sexta-feira, 23 de agosto de 2013

3 Igreja Primitiva X Igreja Atual – Uma diferença abissal

 
 

De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." (Atos 2:41-47)

Costumamos bater no peito com orgulho e dizer que fazemos parte da Igreja Primitiva fundada no dia de Pentecostes. Afirmamos que nossa denominação, seja ela qual for, é parte da Igreja do Senhor Jesus e possui raízes na primeira era apostólica.

Entretanto, de uma coisa tenho certeza: encontrar, nos dias de hoje, comunidades que se enquadrem no relato de Atos 2 é uma missão dificílima. É verdade que somos falhos, humanos e limitados, mas isso não justifica o nosso desleixo com as coisas de Deus. Afinal, os cristãos do primeiro século eram tão humanos quanto nós, e mesmo assim a Bíblia testifica sua fé, amor, altruísmo e caráter.

Observemos algumas discrepâncias gritantes entre a Igreja atual e a Igreja primitiva:


1. O Foco na Evangelização e a Mensagem Bíblica

O texto bíblico diz que quase três mil almas foram agregadas e batizadas naquele dia. Será que somos tão tolos a ponto de dizer que nos assemelhamos a eles nesse quesito?

  • A Falta de Frutos: Onde estão as almas salvas e prontas para o batismo? Evangelizar tornou-se uma utopia para a Igreja hodierna. Criamos tantas desculpas para não fazer missões que parece não percebermos que estamos mentindo para nós mesmos.
  • O Estereótipo Cultural: As pregações atuais tornaram-se reflexos de nossa geração e cultura. Faz muito tempo que não ouvimos mensagens puramente bíblicas, sem os aditivos da "teologia da prosperidade", da "fé na fé" ou de ordens a Deus, como se Ele fosse nosso mordomo particular.

2. Os Pilares da Perseverança

Aqui o caminho fica estreito, pois há um verdadeiro abismo entre o versículo e a nossa realidade:

  • Doutrina e Ensino: Muitos cristãos atuais não suportam o ensino profundo. Preferem o entretenimento e mensagens que não exijam compromisso. Como assembleiano há quase vinte anos, vejo pessoas que fogem de cultos de ensino "como o diabo foge da cruz". Isso ocorre porque muitos não querem obedecer a Deus; querem que Deus os obedeça e lhes traga benefícios.
  • Comunhão (Koinonia): Significa compartilhar ideias, fé e unidade de pensamento. Atualmente, o que vemos é o "cada um por si". As disputas por cargos e posições transformaram o Corpo de Cristo em uma espécie de agência de empregos para quem busca status.
  • O Partir do Pão: Isso ia além da Ceia mensal. Significava que não havia necessitados entre eles, pois tinham "tudo em comum". Hoje, o egoísmo impera. É fácil falar de amor no púlpito; difícil é oferecer uma carona ou estender a mão de forma prática.
  • As Orações: É inadmissível que alguém vá a uma reunião de oração para bater papo de joelhos. O lugar de conversa é na praça ou no shopping. Sem falar daqueles que só chegam ao templo quando o período de oração já se encerrou.

3. Temor e o Sobrenatural de Deus

Não escrevo como alguém perfeito — pelo contrário, considero-me o mais necessitado da misericórdia divina. Mas a verdade precisa ser dita, mesmo que ela confronte a mim primeiro.

  • A Falta de Temor: O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Não é medo, mas respeito à Sua santidade. A falta desse temor faz com que muitos ouçam a Palavra e a ignorem. Viver deliberadamente no pecado achando que está tudo bem é o sinal de que o temor se perdeu, o que pode levar a consequências eternas desastrosas.
  • Sinais e Maravilhas: Embora a viga mestra não deva ser apenas o "sobrenatural", os sinais são inseparáveis de uma igreja apostólica. A Igreja deve ser uma agência do Reino, onde a salvação, o batismo no Espírito Santo e as curas façam parte da rotina. Se essas coisas não acontecem, algo está errado.

Conclusão

Ao invés de nos orgulharmos de títulos ou tradições, deveríamos fazer a oração recomendada pelo profeta Joel:

"Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus... Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor..." (Joel 2:13-17)

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos leve de volta à essência.

João Augusto de Oliveira



3 comentários:

  1. Excelente estudo, estamos a anos luz da Igreja Primitiva... A Igreja se tornou Comercial, e seus líderes Profissionais da Palavra, faturando muito alto em Templos Suntuosos... Não deveriam construir templos mais simples, com salários menores, de forma que sobrariam recursos para cumprir de fato o Ide, levando a Palavra e o Pão literalmente???

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  2. Anônimo. Obrigado pela sua honrosa participação a este humilde blog. Concordo com contigo em cada palavra que dissestes. Realmente a Igreja atual (suas lideranças) perderam o foco de verdadeira agência do Reino de Deus na Terra, porém transformou-se num negócio rentável e lucrativo, mas de uma coisa não podem fugir: DO DIA DO ACERTO DE CONTAS COM DEUS!
    Fica na paz e que Deus continue te abençoando,
    João Augusto

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  3. È interessante que só enxergamos erros nos irmãos mas,o Senhor Jesus disse a Pedro se ele o amava que cuidasse das ovelhas será que nossos lideres estão preocupados com as ovelhas ou com sigo mesmo, estão preocupados com a igreja de Jesus Cristo ou com templos feito por mãos de Homem, e o partir dos pães.

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