INTRODUÇÃO – Venho observando nos últimos anos e constatando que se formou um abismo intransponível entre a Igreja Primitiva e a atual. Embora gritemos a plenos pulmões que somos a extensão dela, isso não se aplica na prática.
Qualquer estudante sério que lê sobre a
Igreja Primitiva e a compara conosco percebe o quão gritante é a distância —
não em anos, mas em essência — que nos separa. Temo que, quando o Senhor Jesus
vier buscar a Sua Igreja, encontre apenas resquícios daquela
comunidade pujante e viva que Ele deixou na terra.
1. Há um abismo doutrinário
É um fato inegável que o nosso ensino
doutrinário (sobre o Calvário, a justificação pela fé e a santificação) não
chega perto do que vivia a Igreja Primitiva. E isso não é falta de Teologia —
pois hoje a temos de sobra —, mas falta de temor a Deus. Uma vez
que não vivemos o verdadeiro Evangelho, a tendência é distorcê-lo para que
caiba em nossa vida medíocre.
2. Há um abismo na
abordagem financeira
Para começo de conversa, não há
ocorrência de dízimo (como mandamento da lei) nos primeiros anos da
Igreja Primitiva. Uma vez que o Cristianismo não é uma extensão do Judaísmo,
mas uma nova aliança, não encontramos o incentivo ao dízimo nas epístolas nem
nos escritos dos Pais da Igreja.
Nem mesmo o Senhor Jesus ensinou tal
prática para a Igreja; Sua única menção ao tema (Mateus 23:23) é uma crítica
ao legalismo judaico, e não um mandamento aos Seus discípulos. Mas este é
assunto para outra postagem.
3. Há um abismo político
Jesus e os apóstolos nos ensinaram a
respeitar e obedecer às autoridades, mas nunca a fazer alianças
espúrias com elas. A Igreja nunca precisou de “representação política”;
isso é um engodo de homens cujo único objetivo é lucrar às custas do
povo de Deus.
Há pastores que levam esses homens aos
seus púlpitos e vendem suas ovelhas a quem paga melhor. Saibam que, um dia,
prestarão contas ao Sumo Pastor, o Senhor da Igreja.
4. Há um abismo na
evangelização
Falta amor pelas almas perdidas. Salvo
exceções, a igreja hodierna tornou-se fria, egoísta e avarenta.
Estamos satisfeitos com o número de pessoas que já temos e achamos que os
outros “se virem” para serem salvos.
Queremos Jesus só para nós, esquecendo
que o mundo caminha para o sofrimento eterno. Para ser sincero, muitos cristãos
hoje mal acreditam na realidade do inferno. Vivemos tão ocupados com o nosso
próprio lazer que não nos sobra tempo para pensar na salvação dos
perdidos.
5. Há um abismo na prática
do amor
O Senhor Jesus resumiu a Lei em dois
mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Porém, no século XXI, impera o “cada um por si”.
Esses mandamentos não existem para
serem dissecados teologicamente em laboratórios, mas para serem praticados
diariamente. Pergunto-lhe: você vê esse amor nos cristãos modernos? Há amor
em sua comunidade? Há amor em você?
CONCLUSÃO
Eu poderia citar inúmeros outros exemplos, mas se eu puder fazer ao menos uma
pessoa refletir e buscar mudança de vida, terei alcançado meu
objetivo. Talvez alguns me achem duro ou arrogante, contudo, estou cumprindo o
trabalho que Deus me confiou.
Há quase duas décadas, o blog A
VOZ DA PALAVRA PROFÉTICA existe para soar o alerta como um
atalaia: arrependam-se e voltem-se para Deus. Quero ser fiel à
missão que o Senhor me entregou. Amém.
Em Cristo,
João Augusto de Oliveira


0 comentários:
Postar um comentário