De sorte que foram
batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia
agregaram-se quase três mil almas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e
na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e
muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam
estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e
repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes
todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e
singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E
todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de
salvar." (Atos
2:41-47)
Costumamos bater no peito
com orgulho e dizer que fazemos parte da Igreja Primitiva fundada no dia de
Pentecostes. Afirmamos que nossa denominação, seja ela qual for, é parte da
Igreja do Senhor Jesus e possui raízes na primeira era apostólica.
Entretanto, de uma coisa
tenho certeza: encontrar, nos dias de hoje, comunidades que se enquadrem no
relato de Atos 2 é uma missão dificílima. É verdade que somos falhos, humanos e
limitados, mas isso não justifica o nosso desleixo com as coisas de Deus.
Afinal, os cristãos do primeiro século eram tão humanos quanto nós, e mesmo
assim a Bíblia testifica sua fé, amor, altruísmo e caráter.
Observemos algumas
discrepâncias gritantes entre a Igreja atual e a Igreja primitiva:
1. O Foco na
Evangelização e a Mensagem Bíblica
O texto bíblico diz que
quase três mil almas foram agregadas e batizadas naquele dia. Será que somos
tão tolos a ponto de dizer que nos assemelhamos a eles nesse quesito?
- A Falta de Frutos: Onde estão as almas salvas e prontas
para o batismo? Evangelizar tornou-se uma utopia para a Igreja hodierna.
Criamos tantas desculpas para não fazer missões que parece não percebermos
que estamos mentindo para nós mesmos.
- O Estereótipo Cultural: As pregações atuais tornaram-se
reflexos de nossa geração e cultura. Faz muito tempo que não ouvimos
mensagens puramente bíblicas, sem os aditivos da "teologia da
prosperidade", da "fé na fé" ou de ordens a Deus, como se
Ele fosse nosso mordomo particular.
2. Os Pilares da
Perseverança
Aqui o caminho fica
estreito, pois há um verdadeiro abismo entre o versículo e a nossa realidade:
- Doutrina e Ensino: Muitos cristãos atuais não suportam o
ensino profundo. Preferem o entretenimento e mensagens que não exijam
compromisso. Como assembleiano há quase vinte anos, vejo pessoas que fogem
de cultos de ensino "como o diabo foge da cruz". Isso ocorre
porque muitos não querem obedecer a Deus; querem que Deus os obedeça e
lhes traga benefícios.
- Comunhão (Koinonia): Significa compartilhar ideias, fé e
unidade de pensamento. Atualmente, o que vemos é o "cada um por
si". As disputas por cargos e posições transformaram o Corpo de
Cristo em uma espécie de agência de empregos para quem busca status.
- O Partir do Pão: Isso ia além da Ceia mensal.
Significava que não havia necessitados entre eles, pois tinham "tudo
em comum". Hoje, o egoísmo impera. É fácil falar de amor no púlpito;
difícil é oferecer uma carona ou estender a mão de forma prática.
- As Orações: É inadmissível que alguém vá a uma reunião de oração para
bater papo de joelhos. O lugar de conversa é na praça ou no shopping. Sem
falar daqueles que só chegam ao templo quando o período de oração já se
encerrou.
3. Temor e o
Sobrenatural de Deus
Não escrevo como alguém
perfeito — pelo contrário, considero-me o mais necessitado da misericórdia
divina. Mas a verdade precisa ser dita, mesmo que ela confronte a mim primeiro.
- A Falta de Temor: O temor do Senhor é o princípio da
sabedoria. Não é medo, mas respeito à Sua santidade. A falta desse temor
faz com que muitos ouçam a Palavra e a ignorem. Viver deliberadamente no
pecado achando que está tudo bem é o sinal de que o temor se perdeu, o que
pode levar a consequências eternas desastrosas.
- Sinais e Maravilhas: Embora a viga mestra não deva ser
apenas o "sobrenatural", os sinais são inseparáveis de uma
igreja apostólica. A Igreja deve ser uma agência do Reino, onde a
salvação, o batismo no Espírito Santo e as curas façam parte da rotina. Se
essas coisas não acontecem, algo está errado.
Conclusão
Ao invés de nos
orgulharmos de títulos ou tradições, deveríamos fazer a oração recomendada pelo
profeta Joel:
"Rasgai o vosso
coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus... Chorem
os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa
a teu povo, ó Senhor..." (Joel
2:13-17)
Que Deus tenha
misericórdia de nós e nos leve de volta à essência.
João Augusto de
Oliveira



Excelente estudo, estamos a anos luz da Igreja Primitiva... A Igreja se tornou Comercial, e seus líderes Profissionais da Palavra, faturando muito alto em Templos Suntuosos... Não deveriam construir templos mais simples, com salários menores, de forma que sobrariam recursos para cumprir de fato o Ide, levando a Palavra e o Pão literalmente???
ResponderExcluirAnônimo. Obrigado pela sua honrosa participação a este humilde blog. Concordo com contigo em cada palavra que dissestes. Realmente a Igreja atual (suas lideranças) perderam o foco de verdadeira agência do Reino de Deus na Terra, porém transformou-se num negócio rentável e lucrativo, mas de uma coisa não podem fugir: DO DIA DO ACERTO DE CONTAS COM DEUS!
ResponderExcluirFica na paz e que Deus continue te abençoando,
João Augusto
È interessante que só enxergamos erros nos irmãos mas,o Senhor Jesus disse a Pedro se ele o amava que cuidasse das ovelhas será que nossos lideres estão preocupados com as ovelhas ou com sigo mesmo, estão preocupados com a igreja de Jesus Cristo ou com templos feito por mãos de Homem, e o partir dos pães.
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