saco." (Apocalipse
11:3)
Introdução
Sempre ouço de alguns
leitores da Bíblia a assertiva de que o livro de Apocalipse é dificílimo de
entender — um dos mais difíceis, dizem. Eu não discordo dessa afirmação, mas
completo dizendo que isso não é desculpa para deixarmos de absorver algumas dádivas
oferecidas a nós, cristãos, através desse compêndio de verdades reveladas.
Como o próprio escritor
do livro (o apóstolo João) nos diz, o Apocalipse contém a revelação de Deus
sobre as coisas que são e as que, depois destas, devem acontecer. Ou seja,
quando lemos esse livro, estamos diante de um "noticiário" antecipado
dos céus, mostrando-nos o que aguarda o nosso mundo e a Igreja do Senhor até a
consumação dos séculos.
Se você deseja conhecer o
futuro da Igreja do Senhor e da humanidade em geral, leia a Bíblia,
especialmente o Apocalipse. Os futurólogos desse mundo estão errados, as
previsões astrológicas estão enganadas e os planos dos cientistas serão
frustrados; pois somente a verdade que vem de Deus, revelada através do seu
Espírito aos profetas e apóstolos, é certa e absoluta.
Quem são, afinal de
contas, essas duas testemunhas?
Uma das passagens mais
enigmáticas desse livro é exatamente o capítulo 11, pois trata de um período em
que a Igreja de Cristo não estará mais aqui na Terra.
Certa vez, durante uma
aula de teologia, ouvi de um professor que essas duas testemunhas seriam Elias
e Enoque. Segundo ele, estes dois profetas não provaram a morte, e importa que
todos se submetam a essa lei universal (Hebreus 9:27). Após ouvir a sua exposição,
tive que discordar por algumas razões que apresentarei aqui para os senhores.
Primeiramente, convém
destacar dois pontos importantes antes de prosseguir:
- A)
A teoria desses dois profetas não é a única apresentada pelos teólogos
escatologistas. Alguns ainda creem que serão Elias e Moisés, o Antigo e o
Novo Testamento, ou a Lei e a Graça. Resumindo, são muitas as teorias que
tentam responder a essa pergunta que intriga o imaginário de milhões de
pessoas ao longo desses dois mil anos de cristianismo.
- B)
Não pretendo, neste singelo comentário, esgotar um assunto tão vasto e
denso, no qual grandes estudiosos tentaram e falharam.
Diante da Palavra de
Deus, uma das coisas que podemos e devemos ter é humildade. Devemos
reconhecer onde termina aquilo que Deus nos revelou, aquilo que podemos
teorizar e as coisas que Deus guardou apenas para si em mistério (Deuteronômio
29:29). Ultrapassar esse limite pode significar a barreira entre a vida e a
morte, entre a Nova Jerusalém e o Hades (1 Coríntios 4:6; Apocalipse 22:18-19).
Refutando as teorias
tradicionais
1. Por que não são
Elias e Enoque?
- Não acredito que essas duas testemunhas sejam
Elias e Enoque porque, apesar de eles não terem morrido, os seus traslados
da Terra são símbolos da Igreja de Cristo, a qual será arrebatada antes
que venha sobre esse mundo a Grande Tribulação.
- Uma vez vindo à Terra na figura dessas
testemunhas e morrendo (Apocalipse 11:7), eles perderiam completamente
esse simbolismo.
- Se aceitarmos a ideia de esses dois profetas
veterotestamentários voltando dos céus para obter corpos mortais,
profetizar e, por fim, morrer, ficamos em débito com uma pergunta que não
quer calar: Por que Deus mandaria dois homens que estão há milênios nos
céus retornar à Terra para morrer? Isso faz algum sentido para os
senhores?
2. Por que não são
Moisés e Elias?
E se aceitarmos a
hipótese de que sejam Moisés e Elias, pois esses dois foram poderosos nas mãos
de Deus, operando sinais e dominando o fogo dos céus (2 Reis 1:10) para
castigar os seus inimigos?
Esta é uma teoria
interessante, reconheço. Porém, mesmo a ela devemos fazer algumas ressalvas:
- Moisés morreu, conforme o relato de Josué em
Deuteronômio 34:5-6. Portanto, cogitar a ideia de que ele voltaria aqui à
Terra para morrer novamente é totalmente incompatível com a revelação
bíblica.
- Aceitar o fato de que Deus mandaria esses
dois homens apenas porque eles foram "poderosos nas mãos de
Deus" limita o poder do Senhor. Se acreditarmos assim, aceitaremos o
fato de que Deus não pode levantar outro homem igual em nossos dias.
3. Por que não são o
Antigo e o Novo Testamento (ou a Lei e a Graça)?
Ficamos totalmente
confusos se assim admitirmos, pois o relato de Apocalipse 11 trata de pessoas
reais vivendo aqui na Terra em carne e osso, durante um período que corresponde
aos primeiros três anos e meio da Grande Tribulação, e não de personagens meramente
simbólicos (Apocalipse 11:3).
A nossa perspectiva:
Dois profetas atuais
Após essas objeções que
não podem ser ignoradas, resta-nos apenas dizer que, no nosso modesto ponto de
vista, essas testemunhas não são Elias, Enoque, Moisés, o A.T. e N.T. ou a Lei
e a Graça. Elas são dois profetas que Deus levantará durante esse
período sombrio para testemunhar e pregar, fazendo oposição ao governo ímpio do
Anticristo (a Besta) que reinará nesse período de caos e sofrimento.
A ideia de dois profetas
levantados das nações viventes funda-se no fato de que o relato fala de dois
homens que não serão ignorados pelos seus conterrâneos como estranhos (o que
aconteceria se fossem profetas antigos). Eles exercerão os seus ministérios nas
ruas da grande cidade onde o Senhor deles (Jesus) também foi crucificado, ou
seja, em Jerusalém (Apocalipse 11:8).
Esses profetas serão
levantados provavelmente dentre os judeus, pois, do contrário, eles não teriam
liberdade de profetizar em Jerusalém durante esse período de falsa paz
orquestrada pelo Homem do Pecado (2 Tessalonicenses 2:3).
As quatro frentes de
pregação na Tribulação
Tão logo a Igreja seja
arrebatada da Terra pelo Senhor Jesus (o que acontecerá em breve), Deus
levantará quatro frentes para anunciar o Evangelho do Reino durante a
Tribulação. Como Deus nunca ficou sem testemunho na Terra, mesmo nos períodos
mais sombrios da história humana, acredito que nesse período não será
diferente.
Quando a Igreja
desaparecer do cenário mundial, logo em seguida levanta-se o Anticristo para
reinar. Nesse momento, surgirão quatro frentes de batalha para pregar o
Evangelho Eterno e anunciar os flagelos que virão a esta Terra:
- A)
Os que não subiram com Jesus no arrebatamento (Lucas 17:36);
- B)
Os 144 mil assinalados de todas as tribos de Israel (Apocalipse 14);
- C)
Os dois anjos que anunciarão o Evangelho (Apocalipse 14:6-8);
- D)
As duas testemunhas (Apocalipse 11:3).
Conclusão
O mais importante a ser
dito aqui é que, quando esses eventos ocorrerem, a Igreja Imaculada do Senhor
Jesus (você faz parte dela?) não estará mais aqui neste mundo. Estaremos
nos céus de glória participando da coroação dos santos e das Bodas do Cordeiro.
Portanto, PREPARE-SE!
Pois o grande Dia do Senhor está perto. Os que têm sede venham e tomem de
graça da fonte da água da vida. Pois aquele que testifica estas coisas diz:
Certamente, cedo venho.
MARANATA! Ora, vem,
Senhor Jesus! (Sofonias 1:7;
Apocalipse 22:17; 22:20-21).
Que a paz e a graça de
Nosso Senhor Jesus Cristo sejam convosco,
João Augusto de
Oliveira



Parabéns! Bela postagem e muito esclarecedora. Que o Senhor te abençoe muitíssimo e continue te iluminando! Paz
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