sexta-feira, 12 de setembro de 2025

0 Reflexão – Há um abismo


 



INTRODUÇÃO – Venho observando nos últimos anos e constatando que se formou um abismo intransponível entre a Igreja Primitiva e a atual. Embora gritemos a plenos pulmões que somos a extensão dela, isso não se aplica na prática.

Qualquer estudante sério que lê sobre a Igreja Primitiva e a compara conosco percebe o quão gritante é a distância — não em anos, mas em essência — que nos separa. Temo que, quando o Senhor Jesus vier buscar a Sua Igreja, encontre apenas resquícios daquela comunidade pujante e viva que Ele deixou na terra.

1. Há um abismo doutrinário

É um fato inegável que o nosso ensino doutrinário (sobre o Calvário, a justificação pela fé e a santificação) não chega perto do que vivia a Igreja Primitiva. E isso não é falta de Teologia — pois hoje a temos de sobra —, mas falta de temor a Deus. Uma vez que não vivemos o verdadeiro Evangelho, a tendência é distorcê-lo para que caiba em nossa vida medíocre.

2. Há um abismo na abordagem financeira

Para começo de conversa, não há ocorrência de dízimo (como mandamento da lei) nos primeiros anos da Igreja Primitiva. Uma vez que o Cristianismo não é uma extensão do Judaísmo, mas uma nova aliança, não encontramos o incentivo ao dízimo nas epístolas nem nos escritos dos Pais da Igreja.

Nem mesmo o Senhor Jesus ensinou tal prática para a Igreja; Sua única menção ao tema (Mateus 23:23) é uma crítica ao legalismo judaico, e não um mandamento aos Seus discípulos. Mas este é assunto para outra postagem.

3. Há um abismo político

Jesus e os apóstolos nos ensinaram a respeitar e obedecer às autoridades, mas nunca a fazer alianças espúrias com elas. A Igreja nunca precisou de “representação política”; isso é um engodo de homens cujo único objetivo é lucrar às custas do povo de Deus.

Há pastores que levam esses homens aos seus púlpitos e vendem suas ovelhas a quem paga melhor. Saibam que, um dia, prestarão contas ao Sumo Pastor, o Senhor da Igreja.

4. Há um abismo na evangelização

Falta amor pelas almas perdidas. Salvo exceções, a igreja hodierna tornou-se fria, egoísta e avarenta. Estamos satisfeitos com o número de pessoas que já temos e achamos que os outros “se virem” para serem salvos.

Queremos Jesus só para nós, esquecendo que o mundo caminha para o sofrimento eterno. Para ser sincero, muitos cristãos hoje mal acreditam na realidade do inferno. Vivemos tão ocupados com o nosso próprio lazer que não nos sobra tempo para pensar na salvação dos perdidos.

5. Há um abismo na prática do amor

O Senhor Jesus resumiu a Lei em dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Porém, no século XXI, impera o “cada um por si”.

Esses mandamentos não existem para serem dissecados teologicamente em laboratórios, mas para serem praticados diariamente. Pergunto-lhe: você vê esse amor nos cristãos modernos? Há amor em sua comunidade? Há amor em você?

CONCLUSÃO
Eu poderia citar inúmeros outros exemplos, mas se eu puder fazer ao menos uma pessoa refletir e buscar mudança de vida, terei alcançado meu objetivo. Talvez alguns me achem duro ou arrogante, contudo, estou cumprindo o trabalho que Deus me confiou.

Há quase duas décadas, o blog A VOZ DA PALAVRA PROFÉTICA existe para soar o alerta como um atalaia: arrependam-se e voltem-se para Deus. Quero ser fiel à missão que o Senhor me entregou. Amém.

Em Cristo,
João Augusto de Oliveira

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