A crise tem se agravado com
a crescente insegurança e a igreja iraniana pede apoio oração para cuidar do
máximo de pessoas (foto representativa)
Cristãos no Irã vivem dias de silêncio,
medo e incerteza após mais de uma semana de guerra e apagões quase totais de
comunicação. Parceiros da Portas Abertas conseguiram contato breve com alguns
deles e confirmam que muitos estão seguros, expressando a fé no
contexto improvável, mas enfrentam condições extremas.
Entenda como cristãos são perseguidos no Irã, 10º país da Lista
Mundial da Perseguição 2026.
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Desaparecimentos
e bloqueio de comunicações
“Foi um grande alívio finalmente
ouvir as vozes de nossos irmãos e irmãs depois de nove dias de
silêncio. Louvado seja o Senhor, eles estão seguros”, compartilha um parceiro
da Portas Abertas, cujo nome não pode ser revelado por
segurança, que recentemente conseguiu fazer breves ligações para alguns
cristãos no Irã.
Parceiros da Portas Abertas
compartilharam o desafio de uma família cristã cujo filho
desapareceu nos protestos de janeiro. Eles buscaram respostas em prisões e
necrotérios, mas seguem sem informações, agora agravado pelo bloqueio de
comunicações.
“Por favor, orem
pela proteção do filho, onde quer que ele esteja, e por conforto para
os pais enquanto aguardam notícias. O silêncio e a incerteza têm sido
extremamente pesados para eles”, o parceiro local
relata.
Jovens soldados abandonados
na linha de frente
Cristãos
locais também relatam que jovens soldados, muitos deles
cumprindo recrutamento obrigatório, têm sido abandonados nos
quartéis. Mohsen (pseudônimo), um cristão iraniano, relata como o
momento tem sido desafiador para a família.
“Meu sobrinho está servindo como
recruta. Recentemente, muitos comandantes deixaram os quartéis, e os jovens
soldados foram colocados na linha de frente. A situação é muito
preocupante para nossa família.”
Crise econômica e caos
na prisão de Evin
Antes mesmo do conflito se
acentuar no início deste ano, a inflação, o desemprego
e a pobreza já afetavam milhões de iranianos. O fechamento do
Estreito de Ormuz e a instabilidade política agravaram a falta de
alimentos, medicamentos e renda. A igreja tenta continuar ajudando com
itens básicos, mas as necessidades só aumentam no Irã.
Além disso, relatos indicam que guardas
abandonaram partes da prisão de Evin, onde muitos cristãos são
mantidos por causa da fé. Mesmo antes da guerra, as condições eram
atrozes, e muitos cristãos relataram terem sido torturados em Evin.
“Um amigo da família, que está preso em
Evin, conseguiu enviar uma mensagem dizendo que eles estão basicamente
sobrevivendo de pão e água. Ele disse que, em alguns casos, os guardas se
recusam a dar água aos presos, a menos que paguem por ela”,
compartilha o parceiro da Portas Abertas.
Riscos dentro e fora do Irã
O regime iraniano tem usado áreas
densamente povoadas para operações militares, colocando civis em risco. Há
ainda casos de combatentes usando roupas civis para evitar identificação, o que
pode aumentar o perigo para a população.
O procurador-geral iraniano ameaçou
confiscar propriedades de iranianos que vivem no exterior caso sejam
considerados colaboradores do “inimigo”, além de prever punições severas, até a
pena de morte.
Famílias cristãs acolhem
desabrigados
Uma família cristã abriu seu pequeno
apartamento para acolher outra família cuja casa foi destruída por uma
explosão. Mesmo com pouco espaço e recursos limitados, eles se reúnem
diariamente para orar, ler a Bíblia e fortalecer uns aos outros em meio ao medo
e às perdas.
“Nossa visão sempre foi capacitar a
igreja no Irã para que possam apoiar uns aos outros com o que têm. Mesmo que a
situação no país continue muito difícil e instável, louvo ao Senhor por ver que
a visão pela qual oramos está se tornando realidade”, acrescenta o parceiro
local.
Em meio à perda, descobriu uma comunhão
mais profunda e unidade em Cristo. Sua casa se tornou um pequeno refúgio de fé,
esperança e amor.
Eles agradecem a Deus não apenas pela
segurança, mas pela bênção de compartilharem a vida juntos. Mesmo em meio à
guerra, seus corações se enchem de louvor, confiando que Deus está presente e é
fiel. E pedem orações por proteção, provisão e paz para famílias
devastadas, desaparecidos, presos, soldados forçados à linha de frente e civis
que permanecem em casa em meio aos bombardeios.
Veja como orar pelos
cristãos no Oriente Médio no Domingo da Igreja Perseguida 2026.


