sexta-feira, 15 de outubro de 2021

0 Dá Páscoa para a Ceia

 




“… Lembrai-vos deste mesmo dia…” (Ex 13:3)

Isto foi dito acerca da Páscoa.

À luz desta afirmação vale lermos também Êxodo 12:14: “Este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Se­nhor; nas vossas gerações o ce­lebrareis por estatuto perpétuo”. “Guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre” (1). A solenidade da Páscoa e a sua mensagem profé­tica exigia a solene advertência feita por Deus ao povo de Israel.

Por que Deus insistia tanto em que este dia – o dia em que os exércitos de Israel saíram da dura escravidão do Egito para a li­berdade da Terra Prometida – es­tivesse constantemente nos co­rações e nas mentes dos Israeli­tas? Por que tinham de lembrar sempre, com muita solenidade e não menos temor, este dia da li­bertação duma escravidão ver­gonhosa que durara 400 anos na terra de Faraó? Que efeito deveria ter esta libertação nas suas vidas?

A tal ponto o acontecimento se reveste de solenidade que, ao perguntarem pela vida fora os seus descendentes “Que culto é este vosso?” (2), eles teriam de contar a velha história, e com tal gama de pormenores e sentido de reverência e gratidão, que o fato deveria assumir para com os descendentes, em todo o tempo da sua história os mesmos sen­timentos de libertação, de gozo, de providência e ação divina reveladas naquela noite solene. Sim, naquela noite quando o sangue do cordeiro, aspergido nas ombreiras e na verga das portas de suas casas no Egito, fora o sinal da proteção, da passagem misericordiosa de Deus sobre suas habitações, poupando a vida dos seus pri­mogênitos (3).

Não seria a lembrança daquele glorioso livramento, um motivo que os devia compelir a uma vida de fidelidade ao Senhor? Como os seus corações não deveriam estar cheios de gratidão?! Como poderiam eles esquecer Deus, que tão graciosamente lhes mos­trara a Sua grande misericórdia?

A lembrança da libertação de­les também deveria ser para cada israelita, um motivo não apenas de fidelidade, mas igualmente de consagração total da vida e dos seus bens. Nisso estava o fun­damento da sua redenção. Deus reclamava, como sendo Sua propriedade, todos os primogê­nitos dos filhos de Israel, como igualmente os filhos dos animais – os primogênitos que o Senhor poupara -, como representantes de toda a família e de todos os animais. É deveras importante o significado desta plena consa­gração. Mais adiante, no serviço do culto, os levitas serão dados em lugar dos primogênitos, e to­dos os animais limpos que abris­sem a madre como meio de sa­crifício pelos pecados do povo.

“FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”. – Isto foi dito pelo Senhor Jesus naquela noite so­lene em que Ele comeu a Páscoa com os Seus discípulos e a seguir instituiu a Ceia do Senhor (4). Como o Senhor Jesus Cristo está ansioso para que tenhamos constantemente ante nossos olhos, e nos nossos corações, a lembrança viva da Sua morte na Cruz, mediante a qual fomos re­midos da escravidão do pecado e do poder de Satanás! Que in­fluência a lembrança da Sua Obra vicária deverá ter nas nossas vi­das! Que sublime e que solene o Seu ensino! Eis os desafios:

— À luz de 1 Pedro 1:15- 19, a Cruz constitui o motivo que nos impele a viver uma vida de plena santificação.

— À luz de Coríntios 5:14, 15, a Cruz torna-se o motivo que nos impele a viver uma vida desinteressada, sem ambição das coisas deste mundo.

— Pensemos n’Ele e à luz de Romanos 12:1, e veremos que a Cruz nos impele a viver uma vida de plena dedicação até ao sacrifício.

O assunto quanto à Ceia do Senhor reveste-se de muita so­lenidade. Não é um cerimonial qualquer, não é um ritual que pode ou não passar por alto na experiência dos verdadeiros ser­vos de Deus. Nem é, tão pouco, algo que tenhamos fé de praticar segundo ideias humanas. Nada de ritos pomposos, cerimônias misteriosas! Mas quanto de rea­lidade, de tocante, de influência espiritual! É com verdadeiros sentimentos de amor e gratidão que pensamos naquela cena su­blime – a primeira celebração da Cela do Senhor!

O mesmo Jesus no meio dos discípulos, prestes a ser separado deles, traído, negado, desampa­rado, condenado, vituperado, açoitado e crucificado; não obs­tante consolando-os e instituindo este tocante “Memorial” de Amor, amor que ardia com inextinguível chama pelos Seus, e que levaria Cristo às profundezas de uma dor incomparável, e até inconcebível, a fim de os remir e garantir-lhes bênçãos eternas e celestes!

“FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”- Como isto é sublime na sua simplicidade! Que coisa podia melhor trazer Jesus e o Seu amor à memória do Seu povo, de um modo tão calculado a sensi­bilizar seus corações, como estes símbolos do Seu corpo e do Seu sangue — Seu corpo dado, Seu sangue derramado na morte?

Podemos avaliar a importância que o Senhor liga a esta institui­ção simples mas sublime, pelo facto d’Ele ter pessoalmente, e desde a Glória celeste, comuni­cado os pormenores dela ao apóstolo Paulo, segundo lemos no capítulo 11 da 1 Coríntios, e tendo como remate: “Porque todas as vezes que co­merdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Se­nhor, até que venha”. Meditemos um pouco nessa cena admirável em Jerusalém.

Quem estava presente? Jesus e os Seus discípulos, tendo pe­rante eles os símbolos da Sua morte. É isso exatamente o que sucede hoje em dia, quando o povo do Senhor se reúne para o Seu nome – estão eles e o Senhor no meio deles; diante deles os símbolos da Sua morte, sendo o Espirito Santo neles o poder pelo qual revive neles a memória do Senhor na Sua morte. E, de “cada vez que comerdes este pão e be­berdes este vinho, anunciais a morte do Senhor, até que venha”. Que grande o privilégio de nos reunirmos, como sendo “um só pão e um só corpo”, palavras que nos falam da nossa perfeita uni­dade com o Senhor. É por este motivo que Paulo ensina: “Por­ventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a co­munhão no corpo de Cristo?” (5)

“FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”; “ANUNCIAIS A MORTE DO SENHOR ATÉ QUE VENHA”- Como o Senhor Je­sus deseja que este seja um “Memorial” não apenas perpétuo, até que Ele venha, mas um “Me­morial” sem fermento, pão sem farinha de joio; vinho não feito “a martelo”, como sói dizer-se. Pessoas estranhas cercando a mesa do Senhor? Nem pensar nisso! Pessoas não convertidas a participarem da comunhão no corpo e no sangue de Cristo? Não dá para se admitir!

Comunhão é comunhão, é ter em comum, é ter a mesma fé, ter a certeza do perdão dos pecados, da salvação que os elementos pão e vinho simbolizam. Comu­nhão é viver na luz como Ele está na luz; é amar a verdade no ín­timo; é experimentar a ligação com Deus; é seguir a Sua Palavra; é amar os irmãos; é viver não mais para si mesmo, mas para Aquele que por nós morreu e ressuscitou. É viver na comunhão do Espirito Santo que, através da Ceia do Senhor, nos diz que “Ele vem” (6).

Como é possível subestimar e ainda liberalizar nos nossos dias o valor e importância da Ceia do Senhor? Permitir à Mesa do Se­nhor pessoas que não são salvas; pessoas que ainda não morreram com Cristo e para o pecado; pessoas que têm o nome de cris­tãos mas vivem ainda como pa­gãos, conservando ídolos na sua residência, sintomas de idolatria e culto de demônios nas suas casas e vidas? Qual é o “Memo­rial” que ensinamos aos nossos filhos e às gerações antes da Segunda Vinda do Senhor? Não é possível ser-se “participante da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (7).

O erro subtil de Satanás, “aquela antiga serpente que en­gana todo o mundo”, é fazer-nos crer que é interessante, que será um bom testemunho para as pessoas não salvas, não batizadas, não participantes da membresia da igreja local, as quais fi­cam a saber de uma cerimônia tão linda, de uma cerimônia com um significado tão interessante! E medimos com rigor que para ser-se participante da igreja local, com seus privilégios e deveres, temos de ser batizados com o verdadeiro baptismo cristão; mas quanto à Ceia do Senhor, cujo memorial é tão rigoroso como o foi a Páscoa para os Israelitas, isso não tem tanta importância, e daí “examine-se o homem a si mesmo e assim coma deste pão e beba deste cálice”! É bem-vindo, é livre para tomar parte na Ceia… Filosofia barata. Interpre­tação dupla!

O que Paulo recebeu do Se­nhor e ensinou aos coríntios, ao dar a instrução para a prática deste sublime “Memorial”, foi “que na noite em que Jesus foi traído…” (8). Parece-nos ouvir Cristo a dizer-lhe: “Paulo, nessa noite, quando Eu lavei os pés a Judas Iscariotes, ele saiu e foi vender-me, traiçoeiramente, ci­nicamente aos sacerdotes”. A Ceia do Senhor celebrada de qualquer maneira a fim de im­pressionar alguém, a fim de ser apenas parte de um ritual, cheira-nos a traição. Traição é des­lealdade, intriga, aleivosia, perfí­dia.

Todo o alcance dos propósitos e conselhos de Deus — a revela­ção de Si próprio na plenitude da Sua graça, e os seus propósitos eternos para o Filho do Seu amor -, tudo achou o seu centro na­quilo que a Ceia do Senhor nos fala: a morte de Jesus.

Como podem as nossas almas contemplar aquela cena da morte de Jesus, o centro de duas eter­nidades, sem se dirigirem em profunda adoração ao Pai? As­sim, cada vez que nos reunirmos para celebrar o nosso “Memorial” e nos lembrarmos d’Ele, permita Deus que seja essa também uma ocasião em que havemos de adorar o Pai em espírito e em verdade.

Que a Ceia do Senhor seja apreciada por nós como um dos nossos maiores e mais sublimes gozos cá na Terra. Guarde-nos o Senhor de fazermos festa “com o fermento da maldade e da malí­cia”, mas antes com os asmos da sinceridade e da verdade” (9). Amém!

 (1) Ex 12:24. (2) Ex 12:26b. (3) ver Ex 20:2; Dt 5:6; 6:12; Jl 24:16, 17; Jz 6:8-10. (4) Lc 22:13-20. (5) 1 Co 10:16, 17. (6) Ap 22:17. (7) 1 Co 10:20, 21. (8) 1 Co 11:23. (9) 1 Co 5:8.

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ALFREDO MACHADO, FONTE: REVISTA “ NOVAS DE ALEGRIA” – 199

sábado, 5 de junho de 2021

0 A Ressurreição dos Mortos de Mateus 27.52


 



Jesus ressuscitou primeiro e, em seguida, houve a ressurreição das pessoas mencionadas. Foi essa a ordem dos acontecimentos!

“E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (Mt 27.52).

Se não houver atenção na interpretação do texto bíblico mencionado, pode haver confusão quanto ao momento em que se deu essa ressurreição, pois, aparentemente, os mortos citados ressuscitaram antes do próprio Jesus. Entretanto, em I Coríntios 15.20 lemos que Cristo foi feito as primícias dos que dormem (os mortos salvos), o que está em acordo com a sequência de ressurreições apontada por Paulo: “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda” (I Co 15.23).

Por ocasião da morte de Jesus, o véu do santuário se rasgou em duas partes, a terra tremeu e as rochas se fenderam. Vejamos o que a Bíblia afirma a respeito: “… Abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (v. 52). Esse versículo aparentemente indica que Cristo ressuscitou logo após a ocorrência desses fatos. Mas observando o texto seguinte, chegamos à outra conclusão: “… Saindo do sepulcro depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (v. 53; grifo nosso). Esta declaração joga mais luz sobre o texto e nos esclarece que Jesus ressuscitou primeiro e, em seguida, houve a ressurreição das pessoas mencionadas. Essa foi a ordem dos acontecimentos. Unanimemente, os estudiosos entendem que essas pessoas morreram novamente, o que indica que ressuscitaram em corpos naturais.

Sobretudo, este episódio prenuncia profeticamente que, assim como Cristo morreu, mas ressuscitou, da mesma forma nós, os que estivermos vivos na sua vinda, e os mortos salvos, teremos o nosso corpo mortal transformado (I Co 15.13-23; I Ts 4.13-17).

FONTE: REVISTA “DEFESA DA FÉ” ANO 9 – N° 72


http://www.cacp.org.br/a-ressurreicao-dos-mortos-de-mateus-27-52/

quarta-feira, 21 de abril de 2021

0 Reflexão Bíblica – Vamos todos para o céu?



Texto: Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3.20).

INTRODUÇÃO - Céu, morada do nosso Deus Triúno (Pai, Filho e Espírito Santo).  Eterna habitação dos santos que vencendo as lutas, pecados e armadilhas dessa vida, também irão um dia habitar com o Senhor.

Todos irão para o céu?

Todos querem ir para o céu (exceto alguns loucos que perambulam este mundo), porém será que todos irão realmente para lá? Será que a teoria da “salvação universal” está correta? Ela diz que pelo fato de  Deus ser bom,  no final ele salvará a todos, crentes ou descrentes, justos ou pecadores. Será que ela está certa?

Será que os que desobedecem a Deus e o rejeitam como Senhor irão para o céu?

Os que se recusam a perdoar o próximo irão mesmo morar nesse lugar?

Os que se prostituem ou cometem adultério irão para lá?

E quanto àqueles que conhecem a verdade revelada nas Escrituras, no entanto pregam o erro e distorcem a Palavra de Deus para agradar a multidão, eles também descansarão eternamente nos campos do Senhor?

Devo também citar àqueles que arrecadam milhões das multidões (através de dízimos, ofertas, votos, etc.), mas gastam em seus deleites. Compram mansões e carrões de luxo, vivem nababescamente à custa do pobre e trabalhador, não ajudam o necessitado, nem estendem a mão ao oprimido. Eles também terão um lugar garantido ao lado do Doce Jesus de Nazaré?

Por que não falar daqueles que são políticos e valendo-se do seu cargo roubam a nação, decretam leis injustas, incentivam a promiscuidade e são adoradores de falsos deuses às escondidas; o que acontecerá com eles?

E quanto a você que está lendo, irá para o céu após a morte? Já pensou a respeito disso?

Você sabia que não existem três locais para onde as pessoas vão após a morte? Pois é. A Bíblia diz que são apenas dois: CÉU OU INFERNO. Salvação ou condenação eterna. E quanto a você, para onde vais?

CONCLUSÃO - Bem, eu não quero assustar ninguém, mas infelizmente nem todos os que dizem que vão para o céu estão dizendo a verdade. Leia a Bíblia com carinho e medite nela, fazendo isto com humildade você descobrirá pra onde estás caminhando e poderás, com a ajuda da Graça de Deus, mudar de caminho, antes que seja tarde demais.

Recomendo as seguintes passagens, dentre outras: (Apocalipse 22:15; 1 Coríntios 6:9-10; Efésios 5:5; Apocalipse 21.26-27)

 

Deus te abençoe,

 

       João Augusto de Oliveira

 

 

terça-feira, 20 de abril de 2021

0 Quando Foi Escrita a Bíblia?

 



,,Daniel Conegero

A Bíblia foi escrita entre aproximadamente 1.500 ou 1.400 a.C. e 100 d.C. Isso significa que o primeiro livro da Bíblia foi escrito há quase 3.500 anos, e o último livro há quase 2.000 anos. Isso representa um espaço de tempo de cerca de 1.500 anos entre o primeiro e o último livro a ser escrito.

Obviamente a Bíblia não foi escrita por um único autor. Pelo menos quarenta pessoas foram escolhidas por Deus para participarem desse processo de escrita da Bíblia. Saiba mais quem foram os escritores bíblicos.

O primeiro livro a ser escrito provavelmente foi o livro de Gênesis. O livro de Gênesis foi escrito por Moisés entre 1.500 e 1.400 a.C. no início da formação do povo de Israel como nação. Já o último livro a ser escrito foi o livro do Apocalipse. A maioria dos estudiosos concorda que o apóstolo João escreveu o Apocalipse no final do primeiro século, provavelmente entre 90 e 96 d.C.

Quando o Antigo Testamento da Bíblia foi escrito?

Como foi dito, o Antigo Testamento começou a ser escrito no tempo de Moisés. O próprio Moisés é o escritor dos cinco primeiros livros da Bíblia. Esses livros são chamados de Pentateuco ou Torá. Esses livros foram escritos no período de peregrinação dos israelitas pelo deserto após saírem do Egito.

Editores posteriores também fizeram alguns ajustes de gramática e incluíram algumas informações úteis nesses livros após o tempo de Moisés. Por isso que lemos sobre a morte de Moisés em Deuteronômio, um livro que foi majoritariamente escrito por ele.

Tempos depois outros livros foram escritos por diversos autores. Esses livros registram desde a história de Israel ao entrar na Terra Prometida sob a liderança de Josué, até o período após o exílio judeu na Babilônia. Parte desses livros teve cada qual um escritor, e a outra parte teve vários escritores para cada um dos livros.

Há livros que levaram décadas ou até centenas de anos para serem escritos da forma como os temos hoje. O livro de Salmos é o melhor exemplo disso. Há salmos que foram escritos no tempo de Moisés, enquanto há outros salmos que foram escritos depois do cativeiro babilônico.

Alguns livros não se tem certeza sobre a data exata em que foram escritos. O mais desafiador de todos eles nesse sentido é o livro de Jó. Alguns eruditos sugerem que o livro de Jó pode ter sido um dos primeiros livros a serem escritos. Há até quem pense que Jó pode ter sido escrito antes de Gênesis, embora essa possibilidade seja muito remota. O assunto é tão complexo que outros estudiosos dizem que o livro de Jó pode ter sido um dos últimos livros da Bíblia a ser escrito.

Quando o Novo Testamento da Bíblia foi escrito?

O Novo Testamento foi escrito após o tempo de Jesus. A história registrada no Novo Testamento está separada em aproximadamente 400 anos da história registrada no Antigo Testamento. Esse espaço de tempo é chamado de período interbíblico ou período intertestamentário.

Nesse período de 400 anos alguns livros foram escritos, especialmente com intenção de registrar os acontecimentos históricos da época. Mas nenhum desses livros é considerado inspirado pela tradição judaica e pelos cristãos protestantes.

Esses livros são chamados de apócrifos ou deuterocanônicos. Alguns deles até estiveram presentes na Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento) e mais tarde foram adicionados à versão da Bíblia Católica.

Voltando a história de quando a Bíblia foi escrita, mais precisamente o Novo Testamento, é difícil saber com exatidão quando foi escrito o primeiro desses livros neotestamentários. Muitos estudiosos consideram que a Carta aos Gálatas e a Primeira Carta aos Tessalonicenses foram os primeiros livros do Novo Testamento a serem escritos. Paulo de Tarso teria escrito essas cartas em aproximadamente 50 e 51 d.C.

FONTE: https://estiloadoracao.com/quando-foi-escrita-biblia/

domingo, 4 de abril de 2021

0 Como identificar os falsos profetas



Pr. João Flávio Martinez 

A Bíblia reconhece a existência de falsos profetas (Mt 7.15). Muitas seitas declaram ter profetas. Em consequência, a Bíblia exorta a testarmos aqueles que se dizem profetas (1 Jo 4.1-3).

“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1).

1) – Ele profetizou alguma coisa que não se cumpriu?

“Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele” (Dt 18.20-22).

2) – Ele fala e acontece, mas não aponta para Cristo?

“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, E suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma” (Dt 13.1-3).

3) – Ele faz contato com os espíritos de mortos?

“Nem …quem consulte os mortos” (Dt 18.11).

Os Mórmons: Joseph Smith, em 1823, recebeu uma visita de um homem chamado Moroni, que teria falecido por volta do ano 420 DC. Além de Smith argumentar que conversou com Pedro, Tiago e João. Existem muitos testemunhos de mórmons que afirmam ter recebido visitações de mortos. Para o mormonismo é bem possível se comunicar com os falecidos e até se batizar pelos tais.

EG White da IASD: Numa carta enviada ao seu filho W. C. White em 12 de setembro de 1881 e arquivada pelo White Estate, Ellen G. White afirma que estivera clamando ao Senhor por alguns dias em busca de luz com respeito a seu dever, logo após a morte de seu marido. Certa noite, ela teve um sonho espiritualista, cuja origem White atribuiu ao Senhor e acreditou que houvesse ocorrido em resposta às suas orações! Sonhou que estava dirigindo uma carruagem, quando o seu marido, Tiago White, que falecera em seis de agosto, apareceu-lhe e assentou-se a seu lado e desenvolveu com ela um longo diálogo.

As TJs: O Livro “O Mistério Consumado”, em suas páginas 144 e 256, trouxe as emocionantes palavras: Este verso (Revelação 8:3) mostra que, embora o Pastor Russell tenha transposto a cortina [ou morrido], ele ainda está dirigindo cada aspecto do trabalho de colheita… Nós sustentamos que ele supervisiona… o trabalho a ser feito.

4) – Ele faz uso de meios de adivinhação

“Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico…” (Dt 18.11).

A Congregação Cristã no Brasil (CCB) usa as profecias como um meio de adivinhação.

5) – Ele segue falsos deuses ou ídolos?

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20.3-4).

“Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria” (Cl 3.5) – A Teologia da Prosperidade é idolatria.

6) – Ele nega a divindade de Jesus Cristo?

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” Cl 2.8-9).

Testemunhas de Jeová: Dizem que Jesus é em partes divino, mas não no mesmo nível do Pai, e sim um Deus inferior. Jesus é o Arcanjo Miguel – o mestre de obras de Deus. Essa teoria é chamada de henoteísmo.

Adventistas: Dizem que Jesus é o Arcanjo Miguel, que nasceu com uma natureza pecaminosa, que como homem ficou três dias no sono da alma – apesar disso, dizem acreditar que Ele é a segunda pessoa da Trindade.

Mórmons: Dizem que Jesus é mais um deus entre trilhões de deuses, que Jesus é o irmão de Lúcifer – apesar disso dizem que Ele é divino.

Kardecistas: Não aceitam o Messias como Deus, mas sim como um iluminado reencarnado.

7) – Ele nega a humanidade de Jesus Cristo?

“E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo” (1 Jo 4.3).

A LBV é um exemplo de seita docética, afirmando que Jesus não veio em carne.

8) – Suas profecias desviam o foco central da pessoa de Jesus Cristo?

“Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Ap 19.10).

Os ASD acreditam que o genuíno dom da profecia seria manifesto na Igreja através das mensagens ou escritos de Ellen G. White (“Estudando Juntos” M. Finley, pg. 86) – (Apoc. 19:10).

9) – Ele advoga a abstenção de certos alimentos e carnes e veta o casamento, por razões de ordem espiritual.

“Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1 Tm 4.3).

Adventistas: EG White se enquadra bem neste texto, pois advogava contra o casamento  inter-racial entre brancos e negros e defendia que a ingestão de carne levava o homem a pecar.

“Há pessoas que devem ser despertadas para o perigo de comer carne, que ainda comem carne de animais, pondo assim em risco, a saúde física, mental e espiritual” (Conselhos sobre o Regime Alimentar, pág. 382).

“Mas há uma objeção ao casamento da raça branca com a preta. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitariam a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida” (Veja o Livro – “Mensagens Escolhidas – vol.2” CPB, Sto. André, SP – 1985 nas páginas 343 e 344).

10) – Ele encoraja o legalismo

“Ninguém vos domine a seu bel-prazer …Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças (leis)…”( Cl 2.16,23).

AdventistasA vida, vida eterna, é para todos os que obedecem à lei de Deus” (EGW, SDABC, vol.7, p. 931, citação da Revista da Escola Sabatina, 6 de janeiro de 1980, p. 16) – “Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna” (Testemunhos Seletos, vol. III, p. 23).

Católicos: “Nos últimos anos, a Igreja tem sempre e sempre reiterado que somos salvos pela fé e os sacramentos de fé. AMBOS SÃO NECESSÁRIOS” (J.D. Crichton, Christian Celebration: The Sacraments, p. 65).

Kardecistas“A salvação não se obtém por graça nem pelo sangue derramado por Jesus…” (jornal ‘O Reformador’ p.236, 1951).

 

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mt 7.15)




quinta-feira, 1 de abril de 2021

0 ESBOÇOS BÍBLICOS - Esboço de 1 Tessalonicenses

 




Autor: Paulo
Data : 50 ou 51 d.C.
Local de origem: Corinto
Tema principal: segunda vinda de Cristo.
Textos-chave (no final de cada capítulo): 1.10; 2.19-20; 3.13; 4.13-18; 5.23.
Classificação: escatologia.

Fundação

A igreja dos tessalonicenses foi fundada por Paulo em sua 2ª viagem missionária. Tendo se levantado grande perseguição contra Paulo, este fugiu para Corinto. Depois Timóteo voltou a Tessalônica para saber a situação da igreja afim de informar ao apóstolo. Alguns irmãos haviam morrido e isso preocupava a igreja. Será que os irmãos mortos ficariam para trás quando Jesus voltasse? Para esclarecer o assunto, Paulo escreveu a primeira epístola aos tessalonicenses.

Esboço

1 - Saudações, elogios e exortações - 1.1-10.

2 - O ministério de Paulo em Tessalônica – 2.1-20

3 - Alegria de Paulo com as notícias de Timóteo. 3.1-13

4 - Admoestações sobre questões morais - 4.1-12.

5 - A volta de Cristo, a ressurreição, o arrebatamento, e a necessidade de vigilância. 4.13 a 5.24.

6 - Saudações finais - 5.25 -28.

Esboço comentado

1 - Saudações, elogios e exortações - 1.1-10.

Em sua introdução, Paulo elogia a igreja. Os motivos de elogio são: a fé, o serviço, a influência exemplar, o abandono da idolatria, a esperança, a paciência e receptividade à palavra. Observe o destaque dado a questões espirituais.

O serviço, ou trabalho, está em destaque. Vejamos os verbos empregados nos versículos 9 e 10 do capítulo 1: "Convertestes ... para servirdes ... e esperardes ..." 1.9-10. A preposição "para" nos dá idéia de objetivo. Nós nos convertemos para servir e não para sermos servidos. Estamos neste mundo para fazer a vontade Deus e não para que ele faça a nossa. A igreja espera a segunda vinda de Cristo (v.10), mas, não espera ociosa. Esperamos trabalhando.

A questão do exemplo também está em destaque. Paulo seguia o exemplo de Cristo. Os tessalonicenses seguiam o exemplo de Paulo e tornavam-se exemplo para as outras igrejas (1.6-8). Vemos então uma seqüência de modelos que, assim como os tijolos de uma construção, se sobrepõem e se sustentam. Está aí a importância de nos mantermos em posição de firmeza espiritual. Se cairmos, poderemos causar a queda de outros que se inspiram em nosso exemplo.

2 - O ministério de Paulo em Tessalônica – 2.1-20

No capítulo 2, Paulo fala sobre seu ministério, irrepreensível e baseado em boas motivações. Em suas cartas, muitas vezes o apóstolo fala de seu trabalho nas igrejas. Embora pareça que o autor está muito envolvido com sua própria biografia, isso é de grande importância para nós pois, de outro modo, como teríamos acesso a essas informações? A auto-apresentação de Paulo nos fornece muitos parâmetros para os ministérios eclesiásticos da atualidade.

Sendo perseguido, o apóstolo não recuava, mas se tornava mais ousado ao evangelizar (2.2).

3 - Alegria de Paulo com as notícias de Timóteo. 3.1-13

Paulo saiu de Tessalônica em meio a uma grande perseguição. Ficou então preocupado com os novos convertidos daquela cidade. Será que eles iriam permanecer firmes diante de tanta oposição? Timóteo trouxe então notícias da firmeza espiritual dos tessalonicenses. Isso foi motivo de grande alegria para o apóstolo.

4 - Admoestações sobre questões morais - 4.1-12.

A epístola nos mostra que a igreja dos tessalonicenses estava bem. Contudo, Paulo diz que eles podiam alcançar um estado ainda melhor (4.1,9,10). Sempre existe um nível superior a ser alcançado. Além disso, o autor admoesta contra alguns riscos que poderiam ameaçar a estabilidade espiritual daqueles irmãos. Por isso, o capítulo 4 toca na questão moral. A admoestação que se destaca é a que se refere à prostituição. Entre tantos pecados que poderiam ser citados, por quê Paulo mencionou a prostituição? Esse pecado é mencionado de forma destacada em algumas partes das escrituras porque, juntamente com o adultério, tem se mostrado uma das principais causas de quedas e escândalos (Ap.2.14; I Cor.10.8; Jz.16.1,4; At.15.20; I Cor.7.2).

O capítulo 4 enfatiza a santificação (4.3) pela observância de alguns preceitos fundamentais.

- Abster-se da prostituição (4.3).

- Não enganar nem oprimir. (4.6).

- Amor fraternal (4.9).

- Cuidar dos próprios negócios (4.11).

- Trabalhar (4.11).

- Ser honesto (4.12).

Conseqüência: não ter necessidade (4.12).

Depois de apresentar mandamentos aos tessalonicenses, Paulo diz: "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes..." A parte dos mandamentos nos admoesta à obediência. O versículo 13 do capítulo 4 nos chama a atenção para o valor do conhecimento. Sejamos obedientes mas não ignorantes. Os tessalonicenses eram obedientes mas não se destacavam pelo exame das escrituras (At.17.11). Isso era um risco para aqueles irmãos. Quem é obediente e ao mesmo tempo ignorante pode acabar obedecendo ordens contrárias à palavra de Deus. Nesse texto específico, Paulo chama a atenção para o conhecimento a respeito da segunda vinda de Cristo e os fatos a ela relacionados. O objetivo era mostrar que os irmãos que haviam morrido não ficariam para trás no dia do Senhor.

5 - A volta de Cristo, a ressurreição, o arrebatamento, e a necessidade de vigilância. 4.13 a 5.24.

Nessa parte, temos um quadro escatológico resumido. Apesar de breve, constitui-se uma passagem obrigatória para os estudiosos do assunto. Paulo destaca a ordem cronológica dos fatos. A trombeta tocará anunciando a chegada de Cristo. Nesse instante, os justos mortos ressuscitarão. Em seguida, todos os salvos serão arrebatados para encontrarem com o Senhor nos ares.

Na seqüência, o apóstolo adverte a respeito da necessidade de vigilância enquanto Cristo não volta. Já que não se sabe o dia da sua vinda, é necessário que a igreja esteja em constante vigilância para que seja achada preparada no momento em que Jesus voltar. Assim, o autor prescreve um estilo de vida apropriado para quem está aguardando o Senhor.

Nós não estamos nas trevas (5.5). As trevas caracterizam a condição daquele que é cego ou de quem está dormindo. A cegueira representa a ignorância. O sono representa indiferença ou incredulidade. Se temos conhecimento sobre os últimos dias, não sejamos indiferentes ou incrédulos, pois assim, o conhecimento não nos seria útil.

De acordo com o texto de I Tessalonicenses 4.13, precisamos saber, precisamos do conhecimento. Porém, não saberemos tudo a respeito da segunda vinda de Cristo (5.2). Está então demonstrado o limite do nosso conhecimento e também o limite da nossa pregação e da nossa profecia. Jamais poderemos dizer algo sobre uma possível data da vinda de Cristo. Os que se atreveram a fazê-lo caíram em descrédito e vergonha.

Portanto, "quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição." (5.3). Muitos estão dizendo muitas coisas por aí a respeito da vinda de Cristo e do fim do mundo. Alguns marcam datas, outros negam que tais fatos venham ocorrer. Acreditaremos? Se temos conhecimento e conhecemos bem o limite do que podemos conhecer, então poderemos discernir o erro ou identificá-lo.

O versículo 3 do capítulo 5 nos mostra ainda a impossibilidade da paz mundial até que Cristo volte. Isso pode estar relacionado aos conflitos do Oriente Médio, principalmente a Israel, cuja menção é clara nas profecias dos combates escatológicos.

6 - Saudações finais - 5.25 -28.


quinta-feira, 4 de março de 2021

0 Como reagir a mudanças?




Daniel Lima

Nunca velejei, mas sempre fiquei encantado com o modo como um velejador consegue trabalhar com o vento e se dirigir ao seu destino mesmo que o vento não seja favorável. Entre as poucas certezas que podemos ter em nossas vidas, uma delas é que vamos enfrentar mudanças. E essas mudanças serão surpreendentes, tirarão nosso fôlego e abalarão nossas certezas e planos. Este último ano foi palco de muitas mudanças. E isso não é fruto só da pandemia! Valores, ideias, certezas “inabaláveis” estão sendo questionadas constantemente. Algumas mudanças são perversas e demonstram como o coração do homem está longe de Deus, mas outras são resultado de estudo, descobertas e daquilo que chamamos “graça comum”.

A pandemia, como toda catástrofe, acelerou algumas mudanças que já se apresentavam no horizonte. Por exemplo o “home office”, ou trabalhar em casa. Conheço muita gente que neste último ano se adaptou para conduzir seu trabalho de casa e hoje descobriu que este pode ser tão bem conduzido, às vezes até melhor, a partir de sua própria casa. Muitas escolas tiveram que alterar rapidamente para uma educação à distância e têm obtido resultados excelentes, muito embora muito ainda precise ser feito.

Muito do que estávamos acostumados como igrejas evangélicas teve de ser adaptado durante a pandemia. Encontros e eventos tiveram de ser transformados em atividades online. Igrejas que não puderam fazer a transição ficaram esvaziadas. Não poucos líderes estão ainda hoje sem saber como retomar seus ministérios. Há aqueles que fecham os olhos e continuam exatamente da mesma maneira, crendo que se Deus abençoou um método antes, ele certamente abençoará de novo – o que chamam de fidelidade. Outros adotam novas posturas, tentam aproveitar novidades e modismos. Por fim há aqueles que percebem as mudanças, querem aprender com estas, embora ainda valorizem métodos antigos. Estes entendem que fidelidade, muito acima de ater-se a uma forma, é descobrir como continuar o ministério preservando o que é inegociável.

Fidelidade diante de mudanças é mudar o que precisa ser mudado para preservar o que não pode ser mudado.

Quando mudanças tão abrangentes ocorrem, todos voltamos à estaca zero, ou seja, aquilo que nos levou ao resultado desejado ontem não garante o fruto de amanhã. Os exemplos bíblicos de pessoas tementes a Deus que foram lançados em situações de mudança são inúmeros: Adão e Eva tiveram de se adaptar a um mundo hostil. José teve de aprender os costumes egípcios. Davi teve de se tornar um líder de homens e eventualmente de uma nação. Ester teve de aprender a viver como rainha. Neemias teve de se tornar o reconstrutor de uma cidade arrasada. No Novo Testamento, homens como Pedro, Zaqueu, Cornélio e João tiveram de abandonar não só seus estilos de vida, mas grande parte do que acreditavam.

Diante de mudanças, é natural ficarmos confusos e, de alguma forma, nos agarrarmos ao passado. Fidelidade diante de mudanças é mudar o que precisa ser mudado para preservar o que não pode ser mudado. Talvez o personagem que mais nos deixou suas reações diante de mudanças foi Paulo. Em Filipenses 3 ele escreve sobre como todo seu passado e seus distintivos de glória se tornaram inúteis. Lemos no verso 7: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo”. O que era lucro, o que lhe dava significado e valor, agora era inútil. Mais adiante, lemos nos versos 13-14:

Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Gostaria de compartilhar algumas observações sobre como reagir a mudanças, seja em nosso trabalho, em casa, na igreja ou mesmo na minha caminhada com o Senhor:

1. Identifique a essência. Paulo afirma que prosseguia para o alvo. Qual é o alvo? O que realmente importa? O que é mais importante em seu relacionamento com alguém: manter tradições ou viver em comunhão? Em nossos ministério, o que realmente buscamos: manter programas vivos ou alcançar pessoas para Jesus? Não podemos abrir mão da essência em tempo de mudança, já a forma pode (e talvez deva) ser adaptada ou reinventada.

2. Esqueça o que ficou para trás. Somos criaturas de costumes, nossa tendência é nos apaixonarmos por hábitos. Certamente não foi algo fácil para Paulo dizer que deixou para trás toda sua tradição como fariseu. Para seguirmos a Deus, com frequência, precisamos abandonar formas que nos eram muito queridas e confortáveis.

3. Descubra como continuar avançando. Não é possível manter a essência sem uma forma. Se a antiga maneira de fazer não serve mais, precisamos descobrir de que maneira podemos preservar o que é realmente importante. Se uma forma de manter comunhão com irmãos em Cristo não funciona mais, precisamos descobrir como manter comunhão de outra forma.

4. Cultive sua dependência daquele que não nos abandona. Em vários de seus escritos Paulo deixa claro que seus esforços não se baseiam em suas próprias capacidades. Sua confiança estava naquele que podia cuidar dele e capacitá-lo para enfrentar com vitória todas as situações em que Deus o colocasse. Lemos em Colossenses 1.29: “Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim”.

Minha oração por você e por mim, nestes tempos de mudança, tanto externa como interna, é que nossos corações continuem a olhar para Jesus, o autor e consumador de nossa fé, e que possamos reagir a mudanças com leveza, sem apegos desnecessários, mas igualmente sem abrir mão daquilo que é essência: “‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Lucas 10.27).


Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutor em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.




FONTE: Como reagir a mudanças? | Chamada 
 

 

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