quarta-feira, 5 de julho de 2023

0 A Igreja diante do Espírito da Babilônia: Resistindo pela Palavra de Deus



O livro do Apocalipse apresenta uma visão escatológica e reveladora, que descreve os eventos que brevemente acontecerão. Nele, encontramos referências à Babilônia e seu espírito maligno, que estão presentes no cenário global atual.

Neste estudo, vamos explorar os significados da Babilônia, identificar os sistemas que compõem o espírito da Babilônia e destacar a posição que a Igreja deve adotar diante desse contexto.

Babilônia e seus significados

1. A Grande Prostituta: No contexto bíblico, a Babilônia é como uma grande meretriz que seduz os reis da terra. Essa descrição está relacionada à idolatria e à prostituição espiritual mencionadas pelos profetas do Antigo Testamento. No livro do Apocalipse, a figura da prostituta simboliza a imoralidade e o falso sistema religioso que se opõe à fé cristã.

2. A Mulher e a Besta Escarlate: A mulher montada sobre a Besta representa a grande prostituta. Além disso, ela está vestida de púrpura e escarlata, simbolizando reinado e luxo. Além disso, ela se adornar com ouro, pedras preciosas e pérolas, representando materialismo e poder econômico. A Besta na qual ela está montada é o Anticristo, que se opõe a Jesus e profere blasfêmias.




3. Mistério: A Grande Babilônia: A prostituta é revelada como “Mistério, a Grande Babilônia”. Além disso, Babilônia é um nome simbólico de vasto alcance, o qual se refere à “Mãe das Prostituições e Abominações da Terra”. Nesse sentido, ela é a responsável por promover a rebelião contra Deus e a depravação da sociedade. Vale ressaltar que a Babilônia representa um sistema global deliberadamente anticristão, estabelecendo assim uma conexão direta entre suas ações e suas intenções malignas.

O Espírito da Babilônia

1. No sistema religioso: O espírito da Babilônia seduz as pessoas por meio da prostituição espiritual. O culto ao ego, a devassidão moral, o ecumenismo doutrinário, o relativismo e o sincretismo são alguns dos elementos presentes nesse sistema. A verdade bíblica é distorcida, e a Igreja verdadeira é perseguida.

2. No sistema político e cultural: A influência da Babilônia se estende tanto à política quanto à cultura. Além disso, pautas progressistas que vão contra os valores cristãos, tais como a apologia ao aborto, a ideologia de gênero e a legalização de práticas imorais, são impostas de forma insistente. Adicionalmente, o patrulhamento ideológico, a censura e o doutrinamento contrários à fé cristã são promovidos pela grande mídia, bem como pelas artes, literatura e educação. Diante desse cenário, cristãos são perseguidos e julgados, sem encontrar um ambiente favorável para expressar sua fé.

3. No sistema econômico: O espírito da Babilônia enriquece os mercadores por meio da exploração da luxúria e licenciosidade. O materialismo, os deleites e a autossuficiência são incentivados, levando as pessoas a confiar no dinheiro.

História de Babilônia na Bíblia

A Posição da Igreja Diante do Espírito da Babilônia

A igreja, como corpo de Cristo e representante do Reino de Deus na terra, deve estar preparada para resistir ao “espírito da Babilônia” que está presente no cenário atual. Diante desse contexto desafiador, é essencial que a igreja assuma uma posição clara e comprometida com os princípios da Palavra de Deus. A seguir, destacam-se três pontos fundamentais que definem a postura esperada da igreja diante desse espírito maligno.

1. Permanecer Firme na Ortodoxia Bíblica

A igreja precisa afirmar e defender a verdade bíblica como sendo absoluta, universal e imutável. A ortodoxia cristã tem a Bíblia Sagrada como sua autoridade suprema, sendo a fonte inquestionável de fé e prática. Nesse sentido, é fundamental que a igreja mantenha o compromisso inegociável com a Palavra de Deus, estudando-a de forma sistemática e doutrinária.




Ao fortalecer seu conhecimento das Escrituras, a igreja capacita os crentes a enfrentarem o “espírito da Babilônia” e suas ideologias contrárias aos valores cristãos. Através de um estudo aprofundado e da compreensão dos princípios bíblicos, a igreja estará preparada para resistir às influências enganosas e perniciosas do mundo ao seu redor. Assim, a ortodoxia bíblica se torna uma âncora firme e segura para a igreja diante dos desafios espirituais da atualidade.

2. Desenvolver o Caráter à Imagem de Cristo

O caráter cristão é uma expressão visível da transformação interior que ocorre na vida daqueles que pertencem a Cristo. Através do poder do Espírito Santo, a igreja recebe capacitação para desenvolver o caráter de Cristo em seu meio. Esse processo envolve a manifestação do fruto do Espírito, que inclui amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, benignidade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Ao enfatizar a importância do desenvolvimento do caráter cristão, a igreja se torna um exemplo vivo do amor e da santidade de Deus. Ela deve ser sal e luz no mundo, refletindo os valores do Reino e influenciando positivamente a sociedade. Diante do “espírito da Babilônia”, a igreja deve ser um contraste significativo, revelando um estilo de vida transformado pela graça de Deus.

3. Esperar com Anseio o Retorno de Cristo

A dispensação da graça chegará ao fim com o Arrebatamento da Igreja, que ocorrerá antes da Grande Tribulação, conforme descrito nas passagens bíblicas 1 Coríntios 15:51-52, 1 Tessalonicenses 1:10, 4:13-18, 5:9 e 2 Tessalonicenses 2:6-10. À luz dos sinais que precedem a volta de Cristo, destacam-se a apostasia, a inversão de valores, a perseguição, as guerras, as fomes, as pestes e os terremotos, conforme mencionado em Mateus 24:5-12,24 e 1 Timóteo 4:1, 2 Timóteo 4:3.

Diante desses eventos, os cristãos não devem viver despreocupados, mas aguardando o seu Senhor em oração e vigilância, como nos adverte Marcos 13:33. Além disso, é necessário que os salvos renunciem à impiedade e às paixões mundanas, vivendo nesta presente era uma vida de autodomínio, integridade e santidade, como nos instrui Tito 2:12-13.

Enquanto aguardam a bendita esperança da volta de Cristo, os cristãos devem manter uma postura de preparo espiritual, buscando crescer em comunhão com Deus, nutrindo-se da Palavra, cultivando um relacionamento íntimo com o Espírito Santo e vivendo de acordo com os princípios do Reino.




A expectativa da volta de Cristo traz consigo a esperança da redenção final, da consumação do Reino de Deus e da plenitude da alegria eterna na presença do Senhor.

Como é viver uma vida no Espírito segundo a Bíblia

Conclusão: A Igreja diante do Espírito da Babilônia

Estamos vivendo em um período em que o “espírito da Babilônia” exerce uma influência poderosa sobre a sociedade global. Suas ações visam conquistar o completo domínio político, econômico, cultural e religioso, contrariando os valores da fé cristã. O avanço dessas ideologias indica a iminente volta de Cristo (Lucas 21:28).

Durante esse tempo, é responsabilidade da Igreja resistir ao mal (2 Tessalonicenses 2:6,7), ensinar a doutrina bíblica (Mateus 28:20), desenvolver o caráter dos discípulos (Gálatas 4:19) e buscar a santificação para a segunda vinda do Senhor (Hebreus 12:14).

 

FONTE: https://bibliotecadopregador.com.br/a-igreja-diante-do-espirito-da-babilonia/

sábado, 1 de julho de 2023

0 DEFESA DA FÉ - A loucura dos que não creem


 


"Diz o néscio no seu coração: Não há Deus"(Sl 14.1)


Por Eguinaldo Hélio de Souza


Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizada em 2000, dá conta de que aumentou o número dos ateus, pessoas que afirmam abertamente não crer na existência de algum deus ou de um mundo sobrenatural.

A maioria desse contingente é atéia na prática, ou seja, não apresenta nenhum tipo de fé religiosa e não "perde" tempo refletindo sobre a existência de Deus. São pessoas que, de fato, assumiram um modus vivendi em que não há espaço para a religião. Mas, apesar de suas convicções, não apresentam argumentos sólidos para o seu ateísmo.

Um número mais reduzido desse grupo, tanto no Brasil quanto no exterior, pode ser classificado como ateus filosóficos, isto é, pessoas racionalmente preparadas para justificar sua descrença, pois se ocupam em formular argumentos lógicos que justifiquem a sua posição. Poderíamos, ainda, chamar os ateus filosóficos de "incrédulos conscientes".

Também, vale destacar um outro tipo de ateu, mais agressivo, detectado pela pesquisa em pauta: o militante. Esses ateus não somente não crêem na existência de Deus como também são contra aos que crêem. Tanto é que procuram persuadir os outros para a sua "fé sem deus". Então, criaram o site Sociedade da Terra Redonda, cujo objetivo é reunir todos os ateus em sua militância. O site possui 820 colaboradores e recebe cerca de 75.000 visitas por mês.

Salientamos que os ateus militantes parecem dirigir toda a sua animosidade principalmente aos cristãos. Seus sites estão repletos de refutações à Bíblia e, entre eles, existem pessoas que se ocupam em desmentir os milagres de cura que ocorrem nas igrejas evangélicas e também em apontar as falhas da Igreja Cristã através da História, entre outras coisas. Além de negarem a existência de Deus de forma geral (pois ateu significa "sem Deus"), acabam se tornando, na maioria das vezes, antideus, isto é, contra Deus, ou, mais precisamente, anticristãos.


O ateísmo hoje


O ateísmo, como vem sendo propagado atualmente, não se contenta apenas em não crer na existência de Deus. Prega que a religião não é só inútil, mas também é má. E, ao lado de sua crítica à religião, divulga uma crença que dá possibilidade ao homem de resolver seus próprios problemas sem necessitar de uma força exterior. Em verdade, é um humanismo, não um humanismo que valoriza o ser humano, mas um humanismo que opõe Deus e homem, colocando este último como senhor e salvador de si mesmo.

O Credo Americano Ateísta corrente declara:

"Um ateísta ama a si mesmo e ao seu próximo ao invés de amar um deus. Um ateísta aceita que céu é uma coisa pela qual nós devemos trabalhar agora, aqui na terra, para que todos os homens possam desfrutar juntos. Um ateísta admite que ele não pode conseguir ajuda pela oração, mas que devemos encontrar em nós mesmos a convicção interior e a força para achar a vida, para resolver seus problemas, para subjugá-la e para desfrutá-la. Um ateísta aceita que somente no conhecimento de si mesmo e de seu próximo os homens podem encontrar o entendimento que o ajudará em uma vida de plenitude".

Um aspecto importante que precisa ser mencionado: os ateus não negam apenas a existência de Deus, mas de qualquer realidade que não seja material, isto é, que não possa ser percebida pelos cinco sentidos. Para eles, não existe uma dimensão espiritual, habitada por anjos ou demônios. A única coisa que existe é o mundo físico, tangível, e nada mais além disso.


O impacto do pensamento científico


"A fundação indestrutível do edifício inteiro do ateísmo é a sua filosofia: o materialismo, ou naturalismo, como também é conhecido. Essa filosofia considera o mundo como ele é na verdade, visto na luz dos dados providos pela ciência progressiva e experiência social. Materialismo ateísta é o resultado lógico de conhecimento científico ganho durante os séculos" (grifo do autor).

A colocação acima pertence ao artigo "Materialismo versus idealismo", de Madalyn Murray O'Hair, fundadora da organização American atheists ("Ateístas americanos"), que serve de inspiração para os ateus brasileiros. Com essa afirmação, a autoria lança uma das pedras de toque do pensamento ateísta: o conhecimento científico.

Embora não signifique que todos os envolvidos com o pensamento científico sejam ateus, o contrário geralmente é verdade. Os ateus atribuem sua incredulidade quanto às coisas divinas e espirituais alegando que as mesmas não podem ser comprovadas cientificamente. Basta lembrar que Yuri Gagarin, o primeiro russo a andar no espaço, fez questão de dizer "Não vi nenhum Deus".

Desde o período do Iluminismo , o conhecimento científico foi adquirindo mais e mais prestígio. Os benefícios trazidos pela tecnologia criaram um sentimento geral de que o homem poderia, sozinho, resolver seus próprios problemas, bastando, para isso, ter o conhecimento necessário. De repente, o Universo não era mais um objeto misterioso movido pelas mãos do Altíssimo, mas uma máquina perfeita regida por leis que podiam ser medidas e utilizadas em proveito próprio. O século XVIII viu surgir a filosofia materialista de Hume , na qual não havia lugar para quaisquer coisas que não fossem tangíveis, palpáveis. A física de Newton e a química eram ciências suficientes para explicar todos os fenômenos.

É óbvio que a descoberta das leis da física e da química não é um fundamento aceitável para negar a existência de Deus. Toda lei tem seu legislador e a coisa mais fácil de concluir é um Universo regido por leis estabelecidas pelo Criador. Mas muitos, no afã de menosprezar a fé, lançaram mão desse instrumento para afirmações ateístas.

Há um site americano que divulga uma lista de "celebridades ateístas" que inclui filósofos (Thomas J. Altizer, Paul e Patrícia Churchland, Paul Edwards, Antony Flew, Michael Martin e Kai Nielsen), cientistas (Francis Crick, Richard Leakey e Stephen J. Gould), políticos (Fidel Castro e Tom Metzger), famosos (Woody Allen, Ingmar Berman, Bill Blass, Marlon Brando,Warren Buffett, George Carlin, Dick Cavett, George Clooney, Patrick Duffy, Katherine Hapburn, Arthur Miller, Jack Nicholson e Penn and Teller) e homens de negócio (Bill Gates, entre outros também conhecidos).

Todavia, ser cientista não obriga ninguém a ser ateu. Se isso fosse verdade, todos os cientistas seriam ateus, o que não é um fato. Inclusive, um dos maiores pensadores do século XX, autor do best-seller Uma breve história do tempo, não vê qualquer dificuldade em crer na existência de Deus. Muito pelo contrário: "O pai da cosmologia moderna, o inglês Stephen Hawking, acha fascinante a chamada hipótese teológica, a idéia de que entender Deus seria o alvo supremo da física, mas alega que o caminho para chegar lá é a ciência, e não a metafísica ou o misticismo. Quando lhe perguntam se Deus teve um papel no Universo antes do Big Bang, a suposta explosão primordial que teria criado o cosmo, Hawking admite que sim: acho que só Ele pode responder porque o universo existe" (grifo do autor).

Sobre este assunto, uma citação do teólogo Charles Hodge, que deveria ser observada por aqueles que defendem o pensamento científico:

"Desde os primórdios da ciência moderna, vêm emergindo constantemente aparentes discrepâncias entre a natureza e a revelação, o que, por algum tempo, tem ocasionado grande escândalo a crentes zelosos; em cada exemplo, porém, sem a menor exceção, tem sido descoberto que o erro se encontra ou na generalização apressada da ciência, devido ao conhecimento imperfeito dos fatos, ou na interpretação tendenciosa das Escrituras".


O efeito Darwin


"Após ter lido A origem das espécies, de Charles Darwin, Marx escreveu uma carta ao seu amigo Lassalle na qual exulta porque Deus - ao menos nas ciências naturais - recebeu o golpe de misericórdia".

Não que essa fosse a intenção do naturalista Charles Darwin, mas suas idéias foram e ainda são utilizadas pelos ateus do mundo inteiro como argumento para provar que o simples fato de o mundo existir não demanda a existência de um Criador. Segundo a teoria da Evolução das Espécies, o mundo é o resultado de bilhões de anos de evolução, pela qual as formas de vida mais simples evoluíram para as formas de vidas mais complexas, até chegarem no homem.

Essa questão ferveu na Inglaterra do século XIX e, depois, no mundo inteiro. Conceber o Universo em termos evolutivos foi o padrão que, desde então, serviu para considerar a evolução como algo inerente à natureza de todas as coisas. Assim, não havia a necessidade de um agente externo, ou seja, Deus. Com sua teoria, Darwin proporcionou aos incrédulos aquilo que ainda lhes faltava: uma "base científica" para a negação de Deus.

Isso, no entanto, não significa que Darwin estava negando a existência de Deus. Em verdade, ele estava atribuindo o fato biológico ao Criador. Mas aqueles que buscavam ensejo para anular o argumento da criação como prova da existência de Deus usaram sua teoria como base. Logo, ser ateu por causa da evolução era uma opção de crença, e não uma conseqüência da teoria de Darwin. Até porque havia muitos teístas (pessoas que admitem a existência de um Deus pessoal como causa do mundo) entre aqueles que acreditaram na evolução.

Nosso propósito aqui não é discutir sobre a teoria da Evolução das Espécies. Mas é importante saber que, mais de cem anos depois, muitas dúvidas ainda pairam sobre essa teoria, insuficiente para explicar a origem do homem. Embora admita a evolução, o historiador sueco Karl Grimberg, no princípio de sua História Universal, comenta o seguinte: "se (conjunção condicional) a estrutura anatômica do homem é o culminar de uma longa evolução, foi, no entanto, repentino o nascimento da sua inteligência. Tudo faz supor que o limiar por onde se ascendeu diretamente o pensamento foi transposto de uma só vez" (grifo do autor).

Grimberg fez essa declaração em 1941. Mas é impressionante a recente observação da revista Veja sobre o comentário de um dos maiores neodarwinistas da atualidade: "... o biólogo Ernst Mayr, da Universidade de Harvard, também concorda que apenas o desenrolar das leis naturais talvez explique o surgimento da vida na Terra - mas isso certamente não pode ser invocado para explicar o aparecimento de seres inteligentes. Lendário pelo ceticismo, Mayr não fala em milagre. Nem pode. Ele é considerado o maior neodarwinista vivo. Mas seu cálculo sobre a possibilidade de a natureza produzir seres inteligentes pelos processos evolutivos conhecidos é quase uma sugestão de que os seres humanos são mesmo produtos sobrenaturais" (grifo do autor).


A espada de Karl Marx


De todos os movimentos que se rebelaram contra a crença em Deus, o marxismo foi o mais relevante. Toda a ideologia marxista e as demais que dele se originaram (comunismo, socialismo, leninismo e maoísmo) apresentavam uma aversão profunda contra toda e qualquer religião, principalmente o cristianismo. O ateísmo foi ensinado nas escolas e inculcado nos cidadãos que viviam sob essa orientação ideológica desde a mais tenra idade e em todo lugar. Muitos dos argumentos que os ateus atuais lançam contra Deus eram comumente utilizados pelos países comunistas/socialistas.

"O ateísmo de Marx certamente era de uma espécie extremamente militante. Ruge escreveu a um amigo: Bruno Bauer, Karl Marx, Christiansen e Feuerbach estão formando uma nova 'Montagne' e fazendo do ateísmo o seu lema. Deus, religião e imortalidade são derrubados de seu trono e o homem proclamado Deus". E George Jung, um jovem próspero, advogado de Colônia e partidário do movimento radical, escreveu a Ruge: "Se Marx, Bruno Bauer e Feuerbach, juntos, fundarem uma revista teológico-filosófica, Deus faria bem em cercar-se de todos os seus anjos e se entregar à autopiedade, pois estes certamente o tirarão de seu céu [...] Para Marx, de qualquer forma, a religião cristã é uma das mais imorais que existe" (grifo do autor).

Como vemos, nem sempre o ateísmo existiu como uma crença passiva, como uma indiferença à religião. Dentro do conceito marxista, o ateísmo deveria substituir a crença em Deus, nem que para isto fosse necessário usar de violência. Não precisamos registrar aqui os milhares de mártires resultantes da implantação da ideologia comunista. Como escreveu Richard Wurmbrand, fundador da Missão a Voz dos Mártires: "Poso entender que os comunistas prendam padres e pastores como contra-revolucionários. Mas por que os padres foram forçados a dizer a missa sobre excrementos e urina, na prisão romena de Piteshti? Por que cristãos foram torturados para tomarem a comunhão com esses mesmos elementos? Por que a obscena zombaria da religião?".


O ateísmo militante no Ocidente


O atual movimento ateísta pode não ser algo tão inofensivo quanto se imagina. Marx foi um filósofo, não um carrasco. Mas não podemos dizer o mesmo de muitos de seus filhos ideológicos, como, por exemplo, Lênin e Stalin, na ex-URSS, e Mao Tse Tung, na china. A perseguição religiosa durante os seus governos, e também depois, mostra claramente que o ateísmo pode tornar-se tão intolerante quanto qualquer religião.

O ateísmo morreu com a queda da cortina de ferro para, agora, renascer no Ocidente, apoiado pela liberdade democrática, com o risco de tornar-se uma crença intolerante e agressiva.

A postura acadêmica de muitos ateus ocidentais da atualidade está em agudo contraste com alguns dos mais coloridos ateístas dos tempos passados. A fundadora da organização American atheists ("Ateístas americanos"), Madalyn Murray o'Hair, ficou conhecida mais por sua linguagem grosseira e ultrajes explosivos contra manifestações públicas de religião do que por suas proezas intelectuais. Ela veio a público em 1963, mas foi em 1959 que sua causa judicial, envolvendo seu filho, chegou à Suprema Corte. No caso Murray versus Curlett, a Corte declarou ilegal a oração obrigatória nas escolas públicas e, com isso, incentivou Murray, com uma carreia de mais de 30 anos, a criar uma América livre de religião.

Murray, freqüentemente, debatia em público, denunciando, de forma voraz, o cristianismo e lutando em favor do ateísmo. Iniciou muitos processos para que a sociedade americana ficasse livre de qualquer religião. Em um deles, a solicitação para que as notas e moedas americanas não trouxessem a frase "Em Deus nós confiamos".

Chegou a afirmar, algumas vezes, que a American atheists tinha mais de 75.000 adeptos, porém, o mais exato é que tivesse apenas cerca de 5.000.

Em 1995, ela e sua família desapareceram com grandes porções dos fundos de suas várias organizações, exceto seu filho William Murray (objeto de seu processo judicial inicial), isolado por ela por ter-se convertido a Cristo. Os desaparecidos foram considerados assassinados.


Bases históricas dos ateus


Alguns sites, como o www.oateufeliz.com.br, por exemplo, fazem menção das mortes efetuadas pela Inquisição católica e pela colonização protestante na América para combater a crença em Deus. Todavia, querer provar que Deus não existe por esse motivo é um tanto quanto sem fundamento. Os ateus não podem esquecer que Stálin, Lênin e Mao Tse Tung mataram milhões de pessoas inspirados no socialismo ateu, conforme divulgado por Karl Marx.

Da mesma forma, o Nazismo dizimou a raça judaica e milhares de outras minorias por conta de suas teorias racistas, baseadas no darwinismo e no filósofo ateu Friederich Nietzsche. Mas não podemos negar a existência de Marx, Darwin e Nietzsche pelo fato de seus escritos terem sido utilizados de forma perversa.

Na verdade, as guerras e os massacres ocorrem motivados pelo desejo de poder e pela ambição por riquezas. A religião apenas serve de justificativa para tais atos, assim como o ateísmo serviu de motivo para que milhares de cristãos fossem massacrados em países comunistas. Assim, se a religião, por motivos históricos, pode ser classificada como nociva, o ateísmo também pode. Se, porém, separarmos os frutos bons dos ruins, veremos que a fé em Deus produziu os melhores.

Se os homens erraram dentro da História do Cristianismo, isso apenas indica que eles estavam fora dos padrões de Deus, e não um fundamento que sirva para provar que Deus não existe. Uma coisa é dizer que Deus não existe. Outra bem diferente é mostrar que o homem não tem obedecido a Deus como deveria.


Deus realmente existe


As Escrituras não procuram, em nenhum ponto, provar a existência de Deus. Ela apenas o admite. Os santos do Antigo e do Novo Testamento que falaram inspirados por Deus não diziam que acreditavam em sua existência, mas que o conheciam - o que depreende bem mais. Com certeza, o conhecimento de Deus, conforme a Bíblia, é algo diferente do conhecimento científico baseado nos sentidos.

Mas, então, para que tentar provar a realidade de Deus?

Em primeiro lugar, porque muitos são sinceros em suas dúvidas.

É verdade que alguns não querem crer e, por isso, procuram desculpas para sua atitude. Outros querem acreditar sim, mas, infelizmente, encontraram diversos motivos para não fazê-lo. É aí que entramos com a evidência.

Em segundo, porque tudo aquilo que fortalece a nossa fé é útil. É por isso que muitos buscam provas, não para crerem, mas porque já crêem.

E em terceiro, porque esta é uma maneira de estarmos conhecendo um pouco mais da natureza de Deus e, com certeza, isso é algo bom e recomendável.


1. A criação


Alguém que ainda não tenha lido a complicada teoria de Darwin achará óbvio a existência de um Criador. Toda criação pressupõe um criador. Esta maravilha toda não pode ter surgido por acaso. Como já disse alguém: "Faz tanto sentido concluir que o cosmo é o mero resultado de uma explosão quanto achar que um livro pode surgir da explosão de uma gráfica". Independente do que digam os ateus ou os cientistas, a criação é uma prova inegável da existência de Deus. "Pois os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder quanto a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis" (Rm 1.20).


2. Desígnio e ordem


O Universo não apenas existe, mas existe com ordem, com desígnio, com evidências de uma inteligência criadora. A ordem no Universo mostra que ele fora criado com inteligência e com propósito, não surgiu e se tornou o que é por mero acaso. "Ele fez a terra pelo seu poder; ele estabeleceu o mundo pela sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus" (Jr 10.12). Um mero sacerdote do século VII a.C. percebeu e registrou isto de forma poética e inspirada, mas os céticos modernos se recusam a aceitar o óbvio.

"Galeno, célebre médico de inclinações ateísticas, depois de ter feito a anatomia do corpo humano, examinando cuidadosamente seu arcabouço, visto quão adequada e útil é cada parte, percebido as diversas intenções de cada pequenino vaso, músculos e ossos, e a beleza do todo, viu-se tomado pelo espírito da devoção e escreveu um hino ao seu Criador".


3. Senso comum


"Visto que o que de Deus se pode conhecer, neles (nos homens) se manifesta, porque Deus lhes manifestou" (Rm 1.19).

Desde o Iluminismo, a "crença" dos incrédulos era que, à medida que o conhecimento científico fosse aumentando entre a população, a religião entraria em decadência. Engano. O contrário sim, é verdade. E isso é testemunhado pelas próprias estatísticas.

Embora um ateu rejeite isso como prova, a verdade é que a própria natureza humana é um inegável testemunho a favor da existência de um ser supremo. Em todos os povos e em todas as épocas, a idéia de um Ser supremo sempre esteve presente, independente do grau de desenvolvimento. Mas não havia ateus materialistas? Sim, mas em um grau tão pequeno que não passavam de exceções confirmando a regra. Podemos até afirmar que o ateísmo é antinatural, é contra o comportamento e a noção comum do ser humano.

"No início do século XX acreditava-se que quanto mais o mundo absorvesse ciência e erudição menor seria o papel da religião. De lá para cá, a tecnologia moderna se tornou parte essencial do cotidiano da maioria dos habitantes do planeta e permitiu que até os mais pobres tivessem um grau de informação inimaginável 100 anos atrás. Apesar de todas essas mudanças, no início do século XXI o mundo continua inesperadamente místico. O fenômeno é global..." (grifo do autor).

Os ateístas apresentam páginas e páginas de teorias para negar a existência de Deus. Mas todas elas despedaçam-se diante dos fatos. A crença do homem em Deus pode até ser confundida, mas a realidade mostra que jamais pôde ser apagada. Sobre isso se pronunciou o teólogo Evans:

"O homem, em toda parte, acredita em um Ser supremo ou seres a quem é moralmente responsável e a quem necessita oferecer propiciação. Tal crença pode ser crua ou grotescamente representada e manifestada, mas a realidade do fato não é mais inválida por tal crença do que a existência de um pai é invalidada pelas cruas tentativas de uma criança para desenhar o retrato de seu pai".


Raciocínios fúteis e corações insensatos


No decorrer da história cristã, os teólogos desenvolveram enormes argumentos filosóficos e naturais para provar a existência de Deus. Muitos desses argumentos apresentam uma profundidade de pensamento impressionante. Só por esse aspecto é fácil concluir que o conhecimento natural não é, de forma nenhuma, inimigo do conhecimento de Deus. O que impede muitos eruditos de admitir esta verdade é o orgulho e a presunção, pois, em verdade, não existem barreiras intelectuais reais que os impeçam de admitir-se a existência de Deus. Sobre isso, deixamos a palavra de Paulo, o sábio e erudito apóstolo que lançou os fundamentos da teologia cristã.

"Pois tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes seus raciocínios se tornaram fúteis, e seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos" (Rm 1.21,22).


Notas:


1 Revolução intelectual que ocorreu na Europa nos séculos XVII e XVIII. Graças ao iluminismo, a religião e as ciências separaram-se e isso causou mudança na maneira de pensar, agir e encarar o mundo. A partir do iluminismo, os homens tentaram encontrar explicações científicas para, por exemplo, os fenômenos da natureza, o que causou avanço científico.

2 David Hume, nascido em 1711, em Edimburgo, na Escócia. Estudou no colégio de Edimburgo - um dos melhores da Escócia, posteriormente transformado em Universidade. Sua ideologia filosófica estava centrada no empirismo, que admite apenas que a origem do conhecimento provenha unicamente da experiência, seja negando a existência de princípios puramente racionais, seja negando que tais princípios, embora existentes, possam, independente da experiência, levar ao conhecimento da verdade.

3 Revista Veja 19/12/01, p. 133.

4 Teologia Elementar, E. H. Bancroft, IBR, p. 22

5 Marx e Engels, Diltz publ. Berlim 1972, vol 30, p. 578.

6 História universal, Carl Grimberb, p. 8.

7 Revista Veja 19/12/2001, p. 132.

9 Karl Marx, Vida e Pensamento, David McLellan, Vozes, p. 54.

10 Era Karl Marx um satanista?, p. 47.

11 Revista Defesa da Fé, Set/02.

12 Teologia Elementar , E. H. Bancroft, IBR, p. 20.

13 Revista Veja 19/12/03, p. 125.

14 Teologia Elementar , E. H. Bancroft, IBR, p. 20.


FONTE: https://www.icp.com.br/df54materia1.asp


quarta-feira, 21 de junho de 2023

0 Reflexão – Na obra de Deus é ele quem faz as escolhas


 


Texto: Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado (Atos 13.2)

INTRODUÇÃO – Sirvo ao Senhor há quase 03 décadas pela sua infinita e soberana misericórdia. Graças a Deus que nestes quase 30 anos de fé vi muitos homens e mulheres serem levantados por Deus e fazer a diferença na terra, em meio às trevas desse mundo tenebroso.

Mas não posso dizer que tudo sempre foi alegria, pois também já vivi, vi e acompanhei muitas experiências negativas de homens (mulheres) que são levantados e colocados à frente da obra, sem serem chamados pelo Senhor, para aquela determinada tarefa.

Em toda a história de Deus e seu povo (seja no Antigo Testamento ou no Novo) podemos acompanhar um padrão: Cada cargo, função ou cooperação na sua obra, o próprio Deus é quem guia e aponta a pessoa a quem ele escolheu. Senão, vejamos:

·         Deus escolhe Moisés para tirar o povo do Egito (Êxodo 3)

·         Deus designa setenta anciãos para ajudar Moisés (Números 11.16-30)

·         Deus escolhe Josué como sucessor de Moisés (Deuteronômio 30.1-7)

·         Deus colhe Davi como Rei (1 Samuel 16 – Salmos 89.20)

·         Deus escolheu Amós como profeta (Amós 7.14-17)

·         Deus escolheu João Batista (João 1.33)

·         Jesus escolheu os doze apóstolos (Lucas 6.16-20)

·         O Espírito Santo escolhe os primeiros missionários (Atos 13.1-

 

Esses são apenas alguns dos exemplos de que a escolha para fazer a obra deve ser guiada, orientada e determinada por Deus e não pela amizade, pelo tamanho do dízimo, pela aparência física, pelo dígitos da conta bancária... ou pela “mera formação teológica”.

Claro que a formação teológica e acadêmica ajuda, mas não substitui o chamado de Deus. Os diplomas servem por causa da chamada e não para a chamada. Deus não escolhe homens meramente por causa do seu diploma universitário.... Pare de se iludir com isso.

Está explicado o porquê de tanta tragédia na obra do Senhor. Tantos trabalhos dando errado e tantas vidas destruídas por homens inescrupulosos e vaidosos. É porque foram escolhidos pelo homem, mas não por Deus. Quando Deus escolhe a igreja percebe, a obra anda, as almas são salvas e o povo de Deus é edificado.

CONCLUSÃO - CUIDADO ao escolher alguém para a obra de Deus. Ore, jejue, medite, peça a direção de Deus. Se mesmo assim a direção não vier, repita tudo de novo até que Deus fale com você de maneira inequívoca, pois a obra do Senhor não é uma mera empresa em que escolhe pelo currículo pessoal ou aparência física.

                                    Do vosso conservo em Cristo,

                   João Augusto de Oliveira


sábado, 10 de junho de 2023

0 Quem Foi João Batista?


 



João Batista foi o profeta que preparou o caminho para o ministério do Senhor Jesus; o último entre todos que anunciaram a vinda do Messias. Por isso ele é chamado de “arauto do Messias”.

João Batista nasceu em aproximadamente 7 a.C. Ele era filho de um casal idoso de família sacerdotal, Zacarias e Isabel. Sua mãe era parenta de Maria, a mãe de Jesus. O termo empregado em Lucas 1:36 para descrever esse parentesco é suggenes, que significa “da mesma família” ou “parente de sangue”.

Apesar de ser um termo com significado amplo, a maioria dos estudiosos acredita que ambas eram primas. Isso significa que provavelmente João Batista e Jesus eram primos de segundo grau.

O anúncio do nascimento de João Batista

O anúncio do nascimento de João Batista é um dos mais fantásticos registrados nas Escrituras, possuindo até mesmo algumas semelhanças com o anúncio do nascimento de Jesus. Os pais de João Batista eram judeus piedosos e tementes a Deus que aguardavam a vinda do Messias.

Eles não tinham filhos porque Isabel era estéril. Num determinado dia, quando Zacarias estava exercendo suas funções sacerdotais, ele recebeu a visita do anjo Gabriel. O anjo lhe anunciou o nascimento de um filho e indicou o nome pelo qual ele deveria ser chamado, João (Lucas 1:13). O anjo também disse que João Batista seria repleto do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lucas 1:15).

Diante do aparecimento do anjo, Zacarias ficou amedrontado. Depois do anuncio, sua resposta foi de incredulidade (Lucas 1:18). Assim, Zacarias foi sentenciado a ficar em silêncio, isto é, mudo, até que o menino nascesse. Muito provavelmente essa condição de Zacarias consistia não apenas na mudez, mas também na surdez (cf. Lucas 1:62).

Além de tudo isso, quando Maria recebeu a visita de Gabriel para anunciar-lhe o nascimento de Jesus, o anjo também lhe falou sobre a gestação de Isabel (Lucas 1:36). Isso fez com que Maria fosse lhe visitar. Nesse encontro, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, João Batista saltou em seu ventre.

O nascimento de João Batista

No tempo oportuno, Isabel deu à luz a João Batista. Na cerimônia de escolha do nome do menino, Zacarias, seu pai, recuperou a voz. Inicialmente as pessoas estavam chamando o menino de Zacarias; mas o nome que deveria ser dado era João. Então de forma sobrenatural, Isabel também anunciou esse mesmo nome, antes que Zacarias o confirmasse escrevendo-o em uma tábua.

Todos esses acontecimentos trouxeram grande temor no povo, de modo que em todas as montanhas da Judéia foram divulgadas as coisas que estavam ocorrendo em conexão com o nascimento de João Batista. Assim, todas as pessoas se perguntavam sobre quem seria aquele menino.

O ministério de João Batista

João Batista cresceu no deserto da Judéia (Lucas 1:80). Em aproximadamente 26 d.C., ele recebeu o chamado para exercer seu ministério profético (Lucas 3:2). Alguns estudiosos tem sugerido que João Batista, durante seus anos de formação, pode ter tido contato com os Essênios. Os Essênios formavam um grupo separatista judaico que observava a Lei com rigor. Esse grupo vivia geralmente em comunidades reclusas no deserto, como os assentamentos descobertos em Qumran.

Seja como for, a verdade é que foi uma experiência espiritual completamente diferente que fez com João Batista desempenhasse sua tarefa especial de “preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lucas 1:17). Dessa forma, certamente ele rompeu com qualquer influência anterior.

Logo que iniciou seu ministério profético, João Batista começou a ser grandemente reconhecido como o pregador do arrependimento. Por isso tão logo um grande número de judeus se reunia para ouvi-lo.

A mensagem de João Batista era dura, mas necessária. Ele se posicionou de forma radical contra as normas judaicas e condenou os fariseus e líderes religiosos da nação como sendo uma “raça de víboras”. Para João Batista, apenas ser descendente de Abraão não bastava; era necessário um recomeço, um arrependimento genuíno. Assim, muitos receberam dele no rio Jordão o batismo do arrependimento, ao confessarem seus pecados.

João Batista convocava um remanescente fiel dentre o povo judeu. Com arrependimento sincero, esse remanescente deveria estar pronto para receber a chegada de Alguém muito maior do que ele próprio.

João Batista anunciava claramente que ele apenas estava servindo de arauto para o Messias que estava às portas. João também avisava que enquanto ele batizava com água, esse Alguém que viria após ele batizaria com Espírito e com fogo. Isso significa que não haveria meio termo, o Messias traria salvação e juízo.

A severidade e urgência da mensagem de João Batista podem ser notadas na sentença: “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mt 3:10).

É claro que essa mensagem estava plenamente de acordo com alguém que havia sido escolhido por Deus para preparar o caminho daquele que, em Sua mão, tem a pá para limpar a eira, separar o trigo no celeiro e queimar a palha com fogo inextinguível (Mateus 3:12). Realmente a mensagem do último profeta antes do Messias não poderia ser diferente.

João exerceu seu ministério no deserto da Judéia, Samaria e Enom, perto de Salim (João 3:23). Provavelmente seu período em atividade teve curta duração, mas foi bastante intenso. Ele passou seus últimos anos na região de Pereia, que pertencia à tetrarquia de Herodes Antipas.

Ele também foi seguido por discípulos fiéis. A eles João Batista ensinava regras práticas e objetivas de caridade, piedade e justiça.

João Batista e o batismo de Jesus

Nosso Senhor Jesus estava entre aqueles que receberam o batismo de João. A Bíblia relata que foi Jesus quem pediu para ser batizado. João Batista até esboçou certa relutância por se considerar indigno de realizar essa tarefa.

Na ocasião do batismo de Jesus, João Batista reconheceu claramente que Ele era aquele que estava sendo anunciado em sua pregação (Mateus 3:13-15). Foi nesse mesmo momento também que, de forma sobrenatural, o Espírito Santo desceu sobre Jesus e ouviu-se uma voz do céu dizendo: “Tu és o meu filho amado; em quem me comprazo” (Marcos 1:10,11).

A personalidade de João Batista

Os Evangelhos fornecem poucas informações pessoais sobre João Batista. Porém, pelo pouco que é dito, podemos presumir que João Batista tinha uma personalidade forte e vigorosa; algo condizente com a própria singularidade da mensagem que proclamava.

João Batista se vestia de uma forma bastante simples. Ele usava vestes feitas de pelos de camelo, e usava um cinto de couro ao redor de seus lombos (Mateus 3:4). O próprio Jesus fez menção ao fato de que João Batista não usava vestes finas (Mateus 11:8).

João também tinha restrições semelhantes aos nazireus, como a proibição de tocar em bebida forte. Isso tem levado muitos estudiosos a entenderem que João Batista era um tipo de nazireu vitalício, ou seja, ele não era nazireu apenas em um período de voto, mas durante a vida toda, assim como Sansão deveria ter sido.

A alimentação de João Batista também seguia essa mesma linha simples. Ele comia mel silvestre e gafanhotos, alimentos estes que poderiam ser encontrados no deserto. Claro que não podemos entender que esses dois itens consistiam em toda dieta do profeta, mas que refletiam e evidenciavam seu modo de vida simples que apresentava um protesto vivo contra tudo o que ele denunciava.

João Batista era Elias?

Essa é uma dúvida que surgiu no tempo de João Batista e que persiste até hoje em algumas pessoas. A verdade é que João Batista não era Elias, e ele próprio esclareceu isso enfaticamente (João 1:21).

No entanto, de forma figurada, ele pode ser identificado como sendo Elias, como o próprio Jesus assim o fez (Mateus 11:13,14; cf. 17:12; Marcos 9:12,13). Isso significa que seu ministério profético e suas ações foram semelhantes ao ministério e as ações do profeta Elias.

Isso fica bastante claro quando comparamos a profecia do profeta Malaquias com o anuncio feito por Gabriel de que ele prepararia o caminho do Messias “no espírito e poder de Elias” (cf. Malaquias 3:1; 4:5; Lucas 1:17).

Assim como Elias, João Batista denunciou o pecado e conclamou o arrependimento. Portanto, o modo característico do ministério profético de Elias seria revelado também no ministério de João Batista.

A morte de João Batista

Em dado momento, parece que João Batista levantou as suspeitas de Herodes Antipas de ser ele o líder de um tipo de movimento popular que poderia ter consequências imprevisíveis, sobretudo políticas.

Aliado a isso, Herodias, esposa de Herodes, ficou particularmente aborrecida com João Batista por ele ter denunciado a ilegalidade de seu casamento com Herodes. Por esse motivo ele acabou sendo aprisionado na fortaleza de Herodes na Transjordânia.

Herodes não estava disposto a matar João Batista. Mas num determinado dia, Herodes Antipas acabou fazendo um juramento à filha de Herodias, e foi obrigado a entregar a cabeça de João Batista como prêmio. Então aproximadamente entre 27 e 29 d.C., João Batista foi decapitado.

A importância de João Batista

João Batista foi muito importante porque seu ministério marcou o início do tempo do cumprimento das promessas que Deus havia feito a Israel no Antigo Testamento. Essas promessas falavam sobre a vinda de seu reino e a chegada do Messias. Com base nesse entendimento, podemos destacar os seguintes pontos:

  • O próprio João Batista é o cumprimento de profecias feitas ainda no Antigo Testamento. Desse modo os profetas Isaías e Malaquias falaram sobre ele (Isaías 40:3; Malaquias 3:1; 4:5). O próprio Jesus declarou que ele era o profeta que havia sido prometido (Marcos 9:13; Mateus 11:14).
  • Seu ministério, como sendo o último profeta, concluiu a responsabilidade da revelação divina sob a antiga ordem. Isso fica claro nas palavras de Jesus: “A Lei e os profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus” (Lucas 16:16).
  • De forma muito semelhante a Moisés que apenas avistou a Terra Prometida, João também foi um arauto que permaneceu no limiar de um novo tempo; o tempo da chegada do Reino de Deus. Ele avistou de forma muito próxima, porém não participou dessa nova era em vida. Sua prisão serviu de sinal para o início do ministério de Jesus na Galiléia (Marcos 1:14).
  • Os próprios apóstolos faziam referência sobre a veracidade e importância do ministério de João Batista. Isso aconteceu, por exemplo, na pregação de Paulo em Antioquia (Atos 13:24ss; cf. Atos 10:37).
  • Depois dos apóstolos, João Batista foi a pessoa mais importante que testemunhou o ministério de Jesus. Nesse sentido ele desfrutou de um privilégio que nenhum outro profeta do Antigo Testamento alcançou.
  • João Batista serviu de referencial para o ministério do próprio Cristo, no sentido de que ele veio para ser o precursor imediato do ministério do Filho de Deus, e refletindo no fato de que a grandeza de João serve como parâmetro para se perceber a grandeza de Cristo nas Escrituras. Sua vida foi um sinal vivo de que Jesus era o Messias prometido. Portanto, se aquele que foi o predecessor de Jesus, era o maior entre os homens, fica claro a importância indescritível daquele a quem João anunciava.
  • A Bíblia não registra nenhum milagre feito por João Batista. Todavia, Jesus testificou que não houve ninguém nascido de mulher maior do que ele, colocando-o como o último e mais importante dos profetas da Antiga Aliança (Lucas 7:24-28; 16:16). Aqui entendemos que não são os sinais e prodígios que fazem com que alguém seja notável, mas, sim, o desempenho da tarefa lhe foi designada por Deus. Jesus declarou isso sobre João Batista justamente porque ele foi destinado a preparar o caminho para o Messias.
  • Jesus também falou que, apesar de ser o maior nascido de mulher, o menor no Reino de Deus seria maior do que João Batista. Com isso Jesus estava se referindo ao fato de que João estava sendo privado de participar de forma intima de Seu ministério que estava acontecendo enquanto ele amargava um aprisionamento. Além do mais, ele não presenciaria o sacrifício no Calvário, nem a ressurreição, ou mesmo experimentaria o Pentecostes. Assim, o menor do Reino era maior do que João Batista no sentido de ser mais altamente privilegiado por poder presenciar ou viver após o acontecimento de tais coisas.
  • Foi João Batista que teve a honra de contemplar o Cristo e dizer as importantes palavras: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
  • João Batista compreendeu muito bem sua missão. Mesmo durante o tempo em que seu ministério foi simultâneo ao de Cristo, ele, como um bom arauto, permaneceu em segundo plano diante da presença do Rei que havia chegado (cf. João 3:22ss). Em momento algum João Batista tentou atrair a atenção para si mesmo. Sobre isso, ele mesmo disse: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30).

Certamente quando meditamos sobre quem foi João Batista, ficamos perdidamente maravilhados com a forma com que Deus conduz a História. Ele escolhe aqueles que são Seus e cumpre Suas promessas nos mínimos detalhes.

FONTE: https://estiloadoracao.com/quem-foi-joao-batista/

 

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