domingo, 2 de outubro de 2016

1 REFLEXÃO BÍBLICA – Quem são as duas Testemunhas de Apocalipse 11?




"Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco." (Apocalipse 11:3)

Introdução

Sempre ouço de alguns leitores da Bíblia a assertiva de que o livro de Apocalipse é dificílimo de entender — um dos mais difíceis, dizem. Eu não discordo dessa afirmação, mas completo dizendo que isso não é desculpa para deixarmos de absorver algumas dádivas oferecidas a nós, cristãos, através desse compêndio de verdades reveladas.

Como o próprio escritor do livro (o apóstolo João) nos diz, o Apocalipse contém a revelação de Deus sobre as coisas que são e as que, depois destas, devem acontecer. Ou seja, quando lemos esse livro, estamos diante de um "noticiário" antecipado dos céus, mostrando-nos o que aguarda o nosso mundo e a Igreja do Senhor até a consumação dos séculos.

Se você deseja conhecer o futuro da Igreja do Senhor e da humanidade em geral, leia a Bíblia, especialmente o Apocalipse. Os futurólogos desse mundo estão errados, as previsões astrológicas estão enganadas e os planos dos cientistas serão frustrados; pois somente a verdade que vem de Deus, revelada através do seu Espírito aos profetas e apóstolos, é certa e absoluta.


Quem são, afinal de contas, essas duas testemunhas?

Uma das passagens mais enigmáticas desse livro é exatamente o capítulo 11, pois trata de um período em que a Igreja de Cristo não estará mais aqui na Terra.

Certa vez, durante uma aula de teologia, ouvi de um professor que essas duas testemunhas seriam Elias e Enoque. Segundo ele, estes dois profetas não provaram a morte, e importa que todos se submetam a essa lei universal (Hebreus 9:27). Após ouvir a sua exposição, tive que discordar por algumas razões que apresentarei aqui para os senhores.

Primeiramente, convém destacar dois pontos importantes antes de prosseguir:

  • A) A teoria desses dois profetas não é a única apresentada pelos teólogos escatologistas. Alguns ainda creem que serão Elias e Moisés, o Antigo e o Novo Testamento, ou a Lei e a Graça. Resumindo, são muitas as teorias que tentam responder a essa pergunta que intriga o imaginário de milhões de pessoas ao longo desses dois mil anos de cristianismo.
  • B) Não pretendo, neste singelo comentário, esgotar um assunto tão vasto e denso, no qual grandes estudiosos tentaram e falharam.

Diante da Palavra de Deus, uma das coisas que podemos e devemos ter é humildade. Devemos reconhecer onde termina aquilo que Deus nos revelou, aquilo que podemos teorizar e as coisas que Deus guardou apenas para si em mistério (Deuteronômio 29:29). Ultrapassar esse limite pode significar a barreira entre a vida e a morte, entre a Nova Jerusalém e o Hades (1 Coríntios 4:6; Apocalipse 22:18-19).


Refutando as teorias tradicionais

1. Por que não são Elias e Enoque?

  1. Não acredito que essas duas testemunhas sejam Elias e Enoque porque, apesar de eles não terem morrido, os seus traslados da Terra são símbolos da Igreja de Cristo, a qual será arrebatada antes que venha sobre esse mundo a Grande Tribulação.
  2. Uma vez vindo à Terra na figura dessas testemunhas e morrendo (Apocalipse 11:7), eles perderiam completamente esse simbolismo.
  3. Se aceitarmos a ideia de esses dois profetas veterotestamentários voltando dos céus para obter corpos mortais, profetizar e, por fim, morrer, ficamos em débito com uma pergunta que não quer calar: Por que Deus mandaria dois homens que estão há milênios nos céus retornar à Terra para morrer? Isso faz algum sentido para os senhores?

2. Por que não são Moisés e Elias?

E se aceitarmos a hipótese de que sejam Moisés e Elias, pois esses dois foram poderosos nas mãos de Deus, operando sinais e dominando o fogo dos céus (2 Reis 1:10) para castigar os seus inimigos?

Esta é uma teoria interessante, reconheço. Porém, mesmo a ela devemos fazer algumas ressalvas:

  1. Moisés morreu, conforme o relato de Josué em Deuteronômio 34:5-6. Portanto, cogitar a ideia de que ele voltaria aqui à Terra para morrer novamente é totalmente incompatível com a revelação bíblica.
  2. Aceitar o fato de que Deus mandaria esses dois homens apenas porque eles foram "poderosos nas mãos de Deus" limita o poder do Senhor. Se acreditarmos assim, aceitaremos o fato de que Deus não pode levantar outro homem igual em nossos dias.

3. Por que não são o Antigo e o Novo Testamento (ou a Lei e a Graça)?

Ficamos totalmente confusos se assim admitirmos, pois o relato de Apocalipse 11 trata de pessoas reais vivendo aqui na Terra em carne e osso, durante um período que corresponde aos primeiros três anos e meio da Grande Tribulação, e não de personagens meramente simbólicos (Apocalipse 11:3).


A nossa perspectiva: Dois profetas atuais

Após essas objeções que não podem ser ignoradas, resta-nos apenas dizer que, no nosso modesto ponto de vista, essas testemunhas não são Elias, Enoque, Moisés, o A.T. e N.T. ou a Lei e a Graça. Elas são dois profetas que Deus levantará durante esse período sombrio para testemunhar e pregar, fazendo oposição ao governo ímpio do Anticristo (a Besta) que reinará nesse período de caos e sofrimento.

A ideia de dois profetas levantados das nações viventes funda-se no fato de que o relato fala de dois homens que não serão ignorados pelos seus conterrâneos como estranhos (o que aconteceria se fossem profetas antigos). Eles exercerão os seus ministérios nas ruas da grande cidade onde o Senhor deles (Jesus) também foi crucificado, ou seja, em Jerusalém (Apocalipse 11:8).

Esses profetas serão levantados provavelmente dentre os judeus, pois, do contrário, eles não teriam liberdade de profetizar em Jerusalém durante esse período de falsa paz orquestrada pelo Homem do Pecado (2 Tessalonicenses 2:3).


As quatro frentes de pregação na Tribulação

Tão logo a Igreja seja arrebatada da Terra pelo Senhor Jesus (o que acontecerá em breve), Deus levantará quatro frentes para anunciar o Evangelho do Reino durante a Tribulação. Como Deus nunca ficou sem testemunho na Terra, mesmo nos períodos mais sombrios da história humana, acredito que nesse período não será diferente.

Quando a Igreja desaparecer do cenário mundial, logo em seguida levanta-se o Anticristo para reinar. Nesse momento, surgirão quatro frentes de batalha para pregar o Evangelho Eterno e anunciar os flagelos que virão a esta Terra:

  • A) Os que não subiram com Jesus no arrebatamento (Lucas 17:36);
  • B) Os 144 mil assinalados de todas as tribos de Israel (Apocalipse 14);
  • C) Os dois anjos que anunciarão o Evangelho (Apocalipse 14:6-8);
  • D) As duas testemunhas (Apocalipse 11:3).

Conclusão

O mais importante a ser dito aqui é que, quando esses eventos ocorrerem, a Igreja Imaculada do Senhor Jesus (você faz parte dela?) não estará mais aqui neste mundo. Estaremos nos céus de glória participando da coroação dos santos e das Bodas do Cordeiro.

Portanto, PREPARE-SE! Pois o grande Dia do Senhor está perto. Os que têm sede venham e tomem de graça da fonte da água da vida. Pois aquele que testifica estas coisas diz: Certamente, cedo venho.

MARANATA! Ora, vem, Senhor Jesus! (Sofonias 1:7; Apocalipse 22:17; 22:20-21).

Que a paz e a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam convosco,

João Augusto de Oliveira


1 comentários:

  1. Parabéns! Bela postagem e muito esclarecedora. Que o Senhor te abençoe muitíssimo e continue te iluminando! Paz

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