sexta-feira, 20 de maio de 2011

5 Uma Palavra Sincera Sobre o Dízimo





O debate sobre o dízimo é amplo e, muitas vezes, controverso. Como cristão de tradição assembleiana, creio firmemente na atualidade dessa prática bíblica.

Este texto não visa debater a validade teológica do dízimo, mas sim expor as razões da sua permanência e confrontar os excessos cometidos em seu nome.

O Dízimo Através dos Tempos

A ordenança do dízimo não se restringe à Lei Mosaica. A Bíblia demonstra a sua prática em três períodos distintos da história bíblica:

  • Antes da Lei (Dispensação da Promessa): Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque muito antes da instituição da lei (Gênesis 14:20).
  • Durante da Lei (Dispensação da Lei): Deus ordenou o dízimo como estatuto para o sustento da tribo de Levi e das festividades (Deuteronômio 14:22).
  • Depois da Lei (Dispensação da Graça): No Novo Testamento, Jesus validou a prática ao confrontar os religiosos (Mateus 23:23).

Ao censurar os fariseus, Jesus criticou o zelo hipócrita deles com as pequenas sementes em detrimento da justiça. Contudo, Ele foi claro: "Deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas". Cristo não aboliu o dízimo; Ele exigiu uma motivação correta.


4 Razões Corretas Para Dizimar

Infelizmente, muitos líderes ensinam o povo a dizimar por motivos errados: medo da condenação, medo do "devorador", barganha financeira ou busca por cargos eclesiásticos. Esses ensinos deturpam o Evangelho.

O cristão deve entregar o dízimo motivado por princípios bíblicos saudáveis:

1. Sinal de Gratidão

Dizimamos porque reconhecemos que tudo o que somos e temos provém de Deus. É a devolução voluntária daquilo que Ele mesmo nos deu (Romanos 11:36).

2. Reconhecimento de Vitória

Quando Abraão entregou o dízimo, ele não tentava comprar uma bênção. Ele celebrava a vitória que Deus já havia concedido na libertação de seu sobrinho Ló.

3. Obediência à Palavra

Em Mateus 5:20, Jesus afirma que a nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus. Se eles eram rigorosos na entrega sob a Lei, nossa dedicação sob a Graça deve ser ainda maior.

4. Ato de Adoração

Tudo o que fazemos deve glorificar a Deus. O ato de contribuir com a obra local é uma expressão prática de culto e dependência do Senhor.


O Que Combato na Prática Eclesiástica Atual

Como zeloso da sã doutrina, existem quatro procedimentos modernos que rejeito frontalmente à luz das Escrituras:

A Heresia do Medo

Muitas igrejas apelam ao terrorismo psicológico para aumentar a arrecadação. Afirmar que um cristão genuíno perderá a salvação apenas por não ser dizimista é uma heresia grave contra a doutrina da salvação pela graça.

A Acepção de Pessoas

Sou contra privilégios clericais ou sociais concedidos apenas a grandes contribuintes. Para Deus, o valor está no ser humano criado à Sua imagem, não no poder financeiro dele. Jesus valorizava pessoas; muitas igrejas hoje valorizam o dinheiro.

A Falta de Transparência

Rejeito o pensamento de que a liderança não deve prestar contas das finanças. A igreja local precisa ser transparente com seus membros e obreiros. A prestação de contas honesta é parte do testemunho de ser "sal da terra e luz do mundo".

O Sucesso Medido por Relatórios

É lamentável ver o valor de uma igreja medido pelo saldo bancário. De nada adianta uma igreja ter um relatório financeiro excelente se seus membros sofrem com analfabetismo bíblico ou vivem em pecado deliberado. O foco da igreja deve ser o crescimento espiritual, não o superávit financeiro.


Conclusão

Não podemos aceitar distorções teológicas em nome de Deus ou da própria Bíblia. É tempo de a igreja ler mais as Escrituras e exercer o discernimento espiritual.

Como bem afirmou o pastor batista Martin Luther King Jr.: "O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons".

Autor: João Augusto de Oliveira

 


5 comentários:

  1. Prezado irmão João Augusto.

    O que me leva a comentar sobre o tema: Dízimo, é a sua indignação no final desta postagem, com relação as distorções eclesiásticas de alguns líderes, quando o assunto é dinheiro.
    Realmente Abraão dizimou a Melquisedeque, e isto antes da Lei. Todavia, esse ato parece mais uma demonstração(alusão) de uma Lei institucional que seria aplicada aos descendentes de Abraão.
    Podemos entender que a origem do dízimo se fez necessário para que uma das doze tribos dos filhos de Jacó que não teve direito a herança na divisão da terra de Canaã, porque o Senhor Deus se fez herança para com a tribo de Levi,ou seja, essa tribo ficou responsável a adoração(levitas), ao sacerdócio e todo o serviço da Casa do Senhor. Da parte de Deus foi ordenado que as demais tribos dizimassem àquela que não tinha herança da terra, a saber : A Tribo de Levi.

    Os fariseus foram exortados por Jesus, não por dar o dízimo até da hortelã, do endro e do cominho; nem por jejuar três vezes por semana, julgando-se mais justos e santos que os publicanos, e sim, por negligenciar os preceitos mais importantes da Lei: A justiça, a misericórdia e a fé.

    Quando o Senhor Jesus confirmou a obrigação do dízimo no episódio de Mateus 23. 23, foi porque ainda não tinha cumprido toda a Lei do velho testamento. Contudo, a vigência da Lei e dos profetas só vigorou até João Batista, pois na cruz do calvário Jesus cumpriu toda Lei, inclusive nossa redenção e salvação. Portanto, não necessitamos mais de sacerdotes Levíticos, pois Ele, o Senhor Jesus, se tornou Sumo Sarcedote para sempre.

    Quanto a visão do "Dízimo" na nova aliança,o Apóstolo Paulo, escolhido por Cristo para ser o discipulador dos gentios, e por conseguinte nosso orientador neotestamentário, nunca usou a palavra Dízimo, por ter sido revogado por Cristo, a qual somente consta na sombra da Lei.

    A princípio, parece que esse imposto compulsório (dízimo) daria mais estabilidade a Igreja de Cristo, pois muitas realmente estão enriquecendo-se financeiramente, contudo empobrecendo-se espiritualmente.

    Penso que se voltássemos a essência da Igreja do Novo Testamento e contribuíssemos segundo proposto em nosso coração, não por obrigação(10%), nem pelas ameaças de ser taxados de ladrão e ir para o inferno, mas com alegria e amor pela obra de Cristo, a igreja seria pastoreada com amor, sem ganâncias e sem ameaças. Conforme, recomendação a seguir do Espírito Santo, através do Apóstolo Paulo:

    "E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará.
    Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria." IICor. 9. 6,7.

    Gostaria que o irmão considerasse este comentário, não como crítica a seu tema postado, o qual foi muito bem detalhado, mas como uma pequena colaboração a edificação do Corpo de Cristo.

    http://discipulodecristo7.blogspot.com/

    Um abraço do Discípulo de Cristo.

    Paz Seja Contigo!

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  2. Querido J.C. de Araújo Jorge, agradeço a sua honrosa contribuição a esse humilde blog. Conforme disse no princípio de minha reflexão: O meu intuito "no momento" não é discutir a atualidade ou não do dízimo. Até porque conforme detalhei, o dízimo é encontra mesmo antes da lei ser institucionalizada na nação de Israel com Moisés. Já em Abraão o encontramos entregando o dízimo. É verdade que o Sr. Jesus tb. não instruiu os fariseus a dizimar quando os confrontou, porém tb. não o vimos em lugar algum proibir diretamente. Em relaçao a Paulo, reconheço que o mesmo não ensinou abertamente acerca do dízimo, tb. como em nenhum lugar encontramos a proibição a respeito. Então partindo desse pirincipio acho que é um tema que exige uma investigação (exegese) mais detalhada com o fim de sanar todas as dúvidas. Futuramente estaremos discutindo esse tema com mais tempo e analisando algumas lacunas.
    De qualquer forma fique a vontade par se expressar. Esse espaço é democrático, e toda contribuiução é bem vinda.
    Seu conservo,
    João Augusto.

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  3. Os pastores lhe agradecem pelo seu dinheiro e os mendigos lhe pedem uma esmola

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  4. Quanto aos pobres, vós sempre os tereis convosco, mas a mim vós nem sempre tereis.” (João 12.8)

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  5. O texto de mateus não serve em hipótese alguma para confirmar a ordenança do dízimo, fazer isso e estabelecer uma interpretação extensiva do versículo, retirado-o de seu contexto. No que tange a ser abençoado, por ofertar ou dizimar, observo um logica muito simples, o justo viverá pela fé, logo, tudo que provem da fé é agradável a Deus, digo fé genuina em Cristo Jesus. A resposta de Deus não esta atrelada ao que é ofertado como vemos por exemplo na oferta de Abel, mas a motivação com que é feita. O que agrada a Deus é o cuidado com a sua obra, o investir nas almas e isso nao se limita a percentuais, mas a fé.

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