
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
2 Evangelização ou marketing?

sábado, 28 de janeiro de 2012
2 O problema da existência do mal
O Problema da Existência do
Mal
A existência do mal no mundo talvez
seja a mais forte objeção que os descrentes tenham contra o cristianismo
bíblico. As argumentações podem ser assim formuladas: se Deus é Todo-Poderoso,
Ele deveria ter sido capaz de impedir a presença do mal; e, se Ele fosse
essencialmente bom, teria a vontade de impedi-lo. Assim, a conclusão lógica
seria que, se Deus tivesse todo o poder e toda a bondade, o mal não existiria.
Contudo, o mal é uma realidade; ele existe, e isto leva muitos à afirmação de
que não existe um Deus Todo-Poderoso e essencialmente bom.
Muitos pensam que somente filósofos
ateus olham o problema desta forma. Entretanto, quem de nós ainda não exclamou:
“Por que, Senhor?”, quando as tragédias da vida nos batem à porta? Muitas vezes
sentimos uma terrível discrepância entre a experiência que vivenciamos e aquilo
que cremos que Deus deveria ter feito. Muitas pessoas que têm experimentado o
sofrimento — como a morte de um filho — ou simplesmente aquelas que acompanham
a violência, a injustiça, as guerras e os abusos tão frequentes no nosso mundo,
ficam perplexas e questionam por que Deus permite o mal.
Há uma corrente teológica que afirma
ser Deus o autor do mal. Eles fazem sua própria hermenêutica e enfatizam textos
como Romanos 9:17 (“Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te
levantei, para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado
em toda a terra”), afirmando que Deus levanta pessoas más — e, por
implicação, todo o mal — para que, ao prevalecer sobre elas, possa mostrar Seu
poder e anunciar Seu nome. Esse raciocínio é equivocado e levanta as seguintes
perguntas:
- Como Deus julgará o homem um dia por todo o bem e
todo o mal, se Ele próprio é o criador do mal?
- Por que o anúncio do Seu nome e a manifestação do
Seu poder requereria a utilização de coisas totalmente opostas a tudo o
que Ele é?
- Será que Deus não poderia demonstrar Seu poder
sem contradizer Sua bondade?
- Será que Deus não poderia fazer Seu nome
conhecido sem provocar dor e sofrimento na humanidade?
- Como pode um Deus de amor, detentor de toda
onisciência e onipotência, fazer alguém essencialmente mau,
quando Ele próprio odeia o mal com todo o Seu ser?
Vamos examinar algumas explicações e
argumentações históricas dadas por diversos pensadores como resposta à origem
do mal:
1. O mal não existe
Algumas religiões e seitas (como o
Budismo e a Ciência Cristã) afirmam que o mal é uma ilusão. Até mesmo
Agostinho, respeitado pensador cristão, disse que o mal pertencia à categoria
do "não ser". É claro que ele não quis dizer que o mal é uma ilusão,
mas sim uma “privação” — uma ausência do bem em seres que deveriam possuí-lo.
Ele usa essa ideia para retirar a responsabilidade de Deus sobre a origem do
mal: Deus criou todos os seres, mas não é responsável pelo "não ser".
No entanto, essa teoria falha porque a experiência da dor e do sofrimento não é
ilusória; ela é real e fere.
2. Deus não tem poder
Alguns afirmam que Deus não elimina o
mal porque não tem poder para isso. Ele tentaria fazer o Seu melhor, mas seria
limitado. Esta perspectiva nega as doutrinas históricas do cristianismo sobre a
onipotência, onisciência e soberania divina, tentando preservar apenas o
atributo da bondade. Porém, as Escrituras são claras ao descrever um Deus que
tudo pode, tudo conhece e é soberano em Seus atos.
3. A teoria do melhor mundo
possível
O filósofo Leibniz argumentou que este
mundo, com todo o seu mal, é o melhor que Deus poderia criar. A razão não seria
uma limitação divina, mas a própria lógica da criação: um certo grau de maldade
seria necessário para alcançar fins bons (como o sofrimento ser necessário para
que exista a compaixão). Esta visão é contestável, pois um mundo perfeito não
requer logicamente a presença do mal. Deus é perfeito e o mal não habita n'Ele;
na criação original, o mal não estava presente (Gn 1:31) e, no estado final
(novos céus e nova terra), ele também não existirá (Ap 21:1-8).
4. A formação do caráter
Defendida por Irineu e, modernamente,
por John Hick, esta tese diz que o homem foi criado em estado de imaturidade
moral. Para atingir a maturidade plena, seria necessário passar pela dor.
Embora o sofrimento possa lapidar o caráter (como em Hebreus 12), a Bíblia
ensina que Adão não foi criado moralmente imaturo. Ele foi criado bom e, se não
tivesse pecado, jamais teria provado o sofrimento, que é um resultado direto da
Queda.
5. O livre-arbítrio do
homem
Esta teoria argumenta que o mal resulta
da escolha livre das criaturas racionais (Satanás, Adão e a humanidade). Como o
livre-arbítrio não é controlado por Deus, Ele não seria o responsável pelo mal.
A Bíblia ensina que o homem é, em certo sentido, livre para agir conforme sua
vontade. Adão tinha a liberdade de escolher entre o bem e o mal; a Queda
corrompeu essa vontade, inclinando o homem ao pecado, mas a redenção em Cristo
restaura a verdadeira liberdade ao que crê. Não somos vítimas de um determinismo
histórico.
A Bíblia não permite que lancemos
nossas deficiências e limitações em fatores hereditários, ambientais,
psicológicos, culturais ou quaisquer outros. Não temos desculpas por violarmos
os mandamentos de Deus; somos responsáveis por todas as nossas decisões e
ações, pois são atos livres.
Ao estudarmos a origem do mal, devemos
estar cônscios de que as soluções encontradas nem sempre respondem a todos os
pormenores que a nossa razão levanta. Somente a nossa fé em Deus e a confiança
na revelação bíblica trarão descanso, consolo e paz aos nossos corações.
Devemos sempre ser gratos ao Senhor pelo nosso livre-arbítrio — por essa
capacidade de escolher entre o bem e o mal e pelo fato de não sermos robôs, mas
seres que servem a Ele por própria vontade e decisão.
Autor: Pastor Cláudio Rogério dos Santos (Vice-presidente da IEADAN e
membro da Comissão de Apologética da CGADB).
Postado por: João Augusto de Oliveira.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
0 Se a lei da palmada vigorar, será que vão também prender Deus?
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
2 A saga do BBB – num país sem limites para o pecado
"Neste país, não se fala em outra
coisa senão Big Brother Brasil. O assunto domina a mídia e mobiliza aqueles que
se esforçam para disseminar o que considero uma praga.
É alarmante que, em uma nação onde a
desigualdade social é gritante, o déficit habitacional é crítico e a violência
aprisiona cidadãos em suas casas, o debate nacional gire em torno de um reality
show.
Por acaso nos julgam idiotas? É urgente
acordar para o fato de que há prioridades muito maiores do que essa exposição
de baixarias ao vivo. Enquanto o povo se aliena com entretenimento fútil e
festas, a classe política segue agindo conforme seus interesses, longe da
fiscalização sobre o uso do dinheiro público.
Embora vivamos em um país livre, essa
liberdade também nos cabe para repudiar o 'lixo' que nos é oferecido. Onde
estão as vozes das igrejas e dos líderes religiosos que ocupam os altares deste
país?
Basta de passividade! É hora de
protestar. Se nos dizemos 'sal da terra', por que permitimos que a sociedade se
deteriore como carne exposta? Onde está o nosso vigor, ou será que já perdemos
o sabor?"
João Augusto de Oliveira
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
0 Aquele dia
domingo, 22 de janeiro de 2012
0 Grandes “pregadores”, pequenos resultados
Há duas décadas, fui convidado pela primeira vez para participar de uma agência nacional de pregadores. Um companheiro de púlpito me ofereceu um cartão e disse: “Seria um prazer tê-lo em nossa agência”. Então, lhe perguntei: “Como funciona essa agência?” E a sua resposta me deixou estarrecido: “As igrejas ligam para nós, especificam que tipo de pregador desejam ter em seu evento, e nós cuidamos de tudo. Negociamos um bom cachê”.
É impressionante como o pregador, de uns tempos para cá, se transformou em um produto. Há alguns anos, depois de eu ter pregado em uma igreja (não me pergunte onde), certo pastor me disse: “Gostei da sua pregação, mas o irmão conhece algum pregador de vigília?” Achei curiosa essa pergunta, pois eu gosto de oração, já preguei várias vezes em vigílias, porém, segundo aquele irmão, eu não serviria para pregar em uma vigília!
Em nossos dias — para tristeza do Espírito Santo — pertencer a uma agência de pregadores tornou-se comum e corriqueiro. E os convites para ingressar nessas agências chegam principalmente pela Internet. Nos sites de relacionamento encontramos comunidades pelas quais os internautas mencionam quem é o seu pregador preferido e por quê. Certa jovem, num tópico denominado “O melhor pregador”, declarou: “Não existe ninguém melhor que ninguém; cada um tem a sua maneira de pregar, e cada pessoa avalia segundo o seu gosto”.
Ela tem razão. Ser pregador, hoje em dia, não basta. Você tem de atender às preferências do povo. Já ouvi irmãos conversando e dizendo: “Fulano é um ótimo pregador, mas não é pregador de congresso” ou “Fulano tem muito conhecimento, mas não gosta do reteté”.
Conheçamos alguns tipos de pregador e seus públicos-alvo:
Pregador humorista. Diverte muito o seu público-alvo. Tem habilidade para contar fatos anedóticos (ou piadas mesmo) e fazer imitações. Ele é como famosos humoristas do gênero stand-up comedy. De vez em quando cita versículos. Mas os seus admiradores não estão interessados em ouvir citações bíblicas. Isso, para eles, é secundário.
Pregador “de vigília”. Também é conhecido como pregador do reteté. Aparenta ter muita espiritualidade, mas em geral não gosta da Bíblia, principalmente por causa de 1 Coríntios 14, especialmente os versículos 37 e 40: “Se alguém cuida ser espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... faça-se tudo decentemente e com ordem”. Quando ele vê alguém manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15), considera-o frio e sem unção. Ignora que o expoente que agrada a Deus precisa crescer na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18; Jo 1.14; Mt 22.29). Seu público parece embriagado e é capaz de fazer tudo o que ele mandar.
Pregador “de congresso”. Entre aspas porque existe o pregador de congresso que faz jus ao título. Mas o pregador “de congresso” (note: entre aspas) anda de mãos dadas com o pregador “de vigília”, mas é mais famoso. Segundo os admiradores dessa modalidade, trata-se do pregador que tem presença de palco e muita “unção”. Também conhecido como pregador malabarista ou animador de auditórios, fica o tempo todo mandando o seu público repetir isso e aquilo, apertar a mão do irmão ao lado, beliscá-lo... Se for preciso, gira o paletó sobre a cabeça, joga-o no chão, esgoela-se, sopra o microfone, emite sons de metralhadora, faz gestos que lembram golpes de artes marciais... Exposição bíblica que é bom... quase nada!
Pregador “de congresso” agressivo. É aquele que tem as mesmas características do pregador acima, mas com uma “qualidade” a mais. Quando percebe que há no púlpito alguém que não repete os seus bordões, passa a atacá-lo indiretamente. Suas principais provocações são: “Tem obreiro com cara de delegado”, “Hoje a sua máscara vai cair, fariseu”, “Você tem cara amarrada, mas você é minoria”. Estas frases levam o seu fanático público ao delírio, e ele se satisfaz em humilhar as pessoas que não concordam com a sua postura espalhafatosa.
Pregador popstar. Seu pregador-modelo é o show-man Benny Hinn, e não o Senhor Jesus. É um tipo de pregador admirado por milhares de pessoas. Já superou o pregador de congresso. É um verdadeiro artista. Veste-se como um astro; sua roupa é reluzente. Ele, em si, chama mais a atenção que a sua pregação. É hábil em fazer o seu público a abrir a carteira. Seus admiradores, verdadeiros fãs, são capazes de dar a vida pelo seu pregador-ídolo. Eles não se importam com as heresias e modismos dele. Trata-se de um público que supervaloriza o carisma, em detrimento do caráter.
Pregador “ungido”. Para impressionar o seu público, derrama óleo sobre a própria cabeça ou pede para seus auxiliares fazerem isso. Um desses pregadores pediu, recentemente, para sua equipe derramar doze jarras de azeite em sua cabeça!
Pregador milagreiro. Também tem como paradigma Benny Hinn, mas consegue superar o seu ídolo. Sua exegese é sofrível. Baseia-se, por exemplo, em 1 Coríntios 1.25, para pregar sobre “a unção da loucura de Deus”. Cativa e domina o seu público, que, aliás, não está interessado em ouvir uma exposição bíblica. O que mais deseja é ver sinais, como pessoas lançadas ao chão supostamente pelo poder de Deus e fenômenos controversos. Em geral, o pregador milagreiro, além de ilusionista e “poderoso” (Dt 13.1-4), é aético e sem educação. Mesmo assim, ainda que xingue ou ameace os que se opõem às suas sandices e invencionices, o seu público é fiel e sempre diz “aleluia”.
Pregador mercantilista. Todas as suas mensagens têm como meta induzir o seu público e dar dinheiro. Esse tipo de pregador existe desde os tempos dos apóstolos (2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3) e, na atualidade, aparece bastante na televisão. Qualquer passagem bíblica pode ser usada para atender aos seus propósitos mercantilistas. Isaque é a “melhor oferta financeira”, jumentinho que Jesus montou é “BMW”. E assim por diante.
Pregador contador de histórias. Conta histórias como ninguém, mas não respeita as narrativas bíblicas, acrescentando-lhes pormenores que comprometem a sã doutrina. Costuma contextualizar o texto sagrado ao extremo. Ouvi certa vez um famoso pregador dizendo: “Absalão, com os seus longos cabelos, montou na sua motoca e vruuum...” Seu público — diferentemente dos bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11) — recebe de bom grado histórias extrabíblicas e antibíblicas.
Pregador cantante. Indeciso quanto à sua chamada. Costuma cantar dois ou três hinos (hinos?) antes da pregação e outro no meio dela. Ao final, canta mais um. Seu público gosta dessa “versatilidade” e comemora: “Esse irmão é uma bênção! Prega e canta”. Na verdade, ele não faz nenhuma das duas coisas bem.
Pregador “massagista”. É hábil em dizer palavras que massageiam os egos e agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5). Procura agradar a todos porque a sua principal motivação é o dinheiro. Ele não tem outra mensagem, a não ser “vitória”, principalmente a financeira. Talvez seja o tipo de pregador com maior público, ao lado dos pregadores humorista, popstar e milagreiro.
Pregador sem graça. É aquele que não tem a graça de Deus (At 4.33). É um pregador bem suado, e não necessariamente abençoado. Sua pregação é como uma espada: comprida e chata (maçante, enfadonha). Mas até esse tipo de pregador tem o seu público, formado pelos irmãos que gostam de dormir ou conversar durante a pregação.
Pregador chamado por Deus (1 Tm 2.7). Prega a Palavra de Deus com verdade. Estuda a Bíblia diariamente. Ora. Jejua. É verdadeiramente espiritual. Tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus. Seu paradigma é o Senhor Jesus Cristo, o maior pregador que já andou na terra. Ele não prega para agradar ou agredir pessoas, e sim para cumprir o seu chamado. Seu público — que não é a maioria, posto que são poucos os fiéis (Sl 12.1; 101.6) — sabe que ele é um profeta de Deus. Sua mensagem é Cristo (1 Co 1.22,23; 2.1-5).
Esse tipo de pregador está em falta em nossos dias, mas não chama muito a atenção das agências de pregadores. A bem da verdade, estas também sabem que nunca poderão contar com ele...
Qual é a sua modalidade preferida, prezado leitor? Você pertence a qual público? E você, pregador, qual dos perfis apresentados mais lhe agrada? Qual é a sua motivação? Você prega para agradar a Deus, verdadeiramente, ou tem outros interesses?
Blog do Ciro
0 Oficialmente inaugurado o primeiro prostíbulo evangélico
Batizado com o nome de “Cantares”, o primeiro prostíbulo evangélico (ou para evangélicos) surgiu simultaneamente em dois endereços: numa região nobre de São Paulo e em outra, não menos nobre, do Rio de Janeiro com suítes especiais, sendo que as mais caras e completas são: a “Suite Raabe”, toda decorada com cortinas vermelhas, e a “Suite Batsebá”, com espelhos d´água.
Calma, não vá se animando não, pois esta notícia foi trazida de uma publicação evangélica datada de 2018 (!).
Não me atrevo a uma “profetada”, nem ouso afirmar que é revelação, mas alguém aí duvida? Alguém acredita que isso não será noticiado em menos de 6 anos? Se já existem comunidades para gays evangélicos e para lésbicas evangélicas, escândalos nas igrejas que vão do “simples” adultério à pedofilia; sites com o sugestivo título de “evangélicas gostosas” e até quem se atreva a produzir filmes pornôs para evangélicos (clique aqui p/ ver), que mais estaria faltando? E olha que tem pastor apostando que essa é a “vontade do senhor” (a letra minúscula é proposital). Tem até teologia respaldando: “Tudo é puro para os puros”, e ainda a famosa frase de Paulo: “fiz-me de tudo para com todos”.
Essa tragicomédia seria hilária se não fosse catastrófica (a redundância é proposital). Do jeito que a coisa anda, o chamado neo-liberalismo, tem reduzido a Bíblia a um livro qualquer, onde quem ensina ou prega escolhe versículos como quem brincava de “lego” (lembra?). Com as mesmas peças se fazia um aviãozinho ou um cavalo.
A Bíblia não contém a Palavra de Deus. Ela é a Palavra de Deus.
Pastores : CUIDADO! De Deus não se zomba. Ou a Bíblia volta a ser a perfeita, completa e infalível Palavra de Deus, em tudo o que diz, de capa a capa, ou vamos jogá-la fora. Falta pouco para essa notícia deixar o campo da ficção.
“Ai dos que chamam de mau aquilo que é bom e que chamam de bom aquilo que é mau; que fazem a luz virar escuridão e a escuridão virar luz; que fazem o amargo ficar doce e o que é doce ficar amargo!” (Is 5:20).
Lamento estar postando algo tão grosseiro, mas se um avivamento genuíno, com choro, arrependimento sincero e busca por santidade não irromper entre nós, vamos ter de assistir essa inauguração, em horário nobre, para derrota completa desta nossa geração.
Maranata!
Fonte: [ Observatório Cristão ]
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
2 Conselhos a Um Pregador Itinerante
[carta dirigida a personagem fictícia, porém baseada em experiências e fatos bem reais]
Meu caro Pr. Filipe,
Obrigado por seu e-mail contando as experiências recentes em suas pregações Brasil afora. Eu mesmo tenho tido a oportunidade, durante meu ministério, de pregar praticamente em todos os Estados da Federação e em vários países do exterior. Só posso agradecer a Deus.
Acho que é por isso que me sinto à vontade para atender seu pedido de conselhos práticos para suas viagens. Vou falar de coisinhas práticas que, mesmo sendo pequenas e “mundanas”, podem estragar sua estada em uma igreja.
1. Se for viajar de avião, acerte bem cedo quem vai comprar a passagem. Já me aconteceu de chegar o dia de viajar e não ter um bilhete. Os que me convidaram não compraram passagem pensando que eu ia comprar! Foi uma dificuldade conseguir passagem de última hora e estas geralmente são mais caras.
2. Se ficar a seu critério comprar a passagem, veja o horário em que a programação começa, para não chegar em cima da hora. Dê sempre um espaço para atrasos nos aeroportos. Peça um assento no corredor ou janela, não deixe para marcar na hora do embarque. Você pode terminar lá no fundo, espremido entre dois gordões durante duas horas de vôo. Um verdadeiro inferno.
3. No caso de você comprar a passagem, guarde o comprovante para mostrar quanto custou, na hora do reembolso. Não será um problema se você não tiver comprovante, mas fica mais elegante e transparente estar pronto para mostrá-lo.
4. Escreva em lugar acessível um telefone para contato, e mesmo o endereço da Igreja ou do local das pregações, para quando chegar ao aeroporto da cidade onde vai pregar não ser surpreendido por um aeroporto vazio, sem ninguém lhe esperando. Já passei por isso, sem telefone de contato e sem endereço, e lhe garanto, é desesperador!
5. A bagagem é extremamente importante, em caso de compromissos fora da sua cidade. Se for de ônibus, tudo bem. Se for de avião, esteja preparado para extravios. A melhor coisa é viajar leve e acomodar suas roupas, etc. em uma mala ou bolsa que você possa levar consigo dentro do avião, sem ter que despachar como bagagem. Se não tiver jeito, leve pelo menos uma muda de roupa com você. As chances de extravio de bagagem são grandes. Já me ocorreu de chegar em Goiânia para pregar num grande evento, e minha mala se extraviou. Tive que morrer num Shopping Center para comprar de última hora uma roupa completa e todos os acessórios (por causa do meu tamanho, sempre é difícil conseguir paletó emprestado...). A mala só apareceu dois dias depois.
6. Ainda sobre bagagem. O costume das igrejas varia muito pelo Brasil quanto à indumentária do pregador. Em alguns lugares, usar paletó é sagrado. Em outras, indiferente. Meu conselho é que pergunte antes ao pastor da Igreja que indumentária ele costuma usar. E caso isso não tenha sido possível, leve um paletó completo por via das dúvidas. Esteja preparado para tudo – rasgar as calças, descosturar o zíper da calça do único paletó (isso me ocorreu na encantadora Porto Velho. Minha sorte foi que havia uma irmã que era excelente costureira e deu um jeito a tempo para o culto da noite), manchar o único paletó que levou logo na primeira refeição, etc.
7. Por falar em hospedagem, naqueles compromissos de mais de um dia, meu conselho é que não imponha como condição ficar num hotel. Pega muito mal. Infelizmente, muitos pregadores evangélicos de renome quando aceitam um convite impõem como condição, além da oferta já determinada, ficar em hotéis de várias estrelas, comer em determinados locais, etc. etc. Para mim, é coisa de mercenário. Diga que aceita ficar hospedado na casa de uma família desde que você tenha tempo para descansar e rever seus sermões e orar. No meu caso, eu acrescento que não consigo dormir com mosquito (pernilongo, muriçoca, etc. – você tem que lembrar que dependendo do lugar para onde vai, o nome muda...) e calor, e se a família tiver pelo menos um bom ventilador e repelente, já basta. Deixe a Igreja que lhe convida decidir aonde vai lhe hospedar. (Se você quiser ler um pouco sobre as bênçãos de ser hospedado – e dos que hospedam pregadores – leia uma série de posts sobre o assunto, que começa aqui.
8. Como você é presbiteriano, fique atento para um detalhe que pode acabar trazendo algum embaraço, se você for convidado para pregar numa igreja batista. Isso nunca me aconteceu, mas sei de casos em que o pastor presbiteriano foi pregar numa igreja batista e na hora da Ceia do Senhor foi preterido – o diácono zeloso não lhe serviu o pão e o vinho (como eram batistas, provavelmente era suco de uva). Ouvi falar de pastores presbiterianos que passaram por esse vexame e sei de pelo menos um que se levantou e saiu do culto, na hora. Não precisava tanto, talvez. Mas, que fica chato, fica. Você é crente o suficiente para estar falando lá e até para ensinar a congregação como trilhar os caminhos de Deus, mas não para tomar ceia...Por isso, cuidadosamente, pergunte antes ao colega batista, ou de outra denominação que restrinja a Ceia, se haverá celebração da Ceia e se ele tem a posição restrita ou mais aberta, que concede a Ceia aos pobres presbiterianos. O que é acertado antes, não sai caro.
9. Outro conselho – procure informar-se ao máximo da Igreja onde vai pregar, ou dos que estão patrocinando o evento em que você vai falar. Em 1997 paguei um dos maiores micos do meu ministério quando fui convidado para falar sobre Batalha Espiritual em uma igreja presbiteriana fora de São Paulo (eu tinha acabado de lançar meu livro O Que você Precisa Saber sobre Batalha Espiritual). Eles esperavam que eu falasse a favor e eu fui falar contra! Se eu tivesse tomado o cuidado de me informar cuidadosamente das posições do pastor da época e da situação da igreja, provavelmente teria recusado o convite ou então deixado muito claro que iria falar contra. Foram três dias de tensão e desconforto, na esperança de que Deus estivesse utilizando positivamente aquele constrangimento... Conhecer antecipadamente sua audiência vai ajudar a calibrar a pregação, determinar os conteúdos e tirar do baú do escriba coisas velhas e novas apropriadas para a ocasião (Mateus 13.52).
10. Nesse sentido, é bom estar absolutamente seguro da ocasião e do motivo do convite. O que a Igreja espera? É um aniversário da Igreja? Há um tema específico? Os temas das pregações ou palestras são livres? Eles esperam que você fale quantas vezes? Seja organizado, tenha tudo isso anotadinho bem antes do evento. Eu já passei por maus momentos por causa de desorganização. Cheguei à cidade onde tinha de pregar três vezes sem ter me assegurado da ocasião. Confesso que confiei demais na minha experiência e nos sermões de reserva que tenho de memória. A ocasião era o aniversário do coral da UPH!!! Eu não tinha sermão nenhum preparado para isso. Tive de improvisar na última hora e ficou aquela beleza...
11. Ainda alguns conselhos sobre as pregações. Pergunte antes o tempo que o pastor da igreja costuma pregar. Não abuse do fato que você é convidado. Você vai querer que eles se lembrem de você como “ah, aquele pastor que pregou tão bem sobre Lázaro...” e não como “ah, sim, aquele pastor que pregou cada sermão um mais comprido que o outro...”
12. Outro conselho muito importante. Pregadores itinerantes “como nós” costumam ter um pacote de sermões que levamos conosco e pregamos onde somos convidados. Pode acontecer o desastre de você repetir o mesmo sermão num mesmo lugar. Já passei por essa vergonha. Quem me salvou foi Solano Portela, que estava presente, e logo que eu anunciei o texto e fiz a introdução do sermão, ele discretamente se levantou do banco e me passou um bilhetinho onde estava escrito “você já pregou esse sermão aqui no mês passado”. Quase morri de vergonha. E o pior foi pregar na hora um sermão novo de improviso! Portanto, ache um jeito de registrar onde você pregou determinado sermão e quando, para evitar esse desastre.
13. Por incrível que pareça, o púlpito onde você vai pregar pode se tornar um problema. Há igrejas com púlpitos minúsculos e outras que nem púlpito tem mais – foram aposentados quando o pastor e a igreja adotaram grupo de coreografia, um enorme grupo de louvor e equipe de teatro. O pastor passou a pregar com microfone sem fio, andando pelo palco e pela igreja, sem anotações e sem a Bíblia diante dele, só contando histórias e experiências. Eu sei que você gosta de pregar expositivamente, de ter sua Bíblia aberta diante de você e as anotações ao lado. O que fazer em casos assim? Eu já me virei com aquele estande do regente do conjunto coral, onde de improviso acomodei a Bíblia e as notas. Em outras vezes, não teve jeito. Tive de pregar com a Bíblia aberta numa mão e o microfone sem fio na outra, sem chance de ter as anotações! Nesse caso, o que me salvou foi a boa memória a experiência de pregar de improviso. Meu conselho é que você também pergunte ao pastor se haverá ao menos um estande de regente para colocar Bíblia e notas. Outro conselho é que memorize os sermões e passe a pregar sem notas. Isso vai lhe salvar de inúmeras situações similares.
14. Agora, a questão da oferta. Na verdade, isso não deveria ser nem mesmo uma questão para você. No máximo é uma questão apropriada para quem convida. Quando isso passa ser o foco do seu ministério, vira coisa de mercenários, os que mercadejam a Palavra de Deus. Sei que existem muitos que não têm outras fontes de sustento a não ser o ministério itinerante, mas não é o seu caso e eu não saberia como lidar com essa situação... Já recebi vários convites que vinham com a pergunta receosa, “quanto o irmão cobra por palestra?” Obviamente, respondi que não cobro absolutamente nada, só preciso que paguem as despesas de passagem e hospedagem. Já houve casos em que acabei pagando para ir pregar em outro Estado, numa igrejinha que não tinha condições de pagar a passagem de avião. De ônibus, levaria 2 dias para ir e mais 2 dias para voltar (Deve ser por isso que minha agenda de pregações vive lotada...). Meu conselho é que não conte com ofertas, como se fosse coisa certa. Não são. São um extra, um bônus, que pode ter ou não. Se, todavia, a igreja ou entidade patrocinadora lhe oferecer uma oferta, aceite com alegria e gratidão. Se recusar, vai ofendê-los.
Bom, eu teria mais um monte de coisas para dizer sobre esse assunto. Afinal, após 30 anos como pregador itinerante, no Brasil e fora dele, a gente aprende muito. Mas, no geral, eu lhe diria que tem sido um grande privilégio e alegria pregar em tantos lugares diferentes. Os contratempos não representam nada diante das bênçãos. É claro que isso só tem sido possível pela compreensão e apoio da minha esposa (filha de missionários) e de nossos quatro filhos... recentemente fiquei muito alegre quando uma igreja mandou uma carta para minha esposa e filhos, agradecendo por terem me liberado para passar um fim de semana com eles.
Um grande abraço!
Augustus












